No dia 9 de janeiro deste ano, por volta das 10h, um pequeno avião executivo tentou pousar no Aeroporto Estadual Gastão Madeira, em Ubatuba (SP). Procedente de Goiás, o jato acabou saindo da pista e indo parar na orla da Praia do Cruzeiro. Em razão do impacto, o piloto, Paulo Seghetto, de 55 anos, morreu no local; os quatro passageiros — um casal e seus dois filhos — sobreviveram. O caso naturalmente chamou atenção da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), emitiu seu parecer. O motivo do desastre foi principalmente a tentativa de iniciar o pouso pelo lado das montanhas. O correto seria se aproximar pelo lado do mar. Assim, a manobra contaria com 300 m a mais de pista. Sem essa margem, a aeronave varou os limites do aeroporto e só foi parar no mar.
Anac e o relatório final sobre acidente em Ubatuba
Oficialmente, o relatório final indicou como causa o que os especialistas chamam de ‘excursão da pista’. O fator que culminou no acidente em Ubatuba, aliás, é um dos três principais motivos para a maioria das quedas de aviões do Brasil. O dado faz parte do mais recente Alerta de Segurança Operacional.
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A Anac divulgou o documento na segunda-feira 25. Ele destina-se principalmente a pilotos, operadores, mecânicos e proprietários de aeronaves da aviação geral, que exclui aviões militares e comerciais, como os da Latam, por exemplo. Os três principais fatores associados a acidentes e incidentes graves na aviação geral brasileira entre 2021 e 2024 foram esses:
- Falha ou mau funcionamento do motor; causou 63 acidentes, reforçando a necessidade de manutenção e inspeção rigorosas.
- Excursão de pista: foram 51 acidentes e 42 incidentes graves, evidenciando a importância de aproximar-se estabilizado e estar preparado para arremeter.
- Perda de controle em voo: considerado o risco mais letal, com 48 acidentes e 76 fatalidades. Para reduzir esse risco, a Anac recomenda treinamento constante em recuperação de atitudes anormais e planejamento cuidadoso de peso e balanceamento.
A agência informou que os Estados mais impactados nesse período foram São Paulo e Mato Grosso. Neste caso, houve aumento no número de acidentes em 2023 e 2024. Como medida de reforço à segurança, todos os alertas a partir de agora também serão disponibilizados em inglês e espanhol, garantindo acesso a tripulações estrangeiras.
Além dos dados do alerta, o Brasil registrou 175 acidentes aéreos em 2024, sendo 44 fatais, com 152 mortes. Este é o maior número da década, conforme levantamento do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da FAB.
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