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Esfriando o discurso do aquecimento?

Observa-se cada vez mais o quanto os problemas atuais do mundo estão sublimando a questão climática

justiça climática aquecimento global
Do 'aquecimento global' às 'mudanças climáticas', o público agora é bombardeado pelo conceito de 'justiça climática' | Foto: Divulgação/Shutterstock

O discurso midiático das “mudanças climáticas”, propagado pela Europa e pelos Estados Unidos (EUA), aparentemente amainou nos últimos meses. Além do choque de realidade imposto pelas faturas de energia elétrica e pela constante ameaça de guerra em múltiplas escaladas, qualquer bom observador do contexto mais geral do tema já percebeu que o alarmismo se adequa não só ao momento — seja um quadro meteorológico específico ou, pior, algo inusitado como a situação geopolítica atual —, mas também à geografia onde é aplicado.

Basta observar o que se relatava sobre o clima há quase 40 anos, mesmo quando as temperaturas estavam baixas, no fim dos anos 1970 e início dos 1980, ou durante a estagnação — e até leve queda — entre 1998 e 2017. Além de todas as “ameaças não cumpridas”, os resultados “superfaturados de temperatura”, obtidos por modelos de computador que precisam inventar uma infinidade de cenários, não se concretizaram no mundo real, quando o suposto futuro longínquo se tornou o agora.

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Esses erros, vistos mais de perto, engrossam certamente o número de pessoas que vai despertando para o engodo nutrido sem parar. Se erraram no que observamos hoje em relação ao que disseram 30 anos atrás, quais são as garantias de que o que afirmam agora será verdadeiramente o que veremos em 2050 ou 2100? Pois é, também não tem valor — até porque poucos se candidatam a ser Matusalém.

Nesse ponto, façamos uma reflexão sobre algumas situações ocorridas nos últimos meses. Por exemplo, é possível notar que o alarde histérico, muito presente nos EUA, desapareceu de repente. Algo parecido ecoou pelo Brasil, mas com menos intensidade, justamente porque o país se tornou sede do carnaval fora de época chamado COP Climática — a reunião das partes, apoiada pela ONU e pelo IPCC, o painel do clima —, cuja 30ª edição ocorrerá em Belém (PA), neste ano de 2025.

Assim, a tradicional inundação diária de notícias catastróficas — de como a “mudança climática” iria matar a todos, ou de que temos pouco tempo para agir e, portanto, precisamos gastar rapidamente bilhões de dólares em medidas de contenção — foi se esvaindo vagarosamente. Para nós, do bloco dos países subdesenvolvidos, ela apenas amainou nos últimos meses.

É certo que essa redução do terrorismo climático começa na maior economia do planeta, os EUA. Sabemos muito bem que a tal “crise”, embora inexistente — porque o clima é o que é —, foi uma ideia inflada artificialmente. O alarde realizado, apoiado em uma “mudança climática” causada por atividades humanas, serviu a interesses dos bilionários que a financiavam (e ainda financiam), com o objetivo de lucrar muito mais com a venda de “soluções” apoiadas em restrições do que por acreditarem que exista algum problema real com o clima. É a certeza do lucro com o norteamento de diretrizes governamentais.

No caso dos EUA, o financiamento governamental foi rapidamente reduzido com a saída do presidente Joe Biden. Assim, a vasta quantidade de dinheiro público, que sustentaria a compra das “soluções climáticas” sempre oferecidas pela indústria do aquecimento global, naufragou desde meados de 2025. Isso refletiu diretamente nos lucros que tais investimentos almejavam. Um questionamento interessante é: se o dinheiro acabou, onde estão os ativistas e os próprios financiadores dessa indústria, que não começaram a gritar histericamente?

A lógica seria que, sem financiamento, o “problema” se exacerbaria, tornando-se exponencialmente mais rápido, perigoso e mortal — pois “extinguiria” toda a humanidade e até a vida no planeta, como afirmaram vários “trabalhos científicos”. Porém, não foi isso que ocorreu. Não houve aumento das reclamações por falta de recursos para a “emergência climática”. Nota-se também como alguns líderes mundiais discursaram na ONU a esse respeito, criticando a postura alarmista.

A hipótese parece plausível, e sinais que a corroboram surgiram desde 2023, antes do atual governo dos EUA, com o presidente Donald Trump, quando os grandes fundos de investimento começaram a restringir, ano após ano, os programas relativos aos temas ambientais abarcados pelo engodo do ESG (Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança).

Premonição ou planejamento? Em outras palavras: enquanto o primeiro mundo vai abandonando o barco vagarosamente, buscando caminhos alternativos e fugindo das pautas com todo um arcabouço de justificativas, a tralha dessa farsa — resultando em terrorismo legal, restrições de atividades e implantação de energias caras e ineficientes, como eólica e solar — continua a ser empurrada para o terceiro mundo. Enquanto isso, Rússia e China não estão nem aí para a tal causa climática e até a apoiam, desde que lucrem bastante com a história e consigam mais dependência de países fracos ou anárquicos do Ocidente, como o Brasil, que não apresentou até hoje um plano de nação, nem direção ou propósito.

Há ainda outro ponto dessa virada, que reflete diretamente nas enormes centrais de computadores (os data centers), que necessitam de muita energia para gerar e manter suas “inteligências artificiais” (IA). Ficou claro para aqueles que vão ganhar muito dinheiro que a “agenda climática” tornou-se antagônica à “agenda da IA” — ao menos num primeiro momento —, podendo então passar a um segundo plano de espera.

Os bilionários sabem que o investimento em IA os fará alcançar uma espécie de supremacia global, refletindo em mais dinheiro e poder do que a hipótese de “consertar o clima” da Terra com produtos e serviços verdes. O ponto é que, nessa corrida — muito semelhante à “corrida espacial” —, as necessidades energéticas da indústria de IA literalmente ofuscam a ideia pretensiosa de se “consertar o clima”. De fato, precisam de cada joule (J) de energia gerada para transformá-lo em eletricidade. Assim, quanto mais estável e barato for o watt-hora (Wh) convertido em bytes de IA, melhor. Mas não pense que abandonarão por completo a ideia, porque, dentro desse circo, já há quem afirme que a IA irá “consertar o clima”.

Note-se também a mudança de foco de diversos ativistas ambientais, incluindo Greta Thunberg. De repente, a necessidade de “consertar o clima” da Terra — um aspecto mais amplo, pois envolve o globo, a população mundial e todos os seres viventes — foi substituída pela pauta do Oriente Médio. Cabe uma ressalva importante: não se trata de afirmar quais vidas são mais ou menos importantes, porque toda vida é digna de ser salva e preservada. Deixando isso claro, o que se nota é a radical mudança de foco, porque esses ativistas defendem as narrativas, não as pessoas — e sempre seguidas de gordos financiamentos. Afinal, quase todos trabalham em ONGs ou possuem suas próprias fundações. Daí a estranheza na mudança de escala entre “salvar o planeta” e “salvar o lugar X”. Fica cada vez mais evidente que nunca foi pelas pessoas, mas pelo que as causas podem gerar, tanto em dividendos financeiros quanto políticos.

De qualquer forma, observa-se cada vez mais o quanto os problemas atuais do mundo estão sublimando a questão climática — o que não significa que ela tenha desaparecido. As consequências das decisões políticas, e não das climáticas reais, continuam de pé, gerando mazelas em vários países e sendo ainda um câncer difícil de ser extirpado de nações que nunca saem da fase de desenvolvimento. A tradicional reunião anual da ONU, ocorrida em setembro de 2025, mostrou que essa agenda persistirá, mesmo com todas as outras prioridades geopolíticas em curso — e com o esclarecedor discurso do presidente dos EUA, Donald J. Trump, seguido, como comentado, por outros líderes globais que sentiram o peso da destruição que a “causa climática” proporciona. Aguardemos as patifarias que ainda virão da COP-30.

Leia também: “Conselhos aos humanos”, artigo publicado na Edição 290 da Revista Oeste

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