Dias atrás, uma turba imensa reuniu-se em Londres para cantar louvores a um tirano teocrata assassino. Bajuladores de um homem que odiava judeus, negava o Holocausto e deu sinal verde para o massacre de mulheres. Qualquer um que ainda negue que o multiculturalismo é a sentença de morte da Grã-Bretanha deveria se juntar aos amantes despudorados da tirania estrangeira. Assim foi a celebração do Dia de Al-Quds (“Jerusalém” em árabe), a festança anual pró-teocracia em que os fãs do regime iraniano se reúnem para exaltar o aiatolá e difamar o Estado Judeu em cidades por todo o mundo. Este ano, por causa da guerra no Irã, a marcha em Londres foi proibida pelo Secretário do Interior do Reino Unido. Mas houve uma concentração à beira do Tâmisa. Fui até lá para ver com meus próprios olhos. Uma das manifestações mais hostis que já presenciei.
Muitos estavam em luto pelo “açougueiro” de Teerã: o aiatolá Khamenei, varrido do mapa por um ataque aéreo israelense em 28 de fevereiro. Sua imagem estava em toda parte. Crianças balançavam cartazes com seu rosto. Um imenso banner com sua face barbuda era um convite a se juntar a ele do “lado certo da história”. Um homem cujas milícias cruéis assassinaram milhares de inocentes há apenas dois meses sendo idolatrado como se fosse um Nelson Mandela.
“Khamenei é nosso líder”, dizia um mar de cartazes. Não é mais. Foi para o quinto dos infernos encontrar suas 72 virgens, morto pelos judeus que essa gente tanto odeia. Que tal falarmos da grave e doentia visão distópica de pessoas no Reino Unido jurando abertamente lealdade a um inimigo do Ocidente que assassina judeus e massacra civis? Podem me chamar de “islamofóbico” até cansar — para mim, isso é pura traição.

Vi também a habitual provocação antissionista barata. Cartazes clamavam: “Parem o genocídio! Tirem as mãos do Irã!”. Não é genocídio, é guerra. Uma guerra que o seu ídolo deflagrou quando o exército de antissemitas que ele financiou e armou invadiu Israel para estuprar e assassinar judeus. Quando a turba esperneia e choraminga “Genocídio!” só porque os judeus tiveram a audácia de responder às provocações fascistas de seu aiatolá sagrado, fica escancarada a autopiedade sem medida que se esconde atrás da fachada de um islamismo de “homens fortes”. Comportamento raso, frágil e covarde.
“Israel é um Estado terrorista!”, entoavam. Um deboche vindo de tolos que caem aos pés de um regime medieval que atira na cabeça de mulheres em busca de liberdade. Havia ali uma criança com um cartaz que dizia “Al-Quds será libertada” (ou “Jerusalém será libertada”). O Dia de Al-Quds foi instituído pela própria República Islâmica para gerar apoio global ao seu objetivo imperialista e insano de conquistar Jerusalém. É triste ver uma criança, que parece ter nascido na Grã-Bretanha, inocentemente dando voz ao perverso sonho antissemita de roubar Jerusalém dos judeus.
O antissemitismo inflamava a multidão. Um caminhão projetava uma imagem em vermelho-sangue de Jeffrey Epstein, Benjamin Netanyahu e Donald Trump encarando os mulás. “Guerra Mundial Epstein”, dizia. Isso é ódio aos judeus disfarçado de crítica cultural — implicando que uma rede de pedófilos judeus tenta destruir a santa República Islâmica.
Os eufemismos sobre Epstein acabaram me colocando em apuros. Vi uma senhora idosa, esquerdista eu acho, com um cartaz que dizia: “Operação Fúria Epstein. A turma de Epstein incendiará o mundo para se salvar”. A essa altura, eu estava no meu limite. “Belo cartaz antissemita”, eu disse. Começou o inferno.
A senhora me dedurou para os organizadores. Antes que eu percebesse, estava cercado por uma massa de jovens espumando de raiva. “Alguém reclamando de antissemitismo? Peguem o desgraçado!” Eles vieram para cima de mim, me empurraram e perguntaram: “Que diabo você está fazendo?”. “Observando e tirando fotos”, respondi. Eles ergueram as mãos para bloquear minha visão, me peitaram e me encararam de um jeito ameaçador. Então eu disse o que precisava ser dito: “Isso aqui não é a República Islâmica — vocês não podem calar jornalistas”.
Ali o jogo acabou para mim. A fúria era palpável. Uma chuva de palavrões — algo bem impróprio para homens religiosos, pensei. Para a minha própria segurança, a polícia teve de me escoltar para longe. A turba veio atrás. Os policiais esperaram eu sair em uma bicicleta alugada antes de voltarem para a manifestação. Dei um tchauzinho para meus assediadores teocráticos e pedalei, me perguntando: o que aconteceu com a minha cidade?
Não tive mais dúvidas sobre os dois pesos e as duas medidas que regem o identitarismo da classe dominante. Imagine se britânicos brancos tivessem se reunido para louvar um neonazista estrangeiro que se deleita com o assassinato de judeus. Ou se tivessem invadido as ruas para jurar lealdade a algum regime estrangeiro de extrema direita. O jornal The Guardian cancelaria as folgas de seus militantes disfarçados de jornalistas. O primeiro-ministro Keir Starmer prepararia uma homilia televisiva. A polícia desceria o cassetete pelas ruas. Mas quando se trata de uma minoria não branca, tudo bem. É o racismo de duplo padrão, em toda a sua glória preconceituosa e demente.
A ideologia do multiculturalismo, porém, foi flagrada hoje nas ruas de Londres. Tende-se a ver o multiculturalismo apenas como algo divisivo. Quem dera fosse só isso. O verdadeiro câncer que aflige a sociedade nasce dessa cultura de ódio do povo ao próprio povo, dessa hostilidade contra a própria nação. Simultaneamente, essa ideologia inflama o rancor dos grupos minoritários e trata a Grã-Bretanha e sua história com um desdém sarcástico, dando à luz um imenso furor antibritânico, antiocidental e antissocial. Vislumbrei isso hoje. Uma hostilidade eriçada contra mim, não apenas pelo meu “crime” de me recusar a odiar judeus, mas também pelo que eu, sem dúvida, representava para eles: “branquitude”, “britanidade” — isto é, eles mesmos. A Guerra do Irã escancarou as profundas fissuras no front interno ocidental — seria suicídio ignorá-las.

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast The Brendan O’Neill Show, também da Spiked. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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Não preciso visitar Londres para perceber que o Reino Unido caiu. Tornou-se uma republica islamica com a conivência desse rei fraco
Quando será que a Europa irá acordar pela ameaça que cresce no seu ventre?
Boa noite
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Exatamente, Ernesto, tá um saco toda hora ter que logar de novo e demora um ano pra concluir. Tá precisando melhorar isso.
A Europa Ocidental comete suicidio ao adotar a imbecil ditadura do “politicamente correto”. Renega os valores da brilhante civilização ocidental e seu passado humanamente glorioso para endeusar aiatolás e culturas inferiores com um estupido, ridículo e falso sentimento de culpa. França e Reino Unido estão cavando suas próprias sepulturas.
Am Israel Chai
O Ocidente vai vencer mais essa batalha!