Isso tudo aconteceu no Reino Unido só na semana passada. Em Londres, quatro homens foram presos sob suspeita de espionar judeus para a República Islâmica do Irã. No centro da capital, apoiadores desse regime brutal agrediram a socos dissidentes iranianos do lado de fora de um centro islâmico. Em Birmingham, uma multidão enfurecida incendiou a bandeira de Israel em uma vigília pelo falecido aiatolá Khamenei — “Alá é o maior!”, gritavam os amantes da tirania islâmica. Em Whitehall, mais fãs de aiatolás se reuniram — “Morte a Israel!”, berravam, maculando a nossa nação com o mote antissemita da seita assassina que governa o Irã.
O que fazia o governo trabalhista enquanto tudo isso acontecia? Criava sua nova definição de “hostilidade antimuçulmana”. Nomeava o que alguns na mídia chamam de “czar da islamofobia”, numa cruzada para evitar qualquer “estereotipagem prejudicial dos muçulmanos”. Que retrato brilhante da nossa elite covarde, sem noção e à deriva — enquanto o flagelo do islamismo continua a adoecer a nossa nação, o gabinete do primeiro-ministro propõe a defesa dos seguidores do Islã contra comentários “escandalosos”. São níveis kafkianos de desgoverno.
Alguns amantes da liberdade respiraram aliviados esta semana quando o governo revelou suas medidas para combater a “hostilidade antimuçulmana”. “Poderia ter sido pior”, disseram sobre os eventos. A palavra “islamofobia” não aparece em seus comentários. Um alívio. O termo “islamofobia” é um dos maiores tabus dos tempos modernos. É um neologismo tremendamente desonesto que vende a repressão estatal à blasfêmia contra o regime como um esforço corajoso para combater o racismo. Ao confundir a crítica ao Islã com o preconceito contra os muçulmanos, a “islamofobia” dá à sociedade civilizada uma procuração para punir qualquer um que ouse criticar o Alcorão ou fazer uma piada sobre Maomé.
No entanto, embora a nova cruzada do governo nos assegure que “não se trata apenas de proteger a religião do Islã”, ainda há uma grande preocupação. Como diz Andrew Gilligan, ainda há algo “verdadeiramente sinistro” nos esforços obstinados das autoridades para blindar exclusivamente os seguidores de uma única religião contra o deboche. A lei já “condena com veemência” o ódio e a discriminação contra os muçulmanos, diz Gilligan. Portanto, “o único propósito de uma definição ampliada [de hostilidade antimuçulmana] só pode ser criar meios de proteção especiais para uma fé que não se estendem aos seguidores de outras fés”.

É exatamente o que estamos vendo. Por exemplo, o documento do governo diz que ainda cabem “debates de interesse público”. Mas quem decide o que é de “interesse público”? E se o novo czar que governa esse assunto decidir que não é de interesse público que secularistas insolentes marchem por Londres exibindo as caricaturas satíricas de Maomé publicadas pelo Charlie Hebdo? Isso poderia ser proibido para proteger os sentimentos dos fiéis? Também se diz que a “intimidação” de muçulmanos, ainda que com palavras apenas, não deve ser tolerada. Isso incluiria páginas de redes sociais dedicadas a zombar das crenças muçulmanas? Afinal, “intimidação” tornou-se uma palavra flexível ultimamente — nossa era está infestada de almas sensíveis que se sentem “intimidadas” não apenas por comportamentos brutos, mas também por palavras ácidas e ideias dissonantes.
A nova definição condena a “estereotipagem de muçulmanos”, inclusive com base em “sua aparência”. A maioria das pessoas concorda que não é nobre ou inteligente estereotipar grupos sociais. Mas e um comediante que tira sarro do niqab? E aquela antiga coluna de jornal de Boris Johnson dizendo que mulheres de burca parecem “assaltantes de banco”? Ele foi veementemente condenado como “islamofóbico”. Hoje, poderia ele ser acusado de “hostilidade antimuçulmana”, com base em advertências expressas do governo contra qualquer “estereotipagem de muçulmanos” em razão de “sua aparência”?
A palavra “islamofobia” pode ter sumido do discurso, mas o impulso tirânico é o mesmo: vigiar os comentários sobre o Islã. Garantir que a conversa rude das massas sobre essa religião não seja muito “intimidadora”, muito “estereotipada”, muito além dos limites decretados pelo governo de acordo com o “interesse público”. Isso é uma lei antiblasfêmia disfarçada. Mais uma vez, é o policiamento do discurso laico disfarçado de antirracismo. Apesar da conversa fiada sobre liberdade de expressão, o objetivo central da nova definição é estabelecer o Islã como o único merecedor da piedade e da atenção do governo e abafar a discussão. Como diz o ministro da Justiça do partido de oposição, Nick Timothy, esse recente esforço para conceder proteção especial ao Islã é mais um “ataque à nossa liberdade de criticar, satirizar e questionar ideias”.

O anúncio de uma ofensiva burocrática contra a “hostilidade antimuçulmana” seria preocupante em qualquer circunstância. O fato de ter surgido agora, no início da Guerra do Irã, enquanto testemunhamos explosões de intolerância islâmica, é de uma imprudência espantosa. A evidência diante de nossos olhos é que a Grã-Bretanha e o Ocidente estão aflitos com o islamismo. Apreensivos diante de um grande número de pessoas com maior afinidade com os tiranos antissemitas de Teerã do que com as nações em que vivem. Onde está o czar para cuidar disso, primeiro-ministro Keir Starmer?
Enquanto se fala em “hostilidade antimuçulmana” — quem nos protegerá da hostilidade antiocidental da turba islâmica? Verter lágrimas de crocodilo sobre o “aumento do ódio” sem mencionar o ódio à própria civilização que corre nas veias do movimento islâmico e de seus aliados suicidas na esquerda burguesa é um completo disparate. É impressionante como só ouvimos o falatório da elite barulhenta sobre “ódio” quando os alvos são muçulmanos. Isso confirma o quão catastroficamente cegas essas pessoas são para o ódio contra a nossa sociedade. Contra os nossos valores. Contra os nossos cidadãos, quase cem deles assassinados por islâmicos nos últimos 20 anos. Contra as nossas meninas trabalhadoras, estupradas por gangues de paquistaneses, que as chamavam de “vadias brancas”, enquanto as autoridades faziam vista grossa. Contra os nossos compatriotas judeus, que continuam sendo as principais vítimas de crimes de ódio religioso, muitos cometidos por islâmicos.
A crise do Irã escancarou nossos problemas morais no fronte interno. Nos EUA, no Reino Unido, na Europa e na Austrália, pessoas choraram abertamente pelo aiatolá e rezaram pela derrota da América e pela destruição de Israel. Isso, sim, é ódio. É hostilidade. Esta semana houve uma explosão do lado de fora de uma sinagoga em Liège, na Bélgica. Vimos o lançamento de uma bomba caseira em Nova York, supostamente inspirado pelo Isis. Os iranianos suspeitos de espionar instituições judaicas em Londres permanecem sob custódia. E a grande preocupação é algum idiota na internet fazendo piada sobre burca? Isso é pior do que tocar harpa enquanto Roma queima. É jogar gasolina na fogueira. Ao santificar o Islã como a religião mais injustiçada, a ideologia mais merecedora de proteção especial, o governo do Reino Unido pode inflamar justamente o culto ao vitimismo que alimenta a mentalidade pró-Islã. Acham que estão combatendo o ódio quando, na verdade, o inflamam, endossando cada vez mais a autopiedade anticivilizacional dos islâmicos do Ocidente.
Que traição ao bom povo do Irã que tem sede de liberdade. Enquanto eles rezam pela queda de seus opressores islâmicos, nós condenamos a zombaria ao Islã. Enquanto arrancam seus hijabs, recriminamos a “hijabofobia”. Enquanto temermos “ofender o Islã”, seremos incapazes de defender nossos próprios valores ou prestar solidariedade aos bravos guerreiros que lutam pela liberdade na República Islâmica.

Brendan O’Neill é repórter-chefe de política da Spiked e apresentador do podcast The Brendan O’Neill Show, também da Spiked. Seu novo livro, After the Pogrom: 7 October, Israel and the Crisis of Civilisation, foi lançado em 2024. Brendan está no Instagram: @burntoakboy
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O Reino Unido acabou. Republica isamica d a gra bretanha, com a conivência d população não muçulmana, que mesmo sendo 90%, compactuaram para a eleição de pefeitos muçulmanos nasmaiores cidades .
Mesmo que ironicamente, a Inglaterra continua a emitir luz de seu imenso farol que tem funcionado por já mais de um século. O governo trabalhista indica a fragilidade em que se encontra o pais.
Alguém ainda para relembrar Margareth Thatcher?
Espero que a Europa acorde rapidamente, caso contrário todos sofrerão inclusive os que defendem o Irã.