publicidade
Saúde

Venda ilegal de tadalafila vira rotina em praias e festas do Rio

Substância usada para disfunção erétil é consumida como estimulante por jovens, fisiculturistas e frequentadores de blocos e academias

Tadalafila
Nas academias, fisiculturistas passaram a usar a substância como suposto pré-treino | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A tadalafila, remédio prescrito para disfunção erétil, virou um produto de venda comum em praias cariocas, especialmente nas zonas de agito, como Ipanema, Leme e Maracanã. O jornal O Globo divulgou as informações neste domingo, 27.

Ambulantes oferecem os comprimidos, e o uso deixou de se limitar a homens com mais de 50 anos. Jovens, adolescentes e adeptos da hipertrofia se tornaram consumidores frequentes do medicamento — muitos sem receita médica.

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Saúde em Oeste

Na Rua Arnaldo Quintela, em Botafogo, o produto é anunciado com naturalidade. Em frente ao mar, homens tomam a droga antes mesmo de pisar na areia. Já em festas e blocos de Carnaval, a pílula é vendida até por crianças. Em encontros casuais ou depois do uso de álcool e drogas, a substância serve como garantia de desempenho sexual.

A tadalafila pertence à mesma classe da sildenafila, o Viagra, e age como vasodilatador. Apesar de parecer inofensiva entre os que buscam apenas ‘segurança’ sexual, o remédio pode desencadear efeitos colaterais severos.

Especialistas argumentam que, sem orientação médica, o uso pode causar priapismo, perda de visão e audição, arritmias cardíacas e até infarto.

“Pacientes com angina ou insuficiência cardíaca não podem tomar esse tipo de medicamento de jeito nenhum”, disse o médico Danilo Souza Lima da Costa Cruz, do Hospital Universitário Pedro Ernesto. “Caso contrário, podem sofrer consequências coronárias e ter até um ataque cardíaco. Também é contraindicado para pessoas que fazem tratamento à base de nitrato, para quem têm hipersensibilidade à substância.”

Explosão nas vendas de tadalafila revela mudança de público

Em 2015, o Brasil registrou a venda de cerca de 3 milhões de unidades de tadalafila. Dez anos depois, o número ultrapassou 64 milhões, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em parte, esse salto se explica pelo crescimento do uso recreativo, cada vez mais desvinculado da prescrição médica. Nas academias, fisiculturistas passaram a usar a substância como suposto pré-treino, acreditando que o efeito vasodilatador melhoraria a performance.

Grupos de praticantes da hipertrofia compartilham receitas manipuladas em estado líquido e relatos de consumo antes da musculação. A crença se espalhou sem base científica e contraria alertas da comunidade médica.

Carnaval, música e redes sociais também ajudaram a popularizar a tadalafila. Canções de funk e piseiro já fazem menção ao medicamento, e fantasias inspiradas no remédio chamaram atenção em blocos de rua.

Influenciadores divulgam até balas de goma com a substância, o que levou a Anvisa a proibir, em maio deste ano, qualquer tentativa de comercialização de produtos alimentícios com tadalafila.

O uso sem controle pode gerar efeitos físicos e dependência psicológica. Homens jovens relatam sentir que, sem o remédio, não conseguem relaxar ou se entregar sexualmente. A pílula se tornou símbolo de autoconfiança — mas também de insegurança crescente.

Prefeitura promete fiscalização, mas comércio persiste

A Prefeitura do Rio afirma realizar operações diárias para apreensão de medicamentos vendidos de forma irregular. Ambulantes flagrados estão sujeitos a penalidades aplicadas pela Guarda Municipal, pelo Seop e por órgãos sanitários.

+ Leia também: “STF tem maioria para derrubar lei que proíbe Marcha da Maconha em Sorocaba”

Mesmo assim, a tadalafila permanece circulando em trens, passarelas, blocos e festas universitárias, sem controle efetivo.

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.