Sob o céu poeirento de Bagdá, uma imagem percorreu o mundo em tempo real e se tornou um dos símbolos mais marcantes da Guerra do Iraque. Na Praça Firdos, no coração da capital, a estátua de Saddam Hussein — erguida como um monumento ao poder absoluto — estava prestes a cair em 9 de abril de 2003. Tanques americanos haviam acabado de entrar na cidade. O regime que governara o Iraque por mais de duas décadas desmoronava rapidamente. Em meio à tensão e à incerteza, um pequeno grupo de civis iraquianos começou a se reunir ao redor da estátua. Alguns carregavam ferramentas improvisadas; outros, apenas o peso de anos de opressão. Em um esforço simbólico, alguns chegaram a subir no pedestal para golpear a estrutura com as próprias mãos.
A multidão crescia aos poucos. Logo, fuzileiros navais dos Estados Unidos intervieram, trazendo um veículo blindado de recuperação (um tipo de tanque usado para resgatar outros veículos militares). Foi então que, em uma imagem carregada de significado, uma corrente metálica foi presa ao pescoço da estátua e conectada ao blindado. Aos poucos, a estátua de Saddam começou a ceder. Quando finalmente tombou, a multidão reagiu com uma mistura de celebração e incredulidade. Alguns correram para golpear os restos; outros simplesmente observaram, como se precisassem confirmar que aquilo era real.

Transmitido ao vivo por redes de televisão ao redor do mundo, o episódio foi rapidamente interpretado como o símbolo definitivo da queda de Bagdá e do fim do regime de Saddam Hussein. As imagens deram a impressão de uma celebração espontânea e massiva. Mas, com o passar do tempo, análises mais detalhadas revelaram que a magnitude da comemoração popular foi amplificada pela cobertura da mídia. O grupo presente na praça era relativamente pequeno, e o papel das forças americanas foi decisivo para derrubar a estátua.
A queda da estátua na Praça Firdos não foi apenas a destruição de um monumento — foi a materialização visual de um regime ruindo diante do mundo e representou um dos momentos mais icônicos do início do século 21.
Hoje, mais de duas décadas depois da derrubada da estátua de Saddam Hussein, a área da Praça Firdos, em Bagdá, já não é um palco de celebração ou confronto simbólico — mas também não se tornou um grande monumento histórico formal, como muitos poderiam imaginar. A estátua de Saddam nunca foi substituída por outro monumento permanente no mesmo pedestal.
Saddam Hussein fugiu de Bagdá pouco antes da queda da cidade. Foi capturado apenas em dezembro de 2003 em um bunker perto de Tikrit e executado por enforcamento em 30 de dezembro de 2006.
Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
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Que todas as estátuas sejam derrubadas em todo mundo e todos os tiranos sejam mortos