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Depois de comemorarem o fim da CPMI do INSS, deputados da base do governo chegaram a apresentar relatório alternativo que pedia indiciamento de Jair Bolsonaro (PL) | Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado
Edição 316

Carta ao Leitor — Edição 316

A nova cláusula de barreira para os partidos políticos e o envolvimento de ministros do STF nos escândalos da vez estão entre os destaques desta edição

Ao longo de sete anos, a operação Lava Jato teve 79 fases, expediu milhares de mandados de busca e apreensão e resultou em 130 denúncias, 278 condenações e mais de R$ 4 bilhões devolvidos aos cofres públicos. Muitos brasileiros tiveram, enfim, a certeza de que todos eram iguais perante a lei. Até que as investigações bateram na porta do Supremo Tribunal Federal. Era hora de “estancar a sangria”, como alertou o senador Romero Jucá.

Passados sete anos, a CPMI do INSS foi sumariamente enterrada por oito ministros do Supremo. A turma de coveiros foi reforçada por um punhado de parlamentares governistas e contou com a cumplicidade por omissão de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que se recusou a ler um documento que requeria a prorrogação dos trabalhos. Coincidentemente, as investigações avançaram até baterem na porta do Supremo Tribunal Federal. 

“Sem medo de ser feliz: viva o direito de roubar sem ser investigado!”, ironiza Guilherme Fiuza na crônica que reproduz um diálogo imaginário entre personagens que comemoram o sepultamento da comissão que investigava o roubo sofrido pelos aposentados. “O consórcio Lula-STF-centrão vem tentando, agora, matar outra comissão: a do Crime Organizado”, avisa a reportagem de capa desta edição, assinada por Cristyan Costa, Luana Viana e Sarah Peres

“Parece que a velha imprensa descobriu que o STF, em vez de ‘salvador da democracia’, é mesmo a maior ameaça”, afirma  Rodrigo Constantino. Até recentemente, o jornalismo convencional insistia na “narrativa esdrúxula de que o STF ‘alexandrino’ estava apenas protegendo a democracia da terrível ameaça golpista do bolsonarismo.” O envolvimento de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes nos escândalos da vez está na coluna de Augusto Nunes

Enquanto tenta emplacar a indicação de outro nome de sua confiança para o STF —  assim como fez com Toffoli, Cristiano Zanin e Flávio Dino, lembra Alexandre Garcia —, Lula vê sua aprovação derreter nas pesquisas de intenção de voto. O governo não para de se perguntar o que deu errado. “A resposta está no espelho”, escreve Adalberto Piotto. “Às vésperas da eleição, o Palácio do Planalto bate cabeça para encontrar soluções para problemas reais que o próprio governo criou ou não se preparou para enfrentar.” 

A crise dos combustíveis provocada pela guerra no Irã, por exemplo, poderia ser suavizada se não fosse a incompetência do lulismo. Embora autossuficiente em petróleo, o Brasil ainda importa um terço do óleo diesel que consome — e que movimenta a economia, ressalva Eugênio Esber. O caso da Refinaria Abreu e Lima, anunciada com pompa e circunstância por Lula e Hugo Chávez em 2005, é uma das provas mais evidentes da total inépcia do governo.

Como numa democracia é por meio do voto que as coisas mudam, todo o eleitorado precisa acompanhar com atenção o cenário que se vai desenhando em 2026. Edilson Salgueiro explica o que os partidos terão de fazer para sobreviver ao embate nas urnas. “Cada sigla precisará eleger ao menos 13 deputados federais, distribuídos por nove Estados, ou alcançar 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com um mínimo de 1,5% em nove unidades da Federação.” Se não conseguirem, ficarão sem acesso ao fundo eleitoral e ao tempo de propaganda no rádio e na TV.

Mais uma vez, o eleitor tem o poder de reduzir a salada de siglas existentes no país. Também o mesmo eleitorado tem outra chance de instalar no Congresso parlamentares que sejam menos lenientes com a corrupção — e, sobretudo, menos covardes.

Boa leitura.

Branca Nunes
Diretora de Redação

Capa da Revista Oeste, edição 316. Da esquerda para a direita, em pé estão o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), as senadoras Augusta Brito (PT-CE) e Eliziane Gama (PSD-MA), o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), a senadora Jussara Lima (PSD-PI), as deputadas Dandara Tonantzin (PT-MG) e Meire Serafim (União Brasil-AC), além da senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Sentados aparecem o senador Rogério Carvalho (PT-SE) e os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Rogério Correia (PT-MG) | Foto: Reprodução/Redes Sociais

5 comentários
  1. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Vamos ver se elegemos os honestos e, sobretudo, os não covardes.
    Excelente edição.

  2. Josenildo Nascimento Melo
    Josenildo Nascimento Melo

    Li de ponta a ponta. Não tem pra ninguém. É um oásis em meio ao deserto árido. A Influente e Conceituada Revista Oeste precisa ser impressa. Pensem nisso. É para que possamos comprar os exemplares e colocar em lugares onde as pessoas mais simples possam ter acesso. Consultórios, Igrejas evangélicas, clínicas, mercados e mercearias e etc e tal. Esse conteúdo precisa chegar ao máximo possível de pessoas. EXCELENTE. Continuem firmes e fortes. Quem nos caminhos do Senhor e da Verdade sempre triunfará.

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    O Brasil é uma ditadura de ladrões comunistas terroristas genocidas torturadores narcotraficantes assassinos vigaristas imundos filhos da puta. A maior podridão política que existe em todo o planeta

  4. Luiz Antônio Alves
    Luiz Antônio Alves

    Parabéns Branda. Vc sempre consumegue bem resumir as matérias. Estamos aqui no meio do mato e graças a starlink conseguimos a internet limpa e escolhas independentes. Só para teu conhecimento, já que poucos amigos sabem, eu gravei, imprimi e encadernei todos os processos da lava-jato quando estavm disponíveis no site do MPF. A intenção era ter um material jurídico para estudantes e até advogados e tamgém como documento histórico. Acho que sou o único que fez isto, pelo menos aqui na região. Como pesquisador o meu alvo sempre foi as fontes documentais. Eu e a Sandra colhemos marcela hoje bem cedo. Desejo aos membros da OESTE uma Páscoa abençoada com a família.

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