O Brasil entra em uma nova etapa da corrida espacial em 22 de novembro, às 15h, quando a Força Aérea Brasileira (FAB) realizará o primeiro lançamento comercial de um foguete em território nacional. A operação, batizada de Spaceward 2025, levará ao espaço o HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
A missão combina interesses científicos, educacionais e mercadológicos, de modo a abrir caminho para que o país atue como player no disputado mercado global de lançamentos orbitais. A operação é conduzida em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e reúne um contingente de 400 profissionais, entre militares, civis e técnicos estrangeiros.
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“Lançar um veículo internacional a partir do Brasil mostra que temos capacidade, infraestrutura e autonomia para operar em um setor estratégico para a soberania nacional”, afirmou o tenente-brigadeiro do ar Ricardo Augusto Fonseca Neubert, diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em referência ao ineditismo da missão.
O que será levado ao espaço
O foguete transportará oito cargas: cinco satélites e três experimentos tecnológicos, com projetos liderados por universidades, startups e indústrias do Brasil e da Índia. A diversidade dos módulos reflete a proposta da operação: testar inovação, gerar conhecimento e abrir portas comerciais.
Um dos satélites, batizado de PION-BR2, foi criado por estudantes e pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Ele terá, entre suas funções, a tarefa simbólica de levar ao espaço mensagens escritas por alunos de escolas públicas de Alcântara. O projeto também servirá como banco de testes para hardware nacional, como sistemas de comunicação e painéis solares.
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Com forte apelo social, a iniciativa envolveu jovens de comunidades tradicionais da região, aproximando a população local da cadeia espacial.
Também desenvolvido pela UFMA, o Jussara-K foi concebido para captar e transmitir informações ambientais em zonas remotas. O satélite se comunicará com estações terrestres instaladas no Maranhão, auxiliando pesquisas sobre território, clima e ecossistemas.

Tecnologia 100% acadêmica na órbita
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) levará dois cubesats, FloripaSat-2A e 2B, desenhados integralmente por estudantes. Eles testarão um sistema de comunicação de baixo consumo (LoRa) voltado para Internet das Coisas, tecnologia que pode ser aplicada em monitoramento agrícola, cidades inteligentes e rastreamento remoto.
O FloripaSat-2B se destaca por ser totalmente nacional, da estrutura física às placas solares e antenas.
Brasil testando “cérebro” de foguetes
Entre os experimentos, o voo levará um Sistema de Navegação Inercial (SNI) desenvolvido por um consórcio de empresas brasileiras a convite da AEB. Na prática, é um sistema que “orienta” o foguete durante o trajeto, calculando velocidade, posição e direção sem depender de GPS. A validação em voo abre potencial comercial para exportação da tecnologia a outros setores, como aviação, navegação e veículos autônomos.
A empresa brasileira Castro Leite Consultoria (CLC) também embarca tecnologia própria para testes em microgravidade. O objetivo é qualificar equipamentos de navegação por satélite e acelerar sua certificação para o setor aeroespacial.
O componente internacional da missão é o Solaras-S2, módulo indiano projetado para monitorar a atividade solar e seus impactos em sistemas de comunicação e navegação na Terra. Ele reforça o caráter cooperativo da missão e amplia a relevância científica do voo.
Porta de entrada para um novo mercado
O voo do HANBIT-Nano é resultado de um edital público lançado pela AEB em 2020 para atrair empresas estrangeiras ao CLA. A Innospace venceu a concorrência e, dois anos depois, formalizou contrato com a Aeronáutica.
A autorização para o lançamento foi concedida tanto pela agência espacial sul-coreana quanto pelo governo brasileiro, atestando conformidade de padrões técnicos, ambientais e de segurança.
Se bem-sucedida, a missão consolida Alcântara como um espaçoporto competitivo — com localização estratégica próxima à linha do Equador, que favorece economia de combustível e amplia capacidade de carga nos voos orbitais.
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