publicidade
Foto: Montagem Revista Oeste/IA/Shutterstock
Edição 315

O Brasil inadimplente

Enquanto isso, Mercado Livre e Amazon investem e todos estão de olho no varejo

O número de brasileiros inadimplentes aumentou quase 40% entre 2016 e 2026, passando de 59 milhões para 81,7 milhões. Um recorde. Os números foram apresentados no Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas no Brasil, elaborado pelo Serasa. O valor médio das dívidas por pessoa também subiu, de R$ 5.880,02 para R$ 6.598,13, um acréscimo de 12,2%.

Foto: Reprodução/SERASA | Fevereiro 2026

***

Pobres e mulheres são os mais afetados

Metade dos brasileiros adultos está com o nome negativado. Uma porcentagem concentrada entre as pessoas de baixa renda, já que 48% dos inadimplentes recebem até 1 salário mínimo. Pela primeira vez na história, as mulheres lideram as negativações, com 50,51% do total. São 40,4 milhões de brasileiras com o nome restrito. O Amapá é o Estado com o maior número de pessoas devendo, quase 62% da população, seguido por Distrito Federal e Mato Grosso do Sul, ambos com cerca de 60%.

Foto: Reprodução/ SERASA | Fevereiro 2026

***

Minha Casa, Minha Vida, Minha Ação

O mercado financeiro está olhando com atenção para as ações de construtoras que atuam no programa Minha Casa Minha Vida, como MRV, Plano & Plano, Tenda, Cury e Direcional. O objetivo dos analistas é interceptar eventuais altas expressivas na cotação dos papéis e distribuição de lucros e dividendos, graças ao aumento dos recursos que poderão vir do FGTS. O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (CCFGTS) ampliou a renda máxima de famílias que podem ser elegíveis ao programa habitacional do governo federal e os valores máximos de financiamento dos imóveis. Além disso, a reforma do Imposto de Renda, com a isenção para quem ganha até R$ 5 mil, e um provável aumento do Fundo Social, graças à alta dos royalties petrolíferos, poderá elevar o orçamento habitacional nacional para R$ 211 bilhões até 2029.

***

São Paulo também investe

Além dos recursos do governo federal, os programas habitacionais contam com dinheiro dos Estados. São Paulo, por exemplo, injetará R$ 159 milhões via Casa Paulista. O objetivo é beneficiar famílias de 62 municípios distribuídos em 14 regiões do Estado. O valor dos cheques varia entre R$ 10 mil e R$ 16 mil por família, dependendo do tamanho da cidade. A iniciativa poderá aumentar o poder de compra das famílias e aquecer ainda mais o setor de incorporadoras que atendem o segmento popular.

Assinatura de Autorizo para Aporte de Subsídios para 12 mil novas unidades habitacionais, do programa Casa Paulista – Carta de Crédito Imobiliário,com a presença do governador Tarcísio de Freitas e o secretário de Habitação, Marcelo Branco. São Paulo/SP – 26/03/2026 | Foto: João Valério/Governo do Estado de SP

***

Mercado Livre acredita no Brasil

A gigante argentina do varejo online Mercado Livre investirá R$ 57 bilhões no Brasil em 2026. O investimento recorde será 50% superior ao realizado em 2025 e terá três diretrizes: expansão da malha logística, fortalecimento da plataforma de marketplace e o avanço do Mercado Pago. O plano de expansão inclui a criação de cerca de 10 mil novos postos de trabalho e a abertura de 14 novos Centros de Distribuição Fulfillment, chegando a um total de 42 em todo o Brasil. O objetivo é aumentar a penetração do comércio eletrônico no Brasil, que atualmente gira em torno de 17% do total do varejo, muito longe de mercados como Estados Unidos (27%) e China (32%).

***

Amazon também quer

A concorrência também está se mexendo. A Amazon anunciou um investimento para expandir o programa logístico Amazon Hub Delivery no Brasil. Criado em 2024 e presente em 10 Estados,  o programa permite que estabelecimentos como minimercados, papelarias, cafeterias e salões de beleza realizem entregas em suas comunidades, utilizando estrutura própria e sem necessidade de investimento inicial, ganhando uma renda extra. A Amazon está expandindo sua rede logística no Brasil, que soma mais de 250 centros e recebeu investimentos de R$ 55 bilhões na última década.

A Amazon anunciou um investimento para expandir o programa logístico Amazon Hub Delivery no Brasil | Foto: Shutterstock

***

Todos de olho no varejo

As gigantes do comércio online estão de olho na expansão do varejo. Segundo os dados do Índice Antecedente de Vendas (IAV), elaborado pelo Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), as vendas no Brasil deverão registrar um crescimento nominal entre março e maio entre 7,3% e 2,3%. Para o IDV, o consumo foi favorecido recentemente pela melhora na intenção das famílias, mas pode perder força diante de pressões inflacionárias e de uma possível redução mais lenta da taxa básica de juros, influenciada por tensões geopolíticas. A pesquisa foi baseada nas expectativas de faturamento informadas por empresas associadas ao IDV, que representam cerca de 20% das vendas do varejo nacional.

***

Embraer escandinava

A Embraer recebeu encomenda por parte da Finnair de 46 aeronaves E195-E2. A entrega deverá começar a partir do segundo semestre de 2027. O E195-E2 substituirá a frota mais antiga da Finnair, apoiando a estratégia da companhia europeia de expandir suas operações com rentabilidade. A carteira de pedidos da Embraer está cada vez mais robusta, totalizando US$ 32 bilhões no médio prazo e garantindo entregas para vários anos.

Embraer recebeu encomenda por parte da Finnair de 46 aeronaves E195-E2 | Foto: Divulgação/Embraer

***

Suzano mineradora?

O conselho de ‌administração da Suzano, gigante da celulose ‌e do papel, aprovou uma proposta de alteração do estatuto ⁠da ‌companhia ⁠para inclusão de atividades minerais como complementação do objeto social ​do grupo. A aprovação definitiva deverá ocorrer na assembleia dos acionistas, prevista para o dia 23 de abril. O plano envolve “incluir a atividade de ⁠extração ​e ​aproveitamento, diretamente ou por ⁠meio ​de terceiros, de substâncias minerais, ​inclusive basalto, bem como o ​seu ⁠beneficiamento para a ⁠produção de cascalho, saibro e materiais correlatos”. A empresa quer regularizar a atividade de extração em áreas próprias da companhia que contêm basalto, mineral utilizado na melhoria e manutenção de estradas internas.

***

Energia renovável cresce no Brasil

A contratação de energia eólica e solar no Brasil voltou a crescer no ano passado, apesar da crise enfrentada pelo segmento. A alta foi impulsionada por uma corrida entre as empresas para fechar negócios antes de uma mudança na lei que favoreceu a autoprodução. Segundo um estudo da Clean Energy Latin America (Cela), 40 contratos de energia renovável foram assinados no mercado livre brasileiro em 2025, somando 1.207 megawatts-médios (MWmédios) negociados e 4,2 gigawatts (GW) de capacidade instalada nas usinas geradoras. Em volume de energia, as transações aumentaram 83,2% em relação a 2024, quando foram negociados 659 MWmédios, provenientes de 31 acordos celebrados e 2,3 GW de capacidade.

A contratação de energia eólica e solar no Brasil voltou a crescer no ano passado, apesar da crise enfrentada pelo segmento | Foto: Shutterstock

Leia também “A nova afronta de Lula aos EUA”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Anterior:
A direita vermelha
Próximo:
São Paulo avança na segurança pública
publicidade