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Comando Vermelho amplia domínio na Amazônia e pressiona 286 cidades

Expansão das facções acelera violência letal e transforma a região em corredor estratégico do tráfico

Popular passa diante de muro pichado com as iniciais do Comando Vermelho | Foto: Alaor Filho/Estadão Conteúdo crime
Popular passa diante de muro pichado com as iniciais do Comando Vermelho | Foto: Alaor Filho/Estadão Conteúdo

O avanço do crime organizado redefiniu a geografia da Amazônia. O Comando Vermelho (CV) ampliou sua presença em ritmo acelerado e consolidou o maior domínio territorial entre as facções do país. Divulgada nesta quarta-feira, 19, a nova edição do relatório Cartografias da Violência na Amazônia revela que 286 municípios do Estado já registram sinais da facção. Ao todo, a atividade do crime organizado já é registrada em 344 cidades.

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Atualmente, o grupo disputa o espaço com o Primeiro Comando da Capital (PCC), que concentra forças em corredores de “alto valor logístico”. Segundo o levantamento, a rivalidade gerou conflitos em 57 municípios mapeados em 2025. Os dados mostram que essa estrutura criminal funciona como rede, combinando armas, transporte ilegal e articulação com garimpos e invasões de terras indígenas.

Avanço do Comando Vermelho impulsiona violência letal

A Amazônia registrou taxa de 27,3 mortes violentas por 100 mil habitantes em 2024. O número supera em 31% a média nacional e confirma a interiorização da violência. Mesmo com queda de 7,7% nos homicídios, a região segue entre as mais vulneráveis do país.

A pesquisa revela que a expansão das facções se conecta a atividades como extração irregular de minérios e ocupação ilegal de territórios protegidos. Municípios próximos de áreas de garimpo e fronteira tendem a registrar índices mais altos de homicídios, como mostram Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), São Félix do Xingu (PA) e Rio Preto da Eva (AM).

A presença crescente do Comando Vermelho em garimpos altera o padrão de atuação criminosa. Segundo o relatório, traficantes passaram a cobrar taxas, controlar insumos e impor regras a trabalhadores, consolidando o que autoridades classificam como “governança criminal” em áreas isoladas.

Expansão do tráfico pressiona fronteiras e aumenta apreensões

As apreensões de cocaína atingiram o maior volume da série histórica: 46,9 toneladas em 2024, aumento de 21%. Amazonas e Mato Grosso responderam por mais de 80% do total recolhido. O relatório afirma que a região se firmou como corredor estratégico do tráfico internacional, alimentado por pistas clandestinas e pela proximidade com fronteiras usadas por grupos armados.

A violência sexual contra meninas e mulheres aumentou 4,3% na Amazônia, enquanto o restante do país registrou leve recuo. A taxa regional supera a média nacional em 36,8%. Em áreas de fronteira, a incidência é 68,7% maior do que nos demais municípios amazônicos. Os pesquisadores atribuem esses números à combinação entre isolamento, baixa presença do Estado e fortalecimento de facções locais.

A 4ª edição do Cartografias da Violência na Amazônia foi elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Mãe Crioula e pesquisadores ligados ao Laboratório Interpretativo Amazônia, Ilegalismos e Violências. O documento também recebeu colaboração do Ministério dos Povos Indígenas.

Leia também: “Bahia sob o comando do crime”, texto de Uiliam Grizafis publicado na Edição 295 da Revista Oeste

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4 comentários
  1. David S
    David S

    Até parece extremismo da minha parte, mas infelizmente não é.
    Com terroristas, só na bala mesmo….

  2. Luiz fernando Chalet ferreira
    Luiz fernando Chalet ferreira

    Com a palavra…o STF. Graças a Deus só eles podem resolver esses absurdos

  3. José Antônio Batalha Zocccoler
    José Antônio Batalha Zocccoler

    Neste governo que da proteção a narcotráfico a expansão cresceu muito ….

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