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Saúde

Estudo sugere ligação entre tatuagem e risco de câncer; cientistas pedem cautela

Pesquisa observacional acompanhou 3 mil irmãos gêmeos e percebeu maior incidência de linfomas e cânceres de pele em tatuados; entenda

Profissional realiza procedimento de tatuagem em cliente
Profissional realiza procedimento de tatuagem em cliente | Foto: Felix/Pixabay

Estudos publicados no início do mês passado, das universidades do Sul da Dinamarca e de Helsinque, na Finlândia, sugeriram uma possível ligação entre tatuagem e o risco de câncer.

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A pesquisa, que analisou cerca de 3 mil irmãos gêmeos dinamarqueses, indicou uma maior incidência de linfomas e cânceres de pele em pessoas com tatuagem, especialmente as grandes. Para linfoma, o risco constatado foi três vezes maior em quem possui pinturas na pele, conforme publicação na revista científica BMC Public Health.

Contudo, os autores alertaram para o fato de que o estudo é observacional. Dessa forma, não estabelece uma relação causal direta. O médico hematologista do A.C. Camargo Câncer Center, em São Paulo, Arthur Braga ressaltou, ao jornal O Globo, que, “para qualquer recomendação ao público geral, precisamos esperar por estudos mais aprofundados”.

Tatuagem X câncer: complexidade de resultados

Imagem genérica mostrando frascos para colher material de exames de sangue
Exame de sangue pode identificar alguns tipos de câncer | Foto: Reprodução/Freepik

Carlos Chiattone, coordenador do Comitê de Linfomas da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), enfatiza que fatores não considerados podem influenciar os resultados. Ele explica que “essas conclusões epidemiológicas são complexas” e que é necessário identificar possíveis fatores confundidores.

O estudo sugere que a tinta das tatuagens pode ser absorvida pelos linfonodos. Assim, causaria uma inflamação crônica e potencial crescimento celular anormal. Porém, essa hipótese precisa de validação adicional.

Paralelamente, uma pesquisa da Universidade Lund, na Suécia, também detectou um risco 21% maior de linfomas em pessoas tatuadas, mas sem correlação clara com o tamanho nem o tempo de uso das tatuagens.

Christel Nielsen, responsável pelo estudo sueco, afirmou que “descobrimos que o risco de desenvolver linfoma era 21% maior entre as pessoas tatuadas”. Mas os resultados levantam dúvidas, pois não encontraram relação entre a duração da tatuagem e o risco de câncer.

Leia mais: “O câncer vai perder”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na Edição 254 da Revista Oeste

Chefe da Dermatologia do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Doluval Lobão destacou, ao jornal, que, embora tatuagens possam dificultar a observação de lesões pré-malignas, “não temos evidência robusta” de que induzam a câncer. Ele afirmou que tatuagens podem complicar o monitoramento em pessoas com muitas pintas, as quais têm maior risco de melanoma.

Para minimizar riscos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda usar tintas registradas e agulhas descartáveis, além de desinfetar adequadamente os locais. Profissionais devem realizar os procedimentos em ambientes higienizados, de modo a prevenir infecções e reações adversas.

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