Um estudo de longo prazo realizado na Finlândia contesta a eficácia da cirurgia de redesignação sexual como resposta a problemas de saúde mental em jovens. Divulgada no início de abril na revista Acta Paediatrica, a pesquisa revela que pacientes apresentam aumento significativo de transtornos psicológicos depois do procedimento.
O debate sobre o tema ganhou força nos últimos anos com a expansão da chamada “terapia de afirmação de gênero”, que orienta profissionais de saúde a validar a identificação de crianças e adolescentes com um sexo diferente do biológico. Ativistas e especialistas simpáticos à militância LGBT defendem essa abordagem como forma de reduzir riscos associados à disforia sexual.
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No entanto, dados do estudo finlandês mostram que, entre jovens do sexo masculino em transição, a incidência de problemas de saúde mental passou de 9,8% antes do tratamento para 60,7% depois. Entre jovens do sexo feminino, os índices subiram de 21,6% para 54,4%.
A pesquisa também revela que adolescentes com disforia sexual já apresentam maior incidência de problemas psiquiátricos antes de qualquer intervenção. No início do acompanhamento, 45,7% desses jovens tinham diagnóstico de transtornos mentais, ante 15% no grupo de controle.
“A morbidade psiquiátrica grave é comum entre adolescentes encaminhados para tratamento de redesignação sexual”, diz trecho do estudo conduzido por Sami-Matti Ruuska, pesquisador na University of Eastern Finland. “As necessidades psiquiátricas não diminuem depois da redesignação sexual por razões médicas.”
Pesquisa defende abordagem específica para transtornos mentais
A pesquisa informa que jovens com disforia sexual frequentemente apresentam quadros como depressão, ansiedade, transtornos alimentares, TDAH e autismo.
Como resultado, os autores defendem que indivíduos com transtornos mentais devem receber tratamento específico, independentemente da orientação sexual, mas sustentam que esse quadro não explica, por si só, a origem dos problemas psiquiátricos.
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O estudo ainda confronta a tese de que o sofrimento psicológico de pessoas transicionadas decorre principalmente de discriminação social. Os pesquisadores afirmam que a maior aceitação de “minorias sexuais e de gênero” não se refletiu na redução dos transtornos entre jovens.
Por fim, a equipe conduzida por Sami-Matti Ruuska levantou a hipótese de que parte dos problemas psicológicos registrados depois da transição pode estar relacionada a conflitos com a nova identidade sexual. Em muitos casos, afirmam, isso pode incluir arrependimento em relação à mudança realizada.






































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