A disputa de uma Copa do Mundo é o ápice para qualquer jogador de futebol. Muitos esperam por anos para atingir este objetivo. Mas o que deveria ser o momento em que a preparação acompanha esse ápice, a quantidade de contusões daqueles que estão prestes a disputar o Mundial tem sido alta. Éder Militão (cirurgia), Estêvão (lesão muscular de grau 4 na coxa) e Rodrygo (joelho) tiveram contusões sérias. Dois deles, Militão e Rodrygo, já estão descartados para o maior evento do futebol mundial.
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Em outras seleções, o problema se repete. Além de Mbappé (França), Lamine Yamal (Espanha), Hakimi (Marrocos), Luka Modric (Croácia), Memphis Depay (Holanda), Xavi Simons (Holanda), Piquerez (Uruguai), Arrascaeta (Uruguai) e Gnabry (Alemanha) se contundiram. Nestes momentos, a ansiedade e a tensão dos atletas têm contribuído para a ocorrência de fraturas, rupturas de ligamentos e outros problemas em músculos e articulações, conforme afirma o dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho e traumatologia esportiva do Hospital Albert Einstein.
“Muitas das lesões dos jogadores guardam relação com tensão ou sobrecarga de treinos, quer seja em volume ou em quantidade, isto é, número de jogos”, afirma Cortelazo, que é, entre outros, membro da Sociedade Internacional de Artroscopia, Cirurgia do Joelho e Medicina do Esporte (Isakos). “Muitos dos jogadores, na ansiedade de se prepararem ou estarem bem para a Copa, acabam treinando em excesso ou sem tempo de recuperação adequado, o que acarreta um efeito paradoxal de aumento do número de lesões. Isto é, eles ficam mais suscetíveis.”
Ele cita como exemplos os casos de Estêvão, Militão e Yamal. Segundo o médico, há a possibilidade de que a chamada tensão pré-Copa tenha influenciado. “Esta situação pode se encaixar nestas situações, porque todos os três sofreram lesões musculares que têm mais frequentemente relação com fadiga muscular ou excesso de treinos.”
Lesões antes da Copa do Mundo
Cortelazo explica que as lesões mais comuns são as musculares (rotura ou distensão), lesões ligamentares, lesões meniscais e as fraturas por estresse. Ele destaca que existem alguns fatores que tornam os músculos e a articulação mais vulneráveis. Segundo o médico, o principal deles é a falta de fortalecimento.
“O músculo enfraquecido é mais suscetível a lesões”, observa o especialista. “Quando um músculo está enfraquecido, ele estabiliza menos a articulação e a mesma pode sofrer lesões. Outros fatores importantes são: a fadiga muscular, que aumenta a chance de lesão tanto muscular como da articulação, seguindo o mesmo raciocínio anterior, e a falta de alongamento, que é um fator que favorece as lesões musculares conhecidas como estiramentos.”
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A exigência dos clubes europeus, muitas vezes, não leva em conta o projeto do atleta de disputar a Copa do Mundo. Em muitos casos, a preparação visa apenas aos resultados imediatos nos campeonatos locais. Os atletas, assim, realizam uma carga exaustiva de treinos, como se “não houvesse amanhã”, no caso, a Copa do Mundo. O emocional do jogador, então, também fica abalado.
“A intensidade de jogo aumentou e também a força dos jogadores”, ressalta. “A ciência pode contribuir de inúmeras formas: melhores métodos de avaliar força muscular e composição corporal, por exemplo, e, através disso, orientarmos tanto a alimentação adequada como estratégias de preparo físico. Hoje já estão em desenvolvimento modelos baseados em IA que podem identificar fatores preditivos de lesão. Questões emocionais podem ser trabalhadas tanto do ponto de vista de suporte psicológico como até com o uso eventual de medicações e estratégias inteligentes de treino.”






































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