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Saúde

Partículas de prata produzidas por fungo podem combater a covid-19

Teste foi liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo

O site também afirma que o vírus possui características biológicas não naturais e que, se houvesse evidências de uma origem natural, elas já teriam sido apresentadas | Foto: Reprodução/Freepik
O vírus possui características biológicas não naturais e , se houvesse evidências de uma origem natural, elas já teriam sido apresentadas | Foto: Reprodução/Freepik

Pesquisadores brasileiros desenvolveram, com sucesso, uma técnica para produzir nanopartículas de prata por meio de um fungo e verificaram que elas foram capazes de barrar a infecção pelo coronavírus, reduzir a quantidade de vírus nos pulmões e diminuir os danos provocados pela inflamação causada pela covid-19.

O estudo, publicado na edição mais recente da revista Current Research in Biotechnology, envolveu testes em células humanas e de animais. Os resultados anunciam uma nova possibilidade de tratamento com potencial antiviral e anti-inflamatório, com base em uma tecnologia considerada ecologicamente sustentável.

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A pesquisa utilizou o fungo Trichoderma reesei, microrganismo conhecido por sua aplicação na indústria, especialmente na produção de enzimas. Nesse experimento, o fungo foi cultivado em laboratório em condições controladas até que produzisse substâncias capazes de reagir com uma solução de nitrato de prata.

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Essa reação deu origem às chamadas nanopartículas de prata — partículas tão pequenas que não são visíveis nem com microscópios comuns. O processo durou cerca de dez dias, e a mudança de cor da solução foi o primeiro sinal de que as partículas haviam se formado.

As nanopartículas resultantes tinham tamanhos variados, entre sete e 50 nanômetros (um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro). Foram analisadas com equipamentos de alta precisão, como microscópios eletrônicos e espectrofotômetros, e apresentaram formato esférico e estabilidade química, o que é essencial para sua ação no organismo.

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O coronavírus invade o organismo humano através de uma estrutura presente nas células, chamada receptor ACE-2. Ele faz isso por meio de uma de suas proteínas, a chamada “proteína spike”. Com esse ponto de ligação, o vírus consegue entrar na célula e se multiplicar.

No estudo, os pesquisadores testaram a capacidade das nanopartículas de prata de se ligarem a essa mesma proteína do vírus, com o objetivo de impedir que ela se conectasse ao corpo humano. Os resultados foram positivos. As nanopartículas mostraram afinidade até maior do que o próprio ACE-2, o que sugere que podem “enganar” o vírus e impedi-lo de começar a infecção.

“O vírus se liga ao receptor humano com uma energia de −301,9 kcal/mol, enquanto se liga às nanopartículas com −343,1 kcal/mol”, explicam os autores. Isso significa que o vírus se sente mais “atraído” pelas partículas do que pelas células humanas.

Para comprovar o efeito prático dessas interações, os cientistas testaram as nanopartículas em dois tipos de células: as Vero E-6 (de rim de macaco) e as Calu-3 (de pulmão humano). O objetivo era verificar se as partículas conseguiriam impedir a entrada do vírus nessas células e reduzir a carga viral.

Redução da inflamação ajuda a conter os efeitos mais graves da Covid

Os experimentos foram feitos com três estratégias: aplicação das partículas antes da infecção, ao mesmo tempo que o vírus, e depois da infecção. Em todos os casos, as nanopartículas foram eficazes em proteger as células e reduzir a quantidade de vírus detectado.

Nos testes com pseudovírus (um tipo de vírus de laboratório que simula o comportamento do coronavírus), houve queda significativa do número de células infectadas. Além disso, foi feito um teste para medir a toxicidade das partículas. Elas se mostraram seguras em concentrações de até oito microgramas por mililitro, sem afetar a saúde das células.

covid-19 Bahia
A pandemia da covid-19 foi o principal marco histórico de nossa geração | Foto: Reprodução/Pexels

A Covid-19 é conhecida por causar inflamações intensas nos casos graves, especialmente nos pulmões. Essas inflamações são provocadas por substâncias liberadas pelo próprio corpo em resposta ao vírus, como proteínas inflamatórias e enzimas que podem danificar tecidos saudáveis.

Para verificar se as nanopartículas de prata poderiam amenizar esse processo, os pesquisadores testaram o tratamento em células do sistema imunológico humano. Os resultados mostraram que o uso das partículas reduziu a liberação dessas substâncias inflamatórias — inclusive quando aplicadas antes, durante ou depois da infecção.

“Quando aplicadas antes da infecção, as partículas impediram a liberação de IL-1β”, diz o estudo, em referência a uma das proteínas mais associadas às formas graves da Covid-19. Também houve redução na atividade de uma enzima chamada caspase-1 e na liberação de LDH, sinal de menor dano celular.

Os pesquisadores também aplicaram o tratamento em animais. Hamsters foram infectados com o coronavírus e tratados com uma única dose das nanopartículas por via nasal. Três dias depois, os animais que receberam o tratamento apresentaram menos vírus nos pulmões e menos sinais de inflamação e lesão no tecido pulmonar.

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Exames de laboratório mostraram menor presença da proteína do vírus nos pulmões dos animais tratados. Além disso, a estrutura do tecido pulmonar estava mais preservada, com menos acúmulo de células inflamatórias. Esses resultados sugerem que o tratamento foi capaz de conter a infecção e também de evitar que a inflamação causasse danos graves aos pulmões.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas alertam que ainda é cedo para considerar o uso clínico das nanopartículas em humanos. Antes disso, será preciso aprofundar os estudos para entender melhor o modo de ação, possíveis efeitos colaterais e formas seguras de aplicação.

Os dados obtidos até o momento, no entanto, reforçam o potencial das nanopartículas de prata como ferramenta terapêutica. “Nossos achados oferecem insights promissores para o desenvolvimento de novas estratégias contra a Covid-19 e para a redução da sua mortalidade”, conclui o artigo.

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