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Foto: Montagem Revista Oeste/IA
Edição 320

O lobo e o voto

A crise é de formação. É moral — ou ética, se quiserem. É de conduta, de comportamento, de princípios, de decoro, de civilidade. É de civilização

Saiu o primeiro impeachment de ministro do Supremo: o de Messias, um impeachment preventivo. Alcolumbre abriu a porteira? Passou boi, passará a boiada? Haverá outros, ainda neste ano? Difícil, com a parceria Moraes-Alcolumbre. Seria Toffoli o próximo, já que o próprio Lula sugeriu a renúncia do seu indicado? Lula perdeu para Alcolumbre em articulação política; Alcolumbre foi o único que acertou: “vai perder por oito”; estará em condições de enfrentar o jovem senador Flávio? Perguntas, perguntas… Nem com R$ 12 bilhões em emendas liberadas Lula conseguiu comprar voto, como compra com o Bolsa Família. No dia seguinte, o Congresso derrubou o veto de Lula à Lei da Dosimetria e confirmou a carência de articulação do governo. 

Senador Davi Alcolumbre presidente do Senado Nacional | Foto Antônio Cruz/Agência Brasil

Com a rejeição de Messias, ficará o Supremo a salvo do naufrágio? Com a derrubada do veto à dosimetria, resolvem-se as injustiças do 8 de janeiro? Teria o Legislativo acordado e voltado a representar as aspirações do povo? Será que o Supremo sente a reação e vai recuar no ativismo político, acuado pelos escândalos com alguns de seus ministros? Seria um novo Brasil a começar agora uma trilha em direção às urnas? Mais perguntas… Calma, que essa é apenas a casca da crise. Descascaram só um pouco. O cerne desse tronco podre é duro e tem raízes profundas. A crise é mais embaixo.

A crise é de formação. É moral — ou ética, se quiserem. É de conduta, de comportamento, de princípios, de decoro, de civilidade. É de civilização. Uma civilização desmorona sem esses valores. A nossa cultura, vale dizer, valoriza e saúda a malandragem. Malandro, por aqui, é cumprimento, é saudação. Esperto deveria ser o brasileiro bem qualificado profissionalmente, mas temos, em vez disso, os espertalhões. Vorcaro é o da hora. Mas sempre temos um, tapeando alguns ou milhões. O sistema exige que, havendo um espertalhão, um vigarista, um mentiroso, um aproveitador, haja milhões que serão manipulados, enganados. É o lobo e seu rebanho cativo. Sim, porque por aqui, usa-se pôr um lobo como pastor dos cordeiros eleitores e pagadores de impostos.

Advogado-geral da União, Jorge Messias | Foto: José Cruz/Agência Brasil
Advogado-geral da União, Jorge Messias | Foto: José Cruz/Agência Brasil

Parece haver um código entre os espertalhões e o estado de coisas. Nesse código, o peso da Justiça cai sobre, por exemplo, os manifestantes do 8 de janeiro, mas alivia os da Lava Jato, os da dancinha parisiense dos guardanapos. Sérgio Cabral foi para a piscina doméstica, Lula para o Palácio; a multa de R$ 10,3 bilhões da J&F sumiu na cartola de Toffoli. Mas o Clezão não pôde nem ser tratado e morreu na prisão. Sim, vem a dosimetria, mas é só um soluço, não atenua, a falta de vergonha de praticar o indecoroso está na raiz.

Exemplo recente de descompostura é o voo do superjatinho Gulfstream 650 ao paraíso fiscal, a Las Vegas do Caribe, a Ilha de Sint Maarten, com 13 cassinos, levando o presidente da Câmara dos Deputados, o senador Ciro Nogueira, os deputados Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões, mais o Cavendish, da dança dos guardanapos, e respectivas esposas, por conta do Fernandin OIG, do Tigrinho. Na volta, todas as malas e bolsas com eletrônicos e garrafas passaram ao largo do controle alfandegário, pois o povo fica sob a lei e alguns fora da lei. Eles julgam isso normal. Para eles, não é indecoroso nem ilegal. Não passa pela cabeça dos que têm mandato para fazer leis que eles são os que mais têm que ser modelo de respeito às leis, que têm que ser modelo de conduta. Mas não está na raiz da formação deles. Esse é o cerne da crise nacional. 

A ausência de valores é tão envolvente que a falta de vergonha se expressa às claras. Registra-se num papel um contrato de R$ 129 milhões que pode estar no Guinness de recordes. Recebem-se milhões de “investimento” enquanto se perdoam bilhões de multa do “investidor”. É Alice no País das Maravilhas. Mentem com toda a cara de pau que têm os pinóquios. Acham graça do que fazem, porque são espertalhões e estão convencidos que o mundo é dos espertos. Os bobos ficam pregando decência na sua incompetência para fazer o mesmo. Quem não quiser que isso continue, que faça o filtro na hora de votar. Não premie o seu lobo com o seu voto.

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7 comentários
  1. Jeovane Pinto dos Santos
    Jeovane Pinto dos Santos

    Ótimo artigo, mais usar fonte da FORUM? Não dá…

  2. Juscélio dos Santos
    Juscélio dos Santos

    Sou irei premiar o Lobo, quando ele devorar a o “chapeuzinho vermelho ” pois nossa Bandeira jamais será vermelha. Fora PT

  3. Antonio Fernandes Kopf
    Antonio Fernandes Kopf

    Pois é. Nesse episódio da eleição do Bessias, assistimos aliviados a cena do Lobo comer a Vovozinha.

  4. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Bala nesses ladrões comunistas terroristas genocidas torturadores narcotraficantes assassinos vigaristas imundos podres

  5. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    Apois, grande Alexandre… PERIÓDICO DO DF FINGE ARREPENNDIMENTO TARDIO.
    “Judiciário amplia poder e pressiona liberdade de expressão Decisões do STF e novo ativismo elevam riscos ao jornalismo e tensionam garantias constitucionais da prática profissional” Vocês descobriram a TIRANIA AGORA? Onde vocês estavam nesses últimos SETE PENOSOS ANOS? Entendo que a imprensa deve ser livre sim, mas vocês, pelo que vimos nos últimos SETE PENOSOS anos são parte do problema e não solução, pois alimentaram, cevaram o monstro que hoje lhes assombra. “Descobrir” tardiamente que garantias constitucionais são anuladas pelo Judiciário, é assunção de culpa. 27/01/20226 “O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes arquivou, nesta segunda-feira (26), a ação movida pela JORNALISTA Letícia Sallorenzo de Freitas contra os JORNALISTAS David Ágape e Eli Vieira, autores da “Vaza Toga”, e o ex-assessor Eduardo Tagliaferro” A denúncia fajuta da escrevinhadora LETÍCIA SALLORENZO contra David Ágape, Eli Vieira e Eduardo Tagliaferro não ensejou na IMPRENSA ESTATIZADA uma reação contundente, persistente, corajosa e baseada nos fatos, coisa que faria o OTTO LARA RESENDE tomar o leme da defesa do jornalismo. Não referendo as palavras do DANIEL SILVEIRA, pois há meios mais adequados para questionamentos, mas a cobertura de vocês para o caso DANIEL SILVEIRA foi aquela água com açúcar para agradar a todos, desprezando o ofício do JORNALISMO. Art. 1º O art. 53 da Constituição Federal passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por QQUAISQUER de suas opiniões, palavras e votos. § 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição do diploma, serão submetidos a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal. § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de CRIME INAFIANÇÁVEL. Nesse caso, os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão” GLOSSÁRIO DO STF SOBRE CRIME INAFIANÇÁVEL. Crime que não admite liberdade provisória do preso por meio do pagamento de fiança. São inafiançáveis, por determinação constitucional, o racismo, a tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes, o terrorismo, os crimes hediondos e a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado de Direito. A lei pode considerar inafiançáveis outros crimes (art. 5º, XLII a XLIV, da Constituição e art. 323 do CPP). Vocês noticiaram com certa candura, até, que o Ministro Barroso foi exposto na Câmara ao COAGIR Deputados igualmente delinquentes e a CONSTITUIÇÃO foi mais uma vez vilipendiada por quem jurou defendê-la. O jornalista deve sim se ater aos FATOS e privilegiar a VERDADE, sendo absolutamente imparcial, pois do contrário, perde o respeito do povo. Vejam por exemplo, o caso do ESTADÃO. Afogado em anos de crises financeiras, o jornal aceitou a rendição através de dinheiro. Veja como vocês do Poder noticiaram. “12 empresas investiram R$ 142,5 milhões no “Estadão” Itaú, Bradesco, Santander, Cutrale, Cosan, Hapvida, Votorantim, Ultra, Unipar, Pátria, Gallápagos, JHSF e assinantes. Qual será a isenção de um jornal para obter a confiança dos brasileiros, estando guardado nos bolsos de gente tão poderosa? Vejam como seu concorrente no DF noticiou a mesma operação. “Estadão capta R$ 142 milhões e usa gestora implicada no caso Master para administrar debêntures. Estadão contratou a Trustee, de MAURÍCIO QUADRADO, para gerir a captação de empréstimo e tentar salvar o jornal da situação de insolvência” Claro que vocês sabem quem é MAURÍCIO QUADRADO. “Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master (2020-2024), teve contas na Suíça congeladas por suspeita de envolvimento em esquemas de propina investigados nas operações Sepsis e Cui Bono, desdobramentos da Lava Jato” Vocês do Poder não viram as digitais do MAURÍCIO QUADRADO através da TRUSTEE na operação do ESTADÃO? Que mancada, senhores… “Entre a desonra e a guerra, escolheram a desonra e terão a guerra” Sigam os exemplos da Revista Oeste e da Gazeta do Povo. Talvez vocês se lembrem o que é JORNALISMO!

  6. Alexandre Belló
    Alexandre Belló

    Sou um admirador do jornalista Alexandre Garcia, desde sempre. Seu poder de síntese, sua memória, sua imparcialidade, são qualidades de muito poucos. Além de seus artigos e suas participações em programas da Oeste TV, o escuto na rádio Guaíba de P.Alegre e leio seus artigos no Correio do Povo. Também compro sempre seus livros para lembrar dos seus brilhantes comentários. Parabéns!

  7. Teresa Guzzo
    Teresa Guzzo

    Excelente artigo mestre Alexandre Garcia, impecável como sempre.Fica aqui a mais importante mensagem:”não premie o lobo com seu voto “.

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