Você paga pelo menos quatro vezes pela sua saúde. A primeira delas é quando paga o Sistema Único de Saúde (SUS); a segunda, quando (provavelmente) quita o plano de saúde; a terceira, ao se acertar com aquele profissional que não está coberto nem pelo primeiro, nem pelo segundo; e a quarta, você gasta com o seu descontentamento.
Diz o artigo 196 da Constituição Federal: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Na prática, o agente responsável é o SUS. O seu financiamento é tripartite: municípios e Estados devem investir, respectivamente, 15% e 12% da arrecadação de impostos, enquanto a União deve destinar 15% da sua receita corrente líquida.
Receba nossas atualizações
Por que a saúde custa caro
Você paga (e paga caro) pelo SUS. Mas será que você o utiliza? Em se tratando de assistência à saúde, pode ser que sua resposta seja negativa. Entretanto, o sistema de saúde é mais amplo do que apenas o atendimento ao paciente. Ele está no seu cotidiano, mesmo que você não perceba. As políticas por ele abrangidas atuam não somente na assistência em saúde, mas em todo o processo saúde-doença. O SUS é responsável pela vigilância sanitária, epidemiológica e de saúde do trabalhador, pelo controle de produtos e substâncias para a saúde, pelo saneamento básico, pelo desenvolvimento científico e tecnológico, pela fiscalização de alimentos, bebidas, substâncias tóxicas, psicoativas e radioativas e pela proteção ao meio ambiente.
+ Leia notícias de Saúde em Oeste
Goste ou não, o SUS faz parte da sua vida e não é exclusividade de uma ou outra camada da população. Em se tratando de assistência à saúde, ele pode deixar a desejar, e você tem não só o direito, como também o dever de cobrar por isso. Nós pagamos caro, e, mesmo assim, a realidade segue sendo a de um subfinanciamento crônico, que resulta na superlotação de leitos, filas de espera, desigualdades regionais e adoecimento de profissionais. Diante disso, pagamos ainda mais para garantir nossa saúde por outros meios (o que, inclusive, o Estado prometeu assegurar).
Nosso país é o epicentro da inovação em saúde da América Latina, mas o acesso a essas novas tecnologias nunca pareceu tão distante. Empresas privadas parecem ter as soluções para aliviar o setor da saúde, mas enfrentam resistência da classe e entraves burocráticos. Parcerias estratégicas não são sinônimo da privatização do sistema, mas, sim, retorno sobre nosso próprio investimento, e devem ser realizadas.






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.