publicidade
A ausência de membros do governo federal no evento Brazil–U.S. Forum on Critical Minerals, organizado pela Embaixada dos Estados Unidos, chamou a atenção e mostrou um novo esfriamento das relações bilaterais | Foto: Shutterstock
Edição 314

A nova afronta de Lula aos EUA

Enquanto isso, indústria corta investimentos e passagens aéreas sobem

O evento Brazil–U.S. Forum on Critical Minerals, organizado pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil, tornou-se o mais novo momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington. O fórum reuniu autoridades brasileiras e americanas, como o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e o encarregado de Negócios dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, além de empresários e de uma delegação de representantes-chave do governo americano. Entretanto, o governo Lula decidiu não enviar nenhum representante, alegando que o fórum era “dedicado ao setor privado”. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foram convidados, mas não compareceram. A ausência de membros do governo federal no evento chamou a atenção e mostrou um novo esfriamento das relações bilaterais.

***

A agonia do BRB

O Banco de Brasília (BRB) está negociando com o Banco Central (BC) um aumento no prazo para evitar uma intervenção. O banco público precisa realizar uma operação de aporte de capital necessária para reenquadrar a instituição dentro das regras prudenciais do setor bancário. A crise do BRB é ligada ao escândalo do Master. O banco cedeu cerca de R$ 13 bilhões ao Master em troca de papéis podres, e agora precisa se recapitalizar para respeitar os parâmetros da legislação bancária. Nesta semana, foi cancelada a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que tinha como pauta o aumento de capital da instituição. A briga judicial sobre o uso de imóveis do governo do Distrito Federal, controlador do BRB, para a criação de um fundo imobiliário que serviria de veículo para o aporte de capital provocou incertezas entre os investidores. O BRB tem até o dia 31 de março para implementar o plano de aumento de capital ou sofrerá uma intervenção por parte do BC.

***

Alerta de desabastecimento

O Sindicom, entidade que representa as principais distribuidoras de combustíveis no Brasil, alertou o governo federal sobre os riscos de desabastecimento de combustíveis por causa da guerra no Irã e pelas políticas praticadas pela Petrobras. O sindicato, que representa empresas como Vibra, Ipiranga e Raízen, pediu que sejam tomadas providências para que a Petrobras retome os leilões de diesel e gasolina, cancelados nesta semana. As distribuidoras têm observado um aumento relevante da demanda por produtos, porém relatam cortes nas cotas de fornecimento e negativa de pedidos adicionais nos meses de março e abril por parte da Petrobras.

O Sindicom alertou o governo federal sobre os riscos de desabastecimento de combustíveis por causa da guerra no Irã e pelas políticas praticadas pela Petrobras | Foto: Shutterstock

***

Indústria corta investimentos

O setor industrial brasileiro está pessimista e cortará os investimentos para os próximos anos. Segundo o levantamento Investimentos na Indústria 2025-2026, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 56% das empresas do setor industrial pretendem realizar investimentos em 2026. Um percentual inferior ao observado em 2025, quando 72% das companhias do setor efetivamente investiram. Segundo a pesquisa, 23% decidiram não fazê-lo este ano. As incertezas econômicas foram o principal entrave para a execução de investimentos pela indústria no ano passado.

***

Fabricando no Brasil

A montadora chinesa GAC começará a produzir veículos no Brasil a partir de 2027. A decisão da empresa é parte de uma estratégia de expansão global do grupo criado em 2008, mas que se tornou a sexta maior fabricante de veículos da China. A GAC fez uma parceria com a brasileira HPE e utilizará a fábrica de Catalão (GO), que já produz modelos da Mitsubishi, com previsão de produção de até 50 mil veículos por ano. No ano passado, a montadora anunciou planos de investimentos de R$ 6 bilhões em cinco anos no Brasil.

A montadora chinesa GAC começará a produzir veículos no Brasil a partir de 2027 | Foto: Divulgação

***

Guerra no Irã, passagem cara no Brasil

As passagens aéreas em rotas nacionais aumentaram em média 15% nos últimos dez dias por causa da guerra no Irã. Segundo dados do buscador de voos Viajala, por causa do fechamento do estreito de Ormuz, os preços dos combustíveis aumentaram e isso elevou o preço médio das viagens em relação aos dez dias anteriores, movimento contrário ao que tradicionalmente ocorre nesta época do ano. O Viajala analisou cerca de 400 mil buscas de voos com origem nos principais aeroportos brasileiros entre 18 de fevereiro e 15 de março.

As passagens aéreas em rotas nacionais aumentaram em média 15% nos últimos dez dias por causa da guerra no Irã | Foto: Shutterstock

***

Sabesp olha para fora

A Sabesp está de olho em grandes ativos fora do Estado de São Paulo. O presidente-executivo da companhia, Carlos Piani, manifestou interesse no processo de desestatização da mineira Copasa. Mas uma real participação da companhia depende de uma série de fatores, como a renovação de contrato de serviço da Copasa em Belo Horizonte, algo que estaria demorando para ser concluído. No Estado de São Paulo, a Sabesp se concentrará em defender sua atuação, mirando acordos menores.

***

Sicredi dos recordes

Os benefícios econômicos gerados pelo Sicredi a seus mais de 10 milhões de associados aumentaram 22% em 2025 na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 31,1 bilhões. Segundo o índice BES, calculado com base em metodologia do Banco Central e que busca mensurar a economia real proporcionada pela instituição, o montante corresponde a uma economia média de R$ 3,1 mil por associado. Do total, R$ 21,8 bilhões vieram de operações de crédito com taxas mais baixas que a média do Sistema Financeiro Nacional, outros R$ 5,8 bilhões de ganhos adicionais em depósitos e R$ 3,5 bilhões da distribuição de resultados e outras iniciativas.

Leia também “A crise do diesel no Rio Grande do Sul”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Anterior:
A aviação e o agronegócio
Próximo:
O povo do Irã está pronto
publicidade