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Agronegócio

O agronegócio brasileiro, mais uma vez, sob ataque

'É crucial notar que, na nova rodada de taxações, apenas as cadeias do suco de laranja e das castanhas foram desoneradas'

Em A Força do Agro desta quinta-feira, 17, o espectador vai saber um pouco mais da história da agricultura | Foto: Reprodução/PXHere
Em artigo, advogado tributarista analisa os impactos do 'tarifaço' dos EUA sobre o agro nacional | Foto: Reprodução/PXHere

Recentemente, tive a oportunidade de participar do programa Faroeste à Brasileira, um importante espaço digital dedicado ao debate dos fatos sociais, econômicos e políticos do nosso país. Na ocasião, com a presença de jornalistas e advogados, discutimos pautas cruciais que refletem os sérios dilemas atuais do Brasil, inclusive do agronegócio nacional.

Entre os temas, destacaram-se as tarifas de 50% impostas pelo governo do presidente dos EUA, Donald Trump, aos produtos brasileiros, as manifestações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na primeira sessão do segundo semestre e uma relevante entrevista com Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, que está em destaque na mídia. Indiciado pela Polícia Federal por vazar informações do gabinete, ele, atualmente, reside na Itália e ameaça revelar bastidores de suas atividades na Corte.

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No entanto, o foco principal de nossas discussões recaiu sobre a atual situação do agronegócio brasileiro. Afinal, é o setor mais direta e severamente prejudicado pelas novas tarifas implantadas pelo governo norte-americano.

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Produtos brasileiros que entram nos EUA passaram a pagar uma  tarifa de 50% desde a última quarta-feira, 6. A medida atinge itens de peso no agronegócio, como café, carne bovina e pescados. A saber, isso deve gerar prejuízos bilionários para o Brasil — além de encarecer produtos no mercado norte-americano.

O peso do tarifaço sobre o agronegócio brasileiro

É crucial notar que, na nova rodada de taxações, apenas as cadeias do suco de laranja e das castanhas foram desoneradas. O restante dos produtos permanece sujeito à tarifa de 50%. Isso significa que, dos US$ 12 bilhões anuais que o agronegócio brasileiro exporta para os EUA, apenas uma parcela, entre 10% e 18%, será submetida a tarifas menores, enquanto a vasta maioria enfrentará a taxação máxima.

Linhas de produção de suco de laranja | Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN
Linhas de produção de suco de laranja, produto que, por ora, escapou do ‘tarifaço’ dos EUA sobre as exportações brasileiras | Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

Especialistas preveem que o tarifaço norte-americano ameaça US$ 10 bilhões anuais em exportações brasileiras. Estimam-se perdas de quase US$ 6 bilhões. Setores como pescados (tilápia, com 90% das exportações aos EUA) enfrentam risco de falência, afetando empregos. Exportadores de carne antecipam perdas de até US$ 1 bilhão. Frutas (manga, sobretudo), café, açúcar e etanol também foram duramente atingidos.

“A situação geral continua, nesse sentido, a ser alarmante para a balança comercial brasileira”

As poucas isenções concedidas, como a do suco de laranja — que evitará uma perda significativa de cerca de R$ 3,5 bilhões (quase US$ 800 milhões) em exportações anuais, um alívio crucial para o setor citrícola — e dos fertilizantes minerais ou químicos, atenuam o impacto inicial em até 40%, segundo análises de consultorias. Todavia, essa “suavização” é apenas parcial. A situação geral continua, nesse sentido, a ser alarmante para a balança comercial brasileira. Ou seja, afeta a sustentabilidade do agronegócio nacional.

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A imposição dessas tarifas é um resultado direto e inequívoco de uma grave falta de negociação por parte do governo brasileiro. A Casa Branca decidiu as isenções com base em seus próprios interesses, visando a proteger o consumidor e a indústria norte-americano de aumentos de preços, agindo de forma pragmática.

Leia também: “O negociador”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 280 da Revista Oeste

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