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Em silêncio sobre desmatamento na Amazônia, artistas elegem elefante como bandeira ambiental

Atores querem transferir animal que está no Zoológico de Sorocaba (SP) para reserva em Mato Grosso

Elefante Sandro
O prefeito Rodrigo Manga critica o movimento de celebridades | Foto: Reprodução/Redes sociais

A rotina tranquila de Sandro, um elefante com mais de 50 anos e um dos principais moradores do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), transformou-se em pauta nacional.

Famosos e ativistas defensores dos animais disputam com a prefeitura o destino do animal. Sandro vive no local desde 1972 e agora pode ser transferido para uma reserva em Mato Grosso.

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O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), disse que o animal está bem acomodado, pertence ao município e seria penoso transferi-lo, e criticou o movimento dos artistas, “os mesmos atores globais que ficam lacrando na internet” sobre a Amazônia. “Agora que ela está queimando não colocam um dedo nela para fazer alguma coisa e querem decidir o destino do elefante Sandro”.

Nos últimos quatro anos, uma ação judicial discute se o elefante deve permanecer no zoológico ou mudar para o Santuário de Elefantes Brasil, na Chapada dos Guimarães. A Justiça já autorizou a mudança, mas decisões posteriores suspenderam a transferência, mantendo o caso em aberto.

Mais de 40 personalidades, entre elas Xuxa, Glória Pires, Lima Duarte, Alinne Moraes e Luana Piovani, aderiram a uma petição on-line organizada pela atriz Bianca Bin e pela Agência de Notícias de Direitos Animais.

O documento, com apoio de 22 mil assinaturas, pede que Sandro deixe o zoológico. Os ativistas afirmam que o espaço atual não oferece condições adequadas para um animal de grande porte. Além disso, argumentam que, desde a morte de sua companheira, Haisa, em 2020, ele vive sozinho.

Vídeos publicados nas redes sociais reforçam o apelo. Em alguns, artistas repetem a frase “Liberte o Sandro” para sensibilizar o público. Eles defendem a ideia de que a área de 40 mil metros quadrados do reserva proporcionaria mais bem-estar, contato com outros elefantes e atendimento veterinário especializado.

Prefeitura e população se opõem à transferência de Sandro

A prefeitura e parte da população se opõem à transferência. O governo municipal sustenta que Sandro, por ser idoso e nunca ter vivido em manada, poderia enfrentar estresse severo durante a viagem de 1,4 mil quilômetros e no período de adaptação.

Também afirma que ele recebe cuidados médicos diários e alimentação balanceada. Sem riscos de predadores, sua expectativa de vida em cativeiro pode chegar a 60 anos — duas décadas a mais que na natureza.

Na mesma plataforma em que artistas promovem a campanha pela mudança, outras petições defendem a ideia de que ele permaneça em Sorocaba. Uma delas, criada no início de agosto, superou 36 mil assinaturas em um dia.

Rodrigo Manga critica o movimento de celebridades ao dizer que elas “não conhecem a história, nem o Sandro e muito menos a cidade”. Ele ressalta que aceitará a transferência caso laudos técnicos provem que é a melhor alternativa, mas rejeita o que chama de “política com lacre”.

A ação judicial começou em 2022, com pedido do Ministério Público e de entidades de defesa animal para levar Sandro à reserva.

Um laudo independente indicou dores articulares e problemas nas patas, supostamente devido ao confinamento em área de 2 mil metros quadrados sem árvores nem lama. Com base nesse material, a Justiça autorizou a transferência.

+ Leia também: “Prefeito de Barra Mansa (RJ) se irrita com vandalismo, mas descobre que autoras eram capivaras”

A prefeitura recorreu e apresentou um relatório em que alerta para riscos à saúde do animal no novo ambiente. Em abril deste ano, uma liminar manteve o elefante no zoológico, mas a decisão foi revertida semanas depois.

Em julho, o desembargador Paulo Ayrosa suspendeu a mudança ao argumentar que o prazo de 45 dias para a operação era insuficiente e que os custos poderiam comprometer o orçamento municipal. O processo permanece em andamento.

A reserva de elefantes em Mato Grosso

O Santuário de Elefantes Brasil é administrado por uma organização sem fins lucrativos que atua em parceria com entidades internacionais. No local, vivem sete elefantas, todas resgatadas de circos e zoológicos, entre asiáticas e africanas.

Críticos da transferência afirmam que, apesar da boa reputação, o local não deixa de ser um espaço de cativeiro e que o bioma cerrado pode não atender às necessidades de um animal acostumado a décadas em recintos controlados.

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4 comentários
  1. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Um “santuário” de elefantes com 200×200 metros? Só pode ser uma piada.

  2. Roberto Lopes Bezerra
    Roberto Lopes Bezerra

    Artistes não precisa de coerência, quanto mais ter cérebro!

  3. paulo jose do nascimento filho
    paulo jose do nascimento filho

    A caterva de hipocritas militantes, mamadores das ONGS e da Lei Rouanet, continua unida e oportunisticamente seletiva

  4. Paulo Miranda
    Paulo Miranda

    “Artistas”… Os mesmos que não fizeram NADA durante a catástrofe das enchentes no RS em maio do ano passado; os mesmos que apóiam a prisão ilegal e injusta dos inocentes do 08/01; do roubo do INSS.

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