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Saúde

Judicialização do uso da polilaminina dificulta avanço das pesquisas

Conforme a pesquisadora Tatiana Sampaio, utilização do medicamento experimental sem aval regulatório cria obstáculos à análise científica

Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da polilaminina | Foto: Artur Moês/UFRJ
Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora responsável pelo desenvolvimento da polilaminina | Foto: Artur Moês/UFRJ

A liberação do uso compassivo da polilaminina por meio de decisões judiciais tem prejudicado o avanço das pesquisas, conforme afirmou a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pelo desenvolvimento da molécula, Tatiana Sampaio.

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O composto, que busca restaurar conexões nervosas em pacientes com lesões graves na medula, ainda não tem registro nem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso amplo.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira, 23, Tatiana destacou que a judicialização antecipa a utilização do medicamento experimental sem o aval regulatório. Assim, cria obstáculos para o acompanhamento científico.

Segundo ela, a Anvisa tem emitido pareceres rapidamente, ainda que o prazo oficial seja de 45 dias. Contudo, o crescimento do número de pedidos judiciais dificulta o controle dos casos tratados.

Uso compassivo da polilaminina e desafios no acompanhamento

Frasco de polilaminina, fabricada pelo laboratório Cristália | Foto: Divulgação/Cristália
Frasco de polilaminina, fabricada pelo laboratório Cristália | Foto: Divulgação/Cristália

A cientista explicou que o uso compassivo, permitido em situações específicas quando um médico solicita o acesso a medicamentos experimentais, não acelera o processo regulatório, mas amplia a quantidade de solicitações.

“Não é nada confortável você participar de toda essa organização”, afirmou Tatiana Sampaio no Roda Viva. “Porque o que está acontecendo não é exatamente uma aceleração da resposta mesmo antes de a Anvisa responder, mas um aumento de pedidos de uso compassivo, que é quando um médico pode demandar pedidos para usar uma medicação de uso experimental em um caso específico.”

Leia também: “De volta ao próprio corpo”, reportagem de Mateus Conte publicada na Edição 296 da Revista Oeste

Ela ressaltou que as aplicações da polilaminina são invasivas e exigem profissionais treinados. Mencionou, ainda, que pacientes que recebem o tratamento por via judicial não têm obrigação de informar à equipe de pesquisa sobre possíveis efeitos adversos ou eventuais melhoras. Isso, segundo ela, cria um acompanhamento precário e dificulta a obtenção de dados essenciais.

“Imagina se houver um efeito adverso e a pessoa não relatar…”, ponderou a pesquisadora. “Se houver uma melhora inesperada ou alguma coisa que a gente nunca imaginou… Também nunca vamos saber. Ficam fora da pesquisa.”

Ela relatou que, dos 55 pedidos judiciais ocorridos até o momento, 30 receberam aval para uso da substância. Apesar disso, conforme Tatiana, o acompanhamento dos pacientes é limitado e chega a depender de informações da imprensa.

4 comentários
  1. Luciano Espinheira Fonseca Junior
    Luciano Espinheira Fonseca Junior

    Muito perigoso todo esse imbróglio. Com a saúde não se brinca.

  2. Luiz Americo Lisboa Junior
    Luiz Americo Lisboa Junior

    Doutora vá embora do Brasil e desenvolva suas pesquisas no exterior, não perca seu tempo aqui. A senhora tem competência suficiente para realizar suas pesquisas nos maiores centros do mundo.

  3. Vicente Pinheiro
    Vicente Pinheiro

    Uma agencia do governo desempenhando seu papel atrapalhador. Se sair uma boa propina, as coisas anda rapidinho.

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