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Ilustração: Júlia Xavier/Montagem Revista Oeste/Gerado por IA
Edição 331

A política do assistencialismo

Porta de entrada para mais de 40 programas sociais, o Cadastro Único já reúne 47% da população brasileira e escancara o crescimento da dependência em relação ao Estado 

Confira o resumo que a OESTE.IA, a IA da Revista Oeste, fez pra você

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem utilizado o assistencialismo como estratégia política desde 2025, ampliando medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o programa Pé-de-Meia para incentivar estudantes. Com 97,1 milhões de pessoas cadastradas no Cadastro Único, os programas sociais, incluindo o Bolsa Família, têm um impacto significativo nas contas públicas, totalizando mais de R$ 300 bilhões anuais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre usou o assistencialismo como principal arma política. Desde o início de 2025, ano pré-eleitoral, a gestão petista se dedicou à ampliação de medidas que, supostamente, beneficiam a população brasileira. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, por exemplo, foi uma das promessas de campanha que o governo insistiu em tirar do papel mesmo com os alertas de especialistas sobre os impactos negativos nas contas públicas. Depois de sancionada, a medida foi usada exaustivamente pelo governo federal como um exemplo claro das “políticas de inclusão social” promovidas pelo PT.

O governo também passou a destinar parte do orçamento da educação ao Pé-de-Meia, programa criado para “recompensar” alunos da rede pública de ensino por simplesmente cumprirem sua obrigação de estudar, e reformulou a Tarifa Social de Energia, repassando parte do custo da gratuidade das contas de luz para os demais pagadores de impostos. 

Em meio a essas iniciativas, Lula afirmou que pretende criar uma “nova classe média” por meio dos programas sociais, chegando a dizer que “90% dos brasileiros” são beneficiados pelas políticas do governo. Na prática, o petista já demonstrou em diversas ocasiões seu desprezo pela classe média, segmento econômico onde luta para recuperar votos. Em 2022, por exemplo, quando ainda era pré-candidato à Presidência, criticou a suposta “ostentação da classe média”. Depois de eleito, contudo, o gasto total do casal presidencial com reformas e compra de móveis chegou a quase R$ 30 milhões.

A isenção do Imposto de Renda, a criação do Pé-de-Meia e a ampliação da Tarifa Social de Energia são alguns exemplos de como o assistencialismo se manifesta na atual gestão. O Bolsa Família, principal vitrine dessa política e o benefício mais lembrado pelos brasileiros, é apenas um dos mais de 40 programas vinculados ao Cadastro Único (CadÚnico). O cadastro reúne informações sobre famílias de baixa renda e funciona como porta de entrada para esses benefícios, além de servir como instrumento para dimensionar esse contingente da população. O CadÚnico tem 97 milhões de pessoas cadastradas, o equivalente a quase 50% da população brasileira. São mais de 30 milhões de famílias inscritas. Em meados de 2024, a base reunia cerca de 28 milhões de famílias.

Os programas vinculados ao CadÚnico também exercem peso crescente sobre as contas públicas e as despesas obrigatórias da União. O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do governo federal para famílias de baixa renda, lidera a lista com orçamento de R$ 158 bilhões para 2026, seguido pelo Benefício de Prestação Continuada (BPC), que garante um salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade, com R$ 127 bilhões. Na sequência aparecem o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro para manter estudantes do ensino médio na escola, com R$ 12 bilhões, e a Tarifa Social de Energia (Luz do Povo), que concede descontos e isenção na conta de luz para famílias inscritas no CadÚnico, com R$ 10 bilhões. 

Somados, esses programas movimentam mais de R$ 300 bilhões em recursos públicos por ano. O montante não inclui outras dezenas de políticas federais que também utilizam o cadastro como porta de entrada para a concessão de benefícios.

Por dentro do CadÚnico

A evolução do Cadastro Único na última década acompanha as mudanças no país. Considerando como referência os dados de junho de cada ano, o número de inscritos passou de 80,3 milhões em 2016 para 97,1 milhões em 2026, um aumento de 21,1%. Durante o governo Michel Temer, a base encolheu e registrava 77,4 milhões de pessoas em 2018. No período pós-pandemia, já no fim do governo Jair Bolsonaro, o cadastro voltou a crescer e alcançou 87 milhões de inscritos em 2022. No terceiro mandato de Lula, depois um pente-fino, o total voltou a subir e atingiu 97,1 milhões de pessoas em 2026.

O Nordeste concentra o maior número de inscritos, com quase 36 milhões de pessoas, seguido pelo Sudeste, com pouco menos de 32 milhões. Proporcionalmente, porém, o Norte lidera: cerca de 67% da população está cadastrada, à frente do Nordeste (quase 66%). No outro extremo aparecem o Sul (pouco mais de 33%) e o Sudeste (37,5%).

Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em Maceió, Alagoas, onde ocorrem os atendimentos iniciais para a concessão de benefícios | Foto: Reprodução/Prefeitura de Maceió

As diferenças também aparecem entre os Estados. São Paulo lidera em número absoluto de cadastrados, com aproximadamente 14 milhões de pessoas, seguido por Bahia (9 milhões) e Minas Gerais (quase 9 milhões). Em termos proporcionais, porém, o Amapá registra a maior cobertura do país: cerca de 72% da população está inscrita no CadÚnico. Na outra ponta aparece Santa Catarina, com apenas 24%. São Paulo (32%) e Minas (43%) também registram uma proporção bem menor que a Bahia (cerca de 67%).

A dependência dos programas sociais também varia pelo país. O Maranhão lidera a proporção de beneficiários do Bolsa Família, com 55% da população atendida. Em 807 municípios brasileiros, pelo menos metade dos domicílios possui algum morador recebendo o benefício. Em outras quase 2.640 cidades, o número de famílias beneficiárias do Bolsa Família supera o total de empregos formais no setor privado.

A expansão do CadÚnico também ampliou o alcance — e o custo — das principais políticas sociais do governo federal. A Tarifa Social de Energia atende mais de 16 milhões de famílias, enquanto o Novo Desconto Social alcança outras cerca de 4 milhões de residências de baixa renda. Na educação, o Pé-de-Meia já contemplou quase 6 milhões de estudantes e pode pagar até R$ 9,2 mil por aluno ao longo do ensino médio.

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) também ganhou peso. Em dez anos, o número de beneficiários cresceu algo em torno de 72%, passando de quase 3,7 milhões para pouco mais de 6,3 milhões de pessoas. No mesmo período, o gasto mensal praticamente triplicou, de mais de R$ 3 bilhões para cerca de R$ 10 bilhões. 

A problemática do Bolsa Família

No governo Lula quase 400 mil famílias que moram na rua recebem Bolsa Família| Foto: Daniela Giorno/Revista Oeste

Entre os grupos específicos acompanhados pelo governo, a população em situação de rua foi a que registrou, de longe, a maior expansão nos últimos anos. Os dados do Cadastro Único mostram que o número de famílias nessa condição mais que triplicou, passando de 125 mil em junho de 2019 para 379 mil em junho de 2026. Foi o maior crescimento proporcional entre todas as categorias monitoradas pelo sistema.

O avanço também aparece entre os beneficiários do Bolsa Família. Em junho de 2019, 92 mil famílias em situação de rua recebiam o benefício. Em junho de 2026, esse número chegou a 283 mil. Isso significa que, além do aumento da população em situação de rua cadastrada pelo governo, houve também uma expansão semelhante no número de famílias desse grupo atendidas pelo principal programa de transferência de renda da União.

A série histórica mostra que esse movimento ganhou força nos últimos anos. Em dezembro de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, o Cadastro Único registrava cerca de 198 mil famílias em situação de rua. Em junho de 2026, já durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o número havia saltado para 379 mil. No Bolsa Família, o comportamento foi semelhante: as famílias em situação de rua beneficiárias passaram de 142 mil no fim de 2022 para 283 mil em junho deste ano. Em ambos os casos, a maior aceleração ocorreu entre 2023 e 2024.

O crescimento observado entre a população em situação de rua contrasta com o registrado em outros grupos específicos acompanhados pela assistência social. Entre as famílias de pessoas presas que são beneficiárias do Bolsa Família, por exemplo, o aumento foi de 37% entre junho de 2019 e junho de 2026. O contingente passou de 17 mil para 23 mil famílias.

Também houve crescimento entre as chamadas famílias acampadas beneficiárias do Bolsa Família. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), essa categoria reúne famílias organizadas em acampamentos, urbanos ou rurais, vinculadas a movimentos que “reivindicam” acesso à terra ou à moradia — o que inclui grupos invasores como o MST e o MTST. Entre junho de 2019 e junho de 2026, o grupo passou de 22 mil para 28 mil famílias.

Na direção oposta, as famílias assentadas da reforma agrária foram o único grupo específico a encerrar a série histórica em queda. Depois de atingir quase 100 mil beneficiários no fim de 2022, o contingente diminuiu gradualmente até chegar a 81 mil famílias em junho de 2026.

O Cadastro Único foi criado para identificar famílias de baixa renda e direcionar políticas públicas a quem delas necessita. Em uma economia saudável, a tendência seria que essa base diminuísse à medida que mais brasileiros conquistassem autonomia financeira. No Brasil, ocorre o inverso: mais pessoas cadastradas, mais beneficiários e despesas públicas cada vez maiores. Ao mesmo tempo, mais de 80% das famílias brasileiras seguem endividadas, milhões enfrentam dificuldades para conseguir emprego ou aumentar a renda, e o crescimento econômico continua insuficiente para reduzir a dependência da população em relação ao Estado.

O assistencialismo também cria um paradoxo: como o governo não produz, a conta dos benefícios é paga pelos mesmos brasileiros que enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento no fim do mês — inclusive pelas famílias de baixa renda, que pagam impostos em praticamente tudo que consomem. Às vésperas da eleição mais importante da década, o governo Lula amplia continuamente sua estrutura de assistencialismo, financiada pelos próprios contribuintes, sem atacar a raiz do problema: uma economia incapaz de gerar riqueza, empregos e renda suficientes para tornar esses benefícios cada vez menos necessários. 

Ilustração: Montagem Revista Oeste/Gerado por IA

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6 comentários
  1. Victório Siqueira
    Victório Siqueira

    Precisamos adotar uma lei que existe na Dinamarca: Quem recebe benefícios do governo não pode votar.

    1. Teresa Guzzo
      Teresa Guzzo

      Sim quem vive apenas de auxilio social e não trabalha, jamais poderia votar.Lula aumentou esses programas apenas para se reeleger. Aliás não ajudou em nada a formação de outra classe média, apenas está destruindo a que temos.O endividamento da população brasileira mostra a decadência econômica do país.
      ,

  2. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    É assustador o que o desgoverno populista está fazendo com o dinheiro dos pagadores de impostos. Quem vai acabar com este desgoverno é o seu desgoverno

  3. daise a.scopiato
    daise a.scopiato

    De acordo com a opini do sr. Pingaaguardente no Metropoles, elle sabe o que é vbom para o conforto devuma familia brasileira!! Elle manda e decide o que é bom!! A sua vontade e os seua desejos TEM QUE SER O QUE O COMUNISMO DETERMINA! Nem perdi tempo lendo o restante pq essa SABEDORIA ENFORCOU-ME E ESTOU MORTA!!!😵

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