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Saúde

O veneno desse escorpião é capaz de matar células de câncer de mama

Pesquisadores brasileiros avançam no desenvolvimento de novas terapias com foco em células tumorais

Escorpião
Cientistas agora apostam na expressão heteróloga para obter em maior escala moléculas com potencial terapêutico | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

O veneno do escorpião Brotheas amazonicus, espécie comum na região amazônica, pode abrir caminho para um novo tratamento contra o câncer de mama, uma das principais causas de morte entre mulheres no mundo. A Agência Fapesp divulgou as informações.

Um grupo da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da USP identificou uma molécula no veneno com efeito semelhante ao do quimioterápico paclitaxel, amplamente utilizado no combate à doença.

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Os primeiros testes sugerem que a molécula, batizada de BamazScplp1, induz a morte de células tumorais por necrose. Os dados foram apresentados durante a Fapesp Week França, realizada de 10 a 12 de junho, na cidade francesa de Toulouse.

Nesse sentido, o trabalho integra um projeto maior desenvolvido no Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Unesp, em Botucatu. A equipe estuda a clonagem e a produção de proteínas bioativas extraídas de venenos.

Além disso, o centro já registrou patentes, como o selante de fibrina, que combina proteínas do veneno de serpentes a crioprecipitado de sangue animal e está em fase final de testes clínicos.

Os cientistas agora apostam na expressão heteróloga — técnica que produz proteínas em organismos como leveduras — para obter em maior escala moléculas com potencial terapêutico.

Como resultado, o objetivo é melhorar o selante já existente e desenvolver novos biofármacos, incluindo o peptídeo do escorpião.

Avanços no estudo do câncer combinam ciência e inteligência artificial

Além do estudo com o veneno, outra frente de pesquisa no Brasil explora terapias inovadoras para diferentes tipos de câncer. Em Campinas, o Centro de Inovação Teranóstica em Câncer, vinculado à Unicamp e apoiado pela Fapesp, trabalha em métodos que unem diagnóstico e tratamento.

O grupo estuda o uso de radioisótopos acoplados a moléculas que se concentram em tumores. Essas moléculas permitem o diagnóstico por imagem e, em seguida, viabilizam o ataque às células doentes.

Já em São Paulo, no Instituto de Ciências Biomédicas da USP, os pesquisadores investem no desenvolvimento de uma vacina antitumoral.

A equipe cria células dendríticas a partir da fusão de células saudáveis com tumorais, estimulando o sistema imune a reagir contra o câncer. Os primeiros resultados, com pacientes de melanoma, rim e glioblastoma, trouxeram otimismo para a realização de um estudo clínico de fase 3.

+ Leia também: “Pesquisadores identificam ação anticâncer de planta usada há mais de mil anos”

Na Europa, o Instituto Universitário do Câncer de Toulouse aposta em inteligência artificial para prever a evolução de tumores cerebrais.

Um modelo desenvolvido em parceria com o setor aeroespacial analisa imagens de ressonância magnética e prevê com até 90% de precisão a sobrevida de pacientes com glioblastoma. A tecnologia pode reduzir a necessidade de biópsias invasivas.

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