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Reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante sabatina do advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, indicado rejeitado para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) | Foto: Montagem Revista Oeste/Lula Marques/Agência Brasil
Edição 320

Um dia histórico

Eu não sei o que vem por aí. Ninguém sabe. Mas sei que estamos perdendo a guerra faz tempo e temos todo direito de celebrar a vitória em uma batalha importante

Quarta-feira, dia 29 de abril de 2026, o Senado fez história. Pela primeira vez em mais de um século, uma indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi vetada na sabatina. Os senadores de oposição realizaram um importante trabalho, com comentários que desconstruíram a farsa criada por Jorge Messias e perguntas que expuseram suas contradições entre promessas futuras e passado concreto.

Durante a sabatina, lembrei até da piada em que o Diabo mostra um Inferno maravilhoso e animado para o recém-morto, e depois que ele se encanta e escolhe passar a eternidade lá, descobre que era tudo mentira, que só há cinza, calor infernal e tédio absoluto. Antes ele era potencial cliente e o Capeta estava em campanha; depois era tarde demais, pois o contrato vitalício já havia sido assinado.

Republicano, sereno, constitucionalista, cristão, defensor das liberdades e contra o aborto: eis a roupagem conservadora usada pelo indicado de Lula. Aí você lembra que é só um ator. Que petista jamais será Reagan, Thatcher ou Churchill. Eles sabem o que é certo e popular, mas se recusam a fazer na prática. “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”, disse La Rochefoucauld.

O governo Lula torrou cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares para comprar votos e aprovar seu despachante, mas o centrão embolsou o dinheiro e não entregou a aprovação do ministro da AGU. O recado foi claro: Alcolumbre se mobilizou contra Lula, pois queria Pacheco no STF. Lula declarou “guerra” após a derrota. E o Brasil torce pela briga nesse caso.

A manobra de Davi Alcolumbre para tentar colocar Rodrigo Pacheco no STF impõe uma dura derrota a Lula e deflagra uma guerra aberta nos bastidores de Brasília | Foto: Lula Marques/ Agência Brasil.

Eu não sei o que vem por aí. Ninguém sabe. Mas só sei que estamos perdendo a guerra faz tempo e temos todo direito de celebrar a vitória em uma batalha importante. Depois de ver a cena do deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL e da oposição na Câmara, beijando a testa de Messias antes da sabatina, muita gente quase jogou a toalha: puro suco de Brasil. Mas o dia terminou com uma vitória inesperada para a maioria.

“Bessias” barrado. Veto da Dosimetria cai. Mudança na jornada 6×1 é rejeitada. Alcolumbre, após guerra declarada pelo Lula, tira da gaveta um pedido de impeachment de Moraes ou Toffoli. Estão deixando a gente sonhar? Talvez seja delírio. Mas sem dúvida essa derrota de Lula e seu capacho alimenta a esperança de que mais mudanças importantes possam vir pela frente. Ninguém aguenta mais tanto abuso supremo.

A decepção ficou por conta do ministro André Mendonça. Talvez pelo “corporativismo evangélico”, o mesmo que pode explicar o afago exagerado de Sóstenes em Messias, o ministro “terrivelmente evangélico” lamentou profundamente a derrota do colega na sabatina: “Respeito a decisão do Senado, mas não posso deixar de externar minha opinião. O Brasil perde a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo. Messias é um homem de caráter, íntegro e que preenche os requisitos constitucionais para ser Ministro do STF. E amigo verdadeiro não está presente nas festas; está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate! Deus o abençoe! Deus abençoe nosso Brasil!”.

O ministro André Mendonça, do STF, votou pela manutenção da prisão do ‘Careca do INSS’ nesta sexta-feira, 26 | Foto: José Cruz/Agência Brasil
O lamento público de André Mendonça pela derrota do candidato governista expõe um corporativismo religioso que fala mais alto do que a isenção esperada de um ministro do STF | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Deus abençoe nosso Brasil, sem dúvida! E por isso mesmo nos sentimos abençoados com essa derrota. Afinal, tudo que os brasileiros decentes não merecem nesse momento é mais um lulista na Corte Suprema, para perseguir conservadores e censurar cidadãos que criticam o presidente condenado por corrupção. O governo e o STF precisam dar uma guinada para que possamos endireitar o país.

E a lição que fica para a oposição é esta: cada um tem seu papel nessa luta, e a união faz a força. Não importam tanto os motivos, que nem sempre serão nobres; importam os resultados. Assim como foi importante ter Eduardo Cunha ao lado para o impeachment de Dilma, foi crucial contar com Alcolumbre e seus colegas do centrão para essa derrota de Messias. Essa mentalidade será fundamental para uma vitória da direita em outubro…

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7 comentários
  1. Jarlan Barroso Botelho
    Jarlan Barroso Botelho

    Vi uma análise, onde foi dito que o PT busca se aproximar dos Evangélicos de todas as maneira. Não porque respeite e aceite o povo evangélico, mas para obter seus votos e depois perseguí-los. E nada mais eficaz do que se INFILTRAR no meio evangélico. O infiltrado seria justamente o “Bessias”, que segundo a análise, é MUITO mais fiel à Lula e ao PT, do que é fiel aos evangélicos. O infiltrado foi derrotado. Vitória para o Brasil!

  2. arnaldo botelho barbosa
    arnaldo botelho barbosa

    Eu torci muito para que o senhor JORGE RODRIGO MESSIAS não tivesse o seu nome e a sua indicação para o Seupremo Tribunal Federal aprovados pelo Senado Federal. Aprimeira decepção e sobressalto, todavia, vieram com a aprovação na sabatina pela Comissão de Constituição e Justiça. Porém, ainda restava a esperança de que o Plenário fosse menos venal e mais coerente com o escrutinio dos atributos e méritos do candidato a ministro, e, assim, rejeitasse a indicação petista, anseio da maioria dos cidadãos e cidadãs de bem desse país. Depois do que assisti durante o processo de votação do plenário do senado, com o consequente resultado da não aprovação, confesso que fiquei com certa dó do candidato rejeitado ante a sua exposição pública e a humilhação experimentada. Esse homem que já era estigmatizado pela alcunha de ” BESSIAS,O OFICCE BOY” ou “MENSAGEIRO DO PT”, passou, desde então, as ser conehcido mundialmente como o “REJEITADO”. Aonde ele for, seja que cargo lhe ofereçam como compensasão, não adianta, será sempre lembrado pelas pessoas por essas duas pejas que passaram a integrar o seu currículo pelo resto da sua vida.

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    E é brincadeira dinheiro público 12 bilhões pro distribuir. Cadê os fuzileiros americanos, e esse André Mendonça é cego pra apoiar um cara desse, xeleléu do bandido ladrão??????????

  4. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Constantino, agora temos que pensar no comportamento e transparência do TSE e do STF no momento eleitoral e na segurança da votação, para não termos porque contestar, dai a importância de a exemplo do que aconteceu no passado confessado pelo BARROSO, nossos amigos dos EUA, fiscalizem nossas eleições, e até imponham a transparência necessária que fizeram na Venezuela, quando pudemos constatar a FRAUDE daquela ditadura.
    Agora Consta, o que esta acontecendo com a chamada centro direita para alegria da esquerdalha?. Louvo tua manifestação de paz, porque não entendo manifestações de vários jornalistas da direita se digladiando como recentemente Paulo Figueiredo, Pitolli e outros quando o momento é de importante união. Como pode uns ofenderem os outros e dividirem votos?. Assim, corremos o risco de ter 2 senadoras estranhas eleitas em SP, e possivelmente outros absurdos em outros estados. Por que estarmos dividindo os votos da direita de SP com os candidatos ao Senado Derrite, Salles, Mello Araujo e Andre do Prado?. Logicamente Eduardo Bolsonaro e o pai Bolsonaro deveriam se manifestar pelos 2 nomes mais respeitados e votados independentes de serem filiados ao PL, mas que seguramente sejam da direita porque Simone e Marina é uma dupla insuportável. Chega de encrenca entre pavões do jornalismo que não admitem pacificar como você vem fazendo.

  5. Lauro Patzer
    Lauro Patzer

    Quando todo mundo esperava uma derrota, de repente, o time entra em campo e aplicada uma goleada. Uma goleada sofrida por aqueles que já tinham uma festa preparada. Mas, cautela! É apenas uma batalha vencida. Para uma vitória final ainda há muitas contendas. Algumas com jogo sujo.

  6. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Sim foi uma vitória para o Brasil, cansado de perder.Messias já entrou derrotado para a sabatina do Senado, sem um currículo digno para ocupar qualquer cargo. Não tem notório saber jurídico e conduta ilibada,em um momento em que a corrupção e os gastos públicos exorbitantes desse governo são trucidado nas redes sociais diariamente. O povo tem conhecimento sim do que ocorreu com PT-STF, o brasileiro não é burro,sente no bolso a inflação real corroendo seus ganhos,o valor absurdos dos impostos que paga,sem qualquer retorno.O governo Lula faliu,está desconectado com a realidade. Sem chance de reeleição.

    1. Lauro Patzer
      Lauro Patzer

      Na verdade, esse governo me parece estar no ‘modo’ de agonia lenta. Consumido pela sua própria podridão.

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