O ministro da Defesa acaba de fazer um desabafo. Nossas Forças Armadas não têm recursos para defender o país em caso de agressão. O Exército Brasileiro tem 2,2 mil blindados e sonha em duplicar esse número até 2040. Por causa da agressão interna com que os bandidos nos aterrorizam, os brasileiros têm, hoje, 100 vezes mais veículos blindados em relação ao sonho do Exército. Só no ano passado, os civis brasileiros registraram 42,8 mil novos carros blindados. No Brasil inteiro, são 400 mil — 200 vezes mais que o Exército. Parece inacreditável. Quando se relata isso no exterior, a reação é de descrença.

Fiz a comparação, porque um seguidor do Texas me contou que seu filhinho, na escola, numa conversa sobre meios de transporte nas cidades, ao participar da discussão, contou que quando viviam em Fortaleza, a família tinha carro blindado. Os coleguinhas ficaram abismados e o menino gostou de chamar a atenção. Mas a professora não gostou, imaginando que o menino estivesse mentindo. Em país sério, mentira é falta grave. Os pais foram chamados e a professora relatou que o menino havia inventado uma história sobre carro blindado. Os pais confirmaram a história. A professora ficou abismada. A família havia emigrado do Brasil por falta de segurança.
Em Portugal, fui abordado por outra família de Fortaleza, que me contou a razão da mudança para aquele país. Sequestro e assassinato na família. Pais de três crianças, revelaram que seus filhos estavam agora aprendendo a andar na rua, a brincar sozinhos na praça, a ir para a escola caminhando. Jamais tinham feito isso no Brasil. Era carro blindado da porta da casa à porta da escola. Esses depoimentos não me saem da mente. Um seguidor me conta que na sua cidade, Rio das Pedras (RJ), há uma espécie de linha de Tordesilhas no meio da rua. De um lado, mandam as milícias, de outro, o Comando Vermelho.
O crime usa o terror para se impor. Quando cobria a Argentina pelo Jornal do Brasil, na década de 1970, lembro-me de que o esquerdista Ejército Revolucionario del Pueblo (ERP) metralhou algumas paradas de ônibus em Buenos Aires e, a partir de então, desviava trânsito para fazer assalto a banco, e todos obedeciam. Nos territórios “liberados” pelo crime no Brasil, o justiçamento sumário dos que não seguem as regras impostas tem o mesmo efeito. O Estado brasileiro é substituído pelo Estado narcoterrorista. Impõe-se toque de recolher, fechamento de comércio, regras para fornecimento de gás e internet, pedágio, e todo tipo de controle, que afeta a vida de 50 milhões de brasileiros diretamente. O restante é afetado pelo medo, pelas balas perdidas, pelas consequências das drogas.

Isso acontece não apenas nas metrópoles, mas também em cidades pequenas, como Pacatuba e Uiraponga, no Ceará, que foram esvaziadas; bairros dominados em Jacareacanga, no Pará, para lembrar a Amazônia. O governo fala muito em soberania, mas perdeu a soberania nacional nos territórios que se tornaram “santuários” do crime — para usar um termo da guerra no Vietnã. Aliás, a soberania sobre a região amazônica está virando utopia. Já havia as ONGs. Agora são as grandes quadrilhas de narcotraficantes a dividir o território amazônico como se fosse um butim. Uma facção domina a entrada do rio das amazonas, ainda chamado Solimões, outra controla as pistas de pouso e há até um espaço hub da droga que vem do Peru e da Colômbia. O governo faz discursos para fingir que age. Mas age contra brasileiros que trabalham no garimpo ou na agropecuária. É mais fácil e seguro.
Na minha juventude, eu assistia a filmes americanos em que, no final, o bandido fugia para o Brasil, tal como fez o inglês Ronald Biggs, que aqui virou celebridade, confirmando nossa cultura de aplaudir a malandragem que se transformou em bandidolatria. Começou com o bicheiro e hoje defende o abastecedor de cocaína e maconha. O Supremo chegou a legislar sobre a quantidade de droga que pode ser transportada. O presidente da República sugere que não há mal nenhum em roubar. Tomar o celular de alguém é como tomar-lhe parte da vida, com registros, bancos, fotos, endereço, contatos, é roubar um mundo.
Agora esse mesmo presidente se põe contra a classificação americana de terrorista para o PCC e CV. Trump visa à asfixia financeira desses grupos, já que a droga passa pelo Brasil e embarca para os Estados Unidos, asfixiando vidas americanas. Se o atual governo quisesse combater essas facções, agradeceria a ajuda. Mas ficou furioso. Alegou soberania — a tal que já foi perdida para as facções. O presidente anterior agiu dando força para a polícia e o crime diminuiu. Assaltos e homicídios diminuíram. Agora a estatística admite que brasileiros matam brasileiros à razão de 50 mil por ano. É quase o número de soldados americanos mortos nos dez anos de guerra no Vietnã. Viver no Brasil é quase dez vezes mais perigoso do que ter sido soldado no Vietnã. Mas o governo atual não quer ajuda americana, nem dá meios para as forças armadas fecharem para drogas e armas as nossas extensas fronteiras terrestres e aquáticas.
🚨URGENTE – Lula diz que está muito triste com a classificação do PCC e CV como terrorista
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) May 29, 2026
“Muito triste e decepcionado (…) Um tal de Marco Rubio disse que os nossos criminosos aqui são terroristas e que os americamos podem fazer intervenção” pic.twitter.com/brwUjhzeOr
O enquadramento em terrorismo serviu para mostrar de que lado estamos. Do lado dos bandidos ou do lado da lei e da ordem. E está fácil de saber o lado pelas reações publicadas. Os favoráveis aos bandidos argumentam que a economia, o turismo, o emprego vão ser prejudicados. Com isso, estão demonstrando que sabem a extensão da influência do banditismo, que vai muito além dos seus territórios, onde já não entra o Estado. Mais do que isso, é o narcoterrorismo que entrou no país institucional. O poder americano com a classificação de terrorismo pode ajudar o Brasil. Mais do que isso, há eleições. De governadores — e a gente pode ver que no norte está a maior parte do domínio do crime — e há a eleição presidencial, onde se vai optar entre ser contra ou a favor do crime. Pode-se combater o crime com o voto.
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Chegamos no limite, ações contra as facções que dominam e impõe regras, principalmente com ajuda externa americana, não podemos retroceder. Acabar de vez com essa organização política e criminosa do PT, combater essas facções criminosas até acabar e prender políticos e bandidos, de preferência na mesma cela e deixa bagaceira rolar.
“otários”
Alexandre, o crime perpassa por todas as camadas da sociedade. Esperar o que de uma população que aproveita todas as oportunidades para “levar vantagem”? É o “aplaudir a malandragem” que você coloca.
Furar uma fila, trafegar pelo acostamento, diminuir a velocidade excessiva só quando chega próximo ao radar, transgredir regras de trânsito em geral quando não há policiamento, colar em prova, etc., etc.
Passamos a ser otários” se seguimos as regras.
Haverá maneira de mudar isso em uma geração?
Mestre Alexandre Garcia, mostrou a realidade em que vivem os brasileiros de todo Brasil. Em São Paulo também tem muitos que andam de carro blindado, eu uso um modelo que não é fabricado mais há vinte anos É ótimo e atende minhas necessidades, assim me protejo das gangues.Brasil está dominado por narcotraficantes. Será que continuarão sendo protegidos?