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Ao afirmar que não teme os americanos e atacar Marco Rubio, o petista escala a tensão diplomática com declarações agressivas | Foto: Evelyn Hockstein/Reuters
Edição 325

O desafio a Trump

O presidente americano é pragmático, falou em "química" quando negociava temas de interesse de seu país, mas o brasileiro é incapaz de entregar qualquer promessa

Em um só dia, o presidente Lula disse que não tem medo dos Estados Unidos, afirmou que o Brasil não pode aceitar o tratamento dado pelo governo americano, declarou que Trump não é “o imperador do mundo”, acusou Trump de fomentar conflitos para prejudicar sua candidatura, chamou o secretário de Estado Marco Rubio de “latino-americano frustrado”, disse que, se os americanos querem problemas, o Brasil não vai chorar e declarou que ninguém deve ter medo dos Estados Unidos.

Tudo isso veio a reboque das recentes decisões americanas, como classificar o PCC e o CV como grupos terroristas e o relatório da Seção 301, que recomendou tarifas extras contra o Brasil, em razão dos abusos supremos acima de tudo. Lula parece desejar uma ação mais drástica do governo Trump para bancar a vítima e puxar com mais força a cartada da “soberania” em ano eleitoral. Mas o buraco pode ser mais profundo.

O destempero de Lula, que chegou a pregar o enforcamento do seu adversário Flávio Bolsonaro, um “traidor da Pátria”, demonstra que o presidente brasileiro percebeu que a paciência de Trump acabou. O presidente americano é um empresário pragmático, chegou a elogiar Lula, falar em “química” entre ambos, pois estava negociando com o Brasil temas do interesse americano. Mas Lula é incapaz de entregar qualquer promessa.

O destempero de Lula e os ataques a Flávio Bolsonaro expõem o receio do presidente com o fim da paciência diplomática de Trump | Fotos: Reprodução/Senado Federal

Seus recentes decretos irritaram as big techs, pois instauram a censura no país. Combater o crime organizado, em especial no aspecto financeiro, é algo impossível para o presidente que chama traficante de vítima de usuário e se recusa a classificar PCC e CV como facções terroristas. Afastar-se da China é missão impossível para um governo socialista, que já fez sua escolha ideológica. E Lula voltou a falar sobre as terras raras, usando linguajar nacionalista e estatizante contra o livre mercado pregado pelos americanos.

Em suma, Lula colocou o Brasil no eixo do mal, e Trump já se deu conta de que não será viável transformá-lo num líder pragmático. Lula é o escorpião da fábula, aquele que pica o sapo mesmo que isso signifique sua própria morte, pois sua essência é esta, soltar seu veneno. Lula fundou o Foro de SP com Fidel Castro para “resgatar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu”, ou seja, o comunismo. O governo petista defende até o regime nefasto dos aiatolás xiitas no Irã, além do de Cuba e Venezuela.

Não por acaso, Marco Rubio, ao mencionar um continente cada vez mais alinhado com os valores americanos, citou como exceções Cuba, Venezuela e Nicarágua, além da Colômbia e do próprio Brasil, frisando que ambos estão em ciclos eleitorais. Ou seja, dependendo do resultado das eleições, pode ser que o Brasil volte a ser considerado um país “amigável” pelos Estados Unidos, mas com Lula isso não é possível.

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, participa de um evento no Departamento de Estado dos EUA em Washington, D.C., EUA (16/7/2025) | Foto: Reuters/Umit Bektas/Foto de arquivo
Marco Rubio coloca o Brasil entre os países não alinhados aos EUA e descarta aproximação com o governo Lula | Foto: Reuters/Umit Bektas/Foto de arquivo

O assessor lulista Celso Amorim, autor de prefácio de livro enaltecendo o grupo terrorista Hamas, lamentou que isso nunca havia acontecido antes na história. Por que será que Rubio, filho de dissidentes cubanos, fez isso agora? Será que tem ligação com o fato de que o governo Lula se tornou cada vez mais abjeto e do lado de tudo que não presta nas disputas geopolíticas?

A indicação de um novo embaixador dos Estados Unidos sem consulta formal prévia ao governo brasileiro causou incômodo também no Itamaraty e pode levar a um novo atrito entre os dois governos. Na formalidade diplomática, os governos costumam fazer uma consulta formal e confidencial sobre o nome que desejam indicar para comandar a embaixada — o chamado agrément — para só depois anunciarem o escolhido para ocupar o cargo de embaixador.

Daniel Perez, o escolhido pelo governo de Donald Trump para ser embaixador do país no Brasil, é um parlamentar da Flórida bastante próximo de Rubio. Ele também é filho de cubanos e foi indicado pelo Departamento de Estado. A sinalização da administração Trump parece bastante clara: o presidente americano cansou das bravatas lulistas e torce por uma guinada à direita no país. Rubio divulgou a notícia sobre o PCC e o CV um dia após a visita de Flávio Bolsonaro, e Trump publicou uma foto do encontro no mesmo dia. Tudo isso somado não deixa margem a dúvidas: Trump está alertando que existe uma alternativa e que não é refém do lulismo socialista. Se Lula continuar subindo o tom desse jeito, por interesses eleitorais, poderá forçar uma reação ainda mais dura de Trump. Aguardemos…

O alerta deixa claro que a postura agressiva de Lula motivada por interesses eleitorais pode forçar uma reação ainda mais dura de Washington | Foto: Reuters/Evan Vucci

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4 comentários
  1. Eduardo Salles De Carvalho
    Eduardo Salles De Carvalho

    Covardia!
    É como eu classifico quem BLOQUEIA os seus leitores que podem estar fazendo perguntas desconfortáveis!
    Nesse caso sou eu (@eduscarv no X) que nunca fui bloqueado nem por jornalista de esquerda!

  2. Carlos Gilberto Fraga
    Carlos Gilberto Fraga

    Mais do que nunca, só há uma saída para o desenvolvimento e a prosperidade do Brasil como nação : vencer o nefasto lulopetismo, e mais, descontaminar o Congresso.

  3. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Lula sempre atacou Trump, com ofensas, mentiras e até grossuras de seu condicionamento ideológico comunista. Trump nunca dirigiu palavras rudes ao Lula, nem palavrões, nem críticas. Para quem deseja negociar o método mais inadequado é agredir o outro lado que está no jogo da economia ou do combate ao terroristas. Brigar com alguém que desejamos negociar em paz e usufruir de bons resultados não pode passar da linha ética e diplomática. Lula sempre foi um demagogo, mas agora já está parecendo o Biden2.

  4. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Lula está totalmente descontrolado, perdeu a conexão com a realidade, não sabe nem onde está. Acredita que pode vencer as eleições, ledo engano. Quem prega ainda o enforcamento do adversário, já perdeu de vez.

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