Desembarquei nessa quinta-feira em Lisboa, abri o celular e vi a chamada de primeira página da Folha de S. Paulo: “Toffoli voou em avião da empresa de Vorcaro para resort”. Antes de embarcar, no dia anterior, eu já tinha visto a principal manchete da Folha: “Moraes viajou ao menos oito vezes em jato da empresa de Vorcaro, indicam registros”. Embora essas promiscuidades já sejam rotineiras no Brasil, o motorista de táxi português quis saber como isso é possível, e como não há reação no Parlamento. Minha reação foi ficar envergonhado, pois ao tentar explicar que o Senado é responsável pela aprovação do indicado pelo Presidente da República e, em consequência, tem o poder de retirar do Supremo o que passou a não preencher a exigência de reputação ilibada, preciso admitir que os senadores que assim agem são representantes de seus Estados e, especialmente, de seus eleitores. E aí tenho que aceitar que o responsável pela decadência moral e institucional é o eleitor. Os responsáveis pelos que estão ou vão estar no Senado a partir do ano que vem são os eleitores.
Lula está repetindo com Jorge Messias o que já fez com Toffoli, Zanin, Dino. Escolhe alguém de sua confiança, que tenha mais de 35 anos. E deixa que os senadores de sua grei carimbem neles o rótulo de “notável saber jurídico e reputação ilibada”, que são as exigências principais — conhecimento jurídico e moralidade. A sabatina do Senado não testa isso. Tem sido suficiente a certidão de nascimento, provando que nasceu há mais de 35 anos. Messias não tem qualidade de notável, pois nem era conhecido quando Dilma citou seu nome e o país entendeu “Bessias”. Toffoli não deveria nem ter ocupado sabatina, pois rodou por duas vezes em exame para juiz de primeira instância. Mas os senadores o aprovaram para ser juiz supremo. Se eu contasse para o taxista português, ele ficaria ainda mais abismado.
Messias vai agora procurar de novo os senadores. Há quatro meses, quando foi anunciado, relata ter falado com 76 dos 81, pedindo voto. Nessa romaria, cria-se a promiscuidade, que não se mistura com isenção. O ministro do Supremo fica agradecido pelo voto e comprometido com o senador, que conta com um acordo de alforria para suas aventuras, por exemplo, com os idosos da Previdência. Os constituintes de 1988 não repararam que criaram uma relação com base no popular “uma mão lava a outra”. Alcolumbre e Motta, por exemplo, devem ter-se oferecido no simbolismo do lava-pés da Quinta-feira Santa — isso se Alcolumbre não pegou carona na Artemis 2 para a lua. “Não nos julguem, que não os julgaremos.” Fazem isso com tanta naturalidade e transparência, que parecem confiar que a origem do poder é um buraco negro. Puro vácuo.

A Folha viu o registro oficial de, no mínimo, oito viagens do casal Moraes — do contrato de R$ 129 milhões — em aviões de empresas de Vorcaro, apenas entre maio e outubro do ano passado. As viagens foram suspensas quando o Master entrou no noticiário de fatos financeiros cabulosos. Toffoli, por sua vez, é objeto de pelo menos três registros de entrada no terminal executivo de Brasília, onde os aviões de Vorcaro decolaram 10 minutos depois da chegada de Toffoli. Como não há registro de saída do ministro pela porta em que entrou, acredita-se que ele saiu voando. Um desses voos, para o Tayayá, foi numa sexta-feira, para o fim de semana. 4 de julho. Dia em que os americanos festejam a independência. Dia em que Toffoli marcou sua independência dos voos disciplinados da FAB, ou de passageiros indisciplinados na eventualidade de voo comercial. O Supremo pediu segurança na chegada, e lá estavam agentes do Tribunal Regional do Trabalho para garantir a integridade física do ministro. Garantir a integridade moral é tarefa de senadores.
Eu desembarquei em Lisboa com minha mulher. Ela não tem contrato com o Master. Pagamos as nossas passagens com o nosso trabalho — e, de quebra, ainda pagamos impostos para ajudar a manter o Supremo e o Senado. Não temos cartões de passageiros frequentes da Masterfly. Nem precisamos fazer acordos de “uma mão lava a outra”, porque nossas mãos estão limpas. Se pedirem quebra de sigilo de nossas contas e movimentações financeiras e aéreas, abrimos com prazer, mas pedimos desculpas se parecer exibicionismo. Enfim, somos como a maioria dos brasileiros, que está pagando para ver esse espetáculo grotesco, decadente, em que estão conseguindo, na cara da origem do poder, demolir o Supremo e erguer em seu lugar uma instituição política não legitimada pelo voto, mas mais poderosa que o Congresso e capaz de tornar um condenado presidente. A transformação reduz o Senado e a Câmara a uma triste ficção de representação popular. Mas como vou conseguir explicar isso ao taxista luso?
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O taxista português não se admiraria se soubesse que Lula ganhou a eleição com 32 fraudes, a principal foi das urnas eletrônicas e que o PT era pra ter sido cassado desde o foro de São Paulo e que o parlamento de 614 políticos tem 450 ladrões de carteirinha e os governadores e prefeitos e deputados estaduais e vereadores na sua grande maioria são ladrões também de carteirinha e que o Lula é o maior ladrão do planeta e o stablichment é composto na maioria de ladrões…
Alexandre Garcia representa integridade e honestidade. Enquanto isso, será que o povo pode dizer o mesmo dos Ministros do Supremo? Escapam ao julgamento popular apenas um ou dois, no máximo três? Jesus Cristo, que país é este? Enquanto isso, o povo sofrendo!
Ficaram famosos os jatinhos do Vorcaro. E protagonizados por quem? Eles, os dois intocáveis criadores e executores do famigerado Inquérito 4.781, que já desgraçou centenas e milhares de famílias brasileiras. O mais longo e interminável inquérito na história da justiça brasileira.
Um grupo interessado pescou o ladrão na cadeia e o botou na presidência. Qual é o futuro disto? Previsível, não é?
A sorte desses detentores do poder é terem nascido em um país onde uma maioria quase absoluta é composta por uma mistura de covardes, corruptos, desmiolados, vagabundos, indecentes. Aguentar esse tipo de coisa e deixar correr como se estivesse tudo normal, não é para qualquer um. Não acredito que haja outro país assim nesse mundão de Deus.
Pois é Alexandre, diga ao taxista que só estamos vivendo este grave momento porque FHC & CIA. tucana, fizeram o “L” e criaram esse SISTEMA autoritário que esta destruindo nosso pais.
Vale lembrar que fui tucano desde a fundação do PSDB até 2019, ano que se revelarem sem caráter esses outrora admiráveis políticos, que segui, aplaudi, e votei nessa cambada que Rodrigo Constantino tão bem interpreta. “Tucano sempre em cima do muro quando cai é do lado esquerdo”.