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Saúde

Aditivo plástico pode estar relacionado a casos de autismo e TDAH, dizem cientistas

Substância presente em diversos derivados plásticos pode contribuir para o aumento do transtorno

plástico autismo
Copos de plástico podem ter substância nociva. Imagem/Wikimedia Commons | Reprodução

Nas últimas décadas, o número de crianças diagnosticadas com transtorno do espectro do autismo (TEA) e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) aumentou de modo significativo, segundo os pesquisadores. Em um artigo científico publicado recentemente, os cientistas alertam sobre o aditivo plástico comum bisfenol A (BPA) como uma causa potencial para o aumento do transtorno.

A substância BPA é usada no processo de fabricação de diversos tipos de plásticos, e também pode ser encontrada em latas de alimentos e bebidas. Porém, pesquisas anteriores já associaram o produto químico a problemas de saúde que implicam nas perturbações hormonais — o que pode incluir câncer de mama e infertilidade.

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Novo estudo

Neste novo estudo, cientistas da Universidade Rowan e da Universidade Rutgers, ambas nos Estados Unidos, analisaram três grupos de crianças: 66 com autismo, 46 com TDAH e 37 crianças neurotípicas. O foco da pesquisa era a observação da glucuronidação, processo químico que consiste na eliminação de toxinas do sangue por meio da urina.

Os pesquisadores descobriram que crianças com TEA e TDAH não conseguiram eliminar o BPA e outro composto semelhante conhecido como Dietilhexil Ftalato (DEHP) com tanta eficiência quanto outras crianças, levando assim a uma exposição mais longa aos seus efeitos tóxicos.

Saúde das crianças pode estar comprometida

No artigo científico, os acadêmicos escreveram: “A desintoxicação destes dois plastificantes está comprometida em crianças em TEA e TDAH. Consequentemente, seus tecidos ficam mais expostos a ambos os plastificantes”.

Porém, foi somente no caso do BPA que a diferença foi matematicamente significativa. Isso porque a eficiência foi reduzida em cerca de 11% para crianças com ASD e 17% para crianças com TDAH.

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Saúde das crianças com autismo pode estar comprometida. Foto de Caleb Woods na Unsplash | Reprodução

Com a pesquisa, os cientistas acreditam que as mutações genéticas em certos indivíduos indicam que o BPA não pode ser eliminado de forma eficiente; o que significa dizer que a substância química permanece no organismo. A substância tem potencial para causar danos em termos de desenvolvimento e operação de neurônios.

Causas do autismo e TDAH

Há o consenso de que condições como TEA e TDAH sejam causadas por uma combinação de influências genéticas e ambientais — este novo estudo reúne ambas. Entretanto, isso é apenas parte da história, porque nem todas as crianças com perturbações de neurodesenvolvimento tiveram problemas para eliminar o BPA — há outros fatores.

Os cientistas continuam trabalhando a fim de identificar como exatamente o TEA e o TDAH instalam-se no organismo humano — seja no útero, ou mais tarde na vida. As informações, porém, não são suficientes para mostrar se a exposição à substância BPA causa algum dos distúrbios.

“Há um extenso conjunto de evidências epidemiológicas de uma relação entre distúrbios do neurodesenvolvimento e poluentes ambientais, como os plastificantes”.

A pesquisa completa foi publicada no periódico científico PLOS ONE.

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