A abertura de leitos de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) caiu 31% no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em comparação à gestão de Jair Bolsonaro no mesmo período. As informações foram obtidas em levantamento do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela (ITV), instituição de estudos e formação política do PSDB.
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O estudo revela que, de janeiro de 2023 a dezembro de 2025, foram criados 7 mil novos leitos, contra 10 mil nos três primeiros anos do governo anterior.
Em 2005, o número de leitos, segundo o Datasus, sistema de informações do Ministério da Saúde, atingiu seu ápice, ao chegar a 355 mil. Em dezembro de 2025, o país contava com 316 mil leitos de internação disponíveis no SUS, 10,7% a menos do que o de duas décadas antes. Nestes últimos 20 anos, a rede pública perdeu 38 mil leitos, sendo a maior parte durante gestões do PT, constata o levantamento. Desde 2005, a população brasileira cresceu 15%.
André Lacerda, especialista em políticas públicas do ITV, garante a Oeste que o resultado da pesquisa contradiz a posição do governo federal. “O discurso oficial é de que este é um governo de reconstrução, sobretudo na saúde”, afirma. “Só que os dados não comprovam isso.”
Ao Poder360, o Ministério da Saúde declarou que, ao contrário do que diz a pesquisa ITV, o número total de leitos no SUS é “o maior desde 2014″. De acordo com a pasta, houve, sim, uma reversão do que vinha sendo um cenário de queda constante nos últimos 15 anos.
Até a pandemia, a pesquisa ITV/PSDB relata que o declínio do número de leitos na rede pública foi intenso. A pior marca ocorreu em 2019, quando a oferta de leitos caiu para 295 mil. A recuperação, em ritmo lento, começou a partir de 2020, com a abertura de 21 mil novos leitos, dois terços ainda sob a gestão Bolsonaro, desde então. Leitos específicos para covid-19 não foram incluídos nesta análise, com o objetivo de não distorcer a comparação histórica.
“A gestão do PT continua dando pouca atenção à necessária ampliação de leitos de internação hospitalar no SUS, em paralelo com o brutal desfinanciamento resultante da diminuição da participação do governo federal no bolo do SUS nas últimas duas décadas”, ressalta Lacerda.
SUS teve retração do número de leitos em alguns setores
O ritmo caiu ainda mais a partir do terceiro mandato de Lula, iniciado em janeiro de 2023, relata o estudo. Em algumas especialidades, houve até retração. Exemplo disso são os hospitais psiquiátricos do SUS, nos quais o número de leitos caiu 11%, de 17 mil no fim de 2022 para os atuais 15 mil, uma diminuição de quase 2 mil.
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Outros que registraram queda são os leitos obstétricos, cuja diminuição foi de 679 (-1,8%). Também os pediátricos diminuíram em 0,8% o número de leitos, que passou a ser de 308, segundo dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde informados ao Datasus. Lacerda ressalta que essa redução acaba tendo um efeito cascata, já que a falha do governo federal chega até os municípios. “A conta cai nas costas dos municípios, e, na ponta, os pacientes sofrem.”
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