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Anatel classifica 'volta' do Twitter/X como 'tentativa deliberada de não acatar decisão do STF'

Em nota, agência afirmou que tomará 'providências cabíveis' em caso de 'novas tentativas de burla ao bloqueio'

Nova fachada do X, apresentada em julho de 2023, por ocasião da compra do Twitter por parte de Elon Musk | Foto: Reprodução/Twitter
Nova fachada do X, apresentada em julho de 2023, por ocasião da compra do Twitter por parte de Elon Musk | Foto: Reprodução/Twitter

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou nesta quinta-feira, 19, que o “retorno” da rede social Twitter/X, na quarta-feira 18, desrespeita uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Anatel, essa ação é vista como uma tentativa deliberada de não cumprir a ordem judicial estabelecida pelo STF.

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A agência declarou que tomará “todas as medidas necessárias para assegurar o cumprimento da decisão”, indicando que futuras tentativas de evitar o bloqueio serão confrontadas com “ações cabíveis”.

“A conduta da rede X demonstra intenção deliberada de descumprir a ordem do STF”, disse o órgão. “Eventuais novas tentativas de burla ao bloqueio merecerão da Agência as providências cabíveis.”

Ainda segundo a agência, a identificação dessa violação foi possível graças à colaboração das operadoras de telecomunicações e da empresa Cloudflare.

O posicionamento da Anatel vai ao encontro do que esclareceu a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), que representa as empresas do setor. Segundo a Abrint, o site pode ter voltado ao ar por meio do chamado “IP dinâmico”, uma técnica que dificulta a identificação do provedor da conexão.

A Abrint não qualificou a medida como “deliberada”, ainda que os detalhes técnicos fornecidos pela associação tenham afastado a probabilidade de o retorno do site ter sido acidental.

É possível bloquear Twitter/X de novo no Brasil sem causar ‘apagão cibernético’?

X/Twitter voltou a funcionar no Brasil nesta quarta-feira, 18 | Foto: Charles de Luvio/Unsplash
Twitter/X voltou a funcionar no Brasil nesta quarta-feira, 18 | Foto: Charles de Luvio/Unsplash

O aplicativo Twitter/X voltou a funcionar para alguns usuários brasileiros nesta quarta-feira, 18, depois de quase 20 dias de bloqueio imposto pelo ministro Alexandre de Moraes.

A empresa conseguiu contornar a restrição ao utilizar endereços de IP dinâmicos fornecidos pela Cloudflare.

Além da violação, a Corte ficou diante de um cenário complexo: bloquear a Cloudflare poderia provocar um apagão cibernético de escala imprevisível, segundo especialista consultado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Fundada em 2009, a Cloudflare oferece serviços para diversos sites e aplicativos, como Discord, Udemy e Canva. Atualmente, a empresa vale US$ 26,6 bilhões na Bolsa de Nova York.

O professor do Instituto de Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Jéferson Campos Nobre explicou ao Estadão que muitos serviços on-line utilizam a Cloudflare, que oferece um produto chamado de “proxy reverso”.

Para fazer isso, o proxy reverso atua como um intermediário entre o usuário e o provedor do serviço.

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Porém, ao realizar essa comunicação, o “proxy reverso” esconde o IP de quem contrata o serviço, que acaba adotando números fornecidos pela Cloudflare. O bloqueio do Twitter/X no Brasil foi feito a partir do número de IP verdadeiro da empresa de Elon Musk.

“O endereço da internet que nós utilizamos para acessar um site pode se modificar com tecnologias como a da Cloudflare”, explicou Nobre ao Estadão. “Essa é uma das formas que podem ser utilizadas para evitar o bloqueio, porque, se ele for feito apenas em um endereço, ao se mudar esse endereço, o bloqueio deixa de ser eficiente.”

A Cloudflare é utilizada por diversos serviços legítimos, como bancos e grandes plataformas de internet. Bloquear a Cloudflare para impedir o acesso ao Twitter/X poderia causar um impacto significativo na internet do país e afetar o funcionamento de muitos sites e aplicativos. “Seria uma ação bastante temerária,” acrescentou Nobre.

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