publicidade
Foto: Shutterstock
Edição 312

Vem aí tarifaço na bomba

Enquanto isso, CSN busca empréstimo e suco de laranja inunda o mercado

Os motoristas brasileiros sofrerão em breve mais uma dor na parte mais sensível do corpo humano: o bolso. Os preços da gasolina e do diesel serão reajustados com aumentos de dois dígitos. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo para mais de US$ 82 o barril. Entretanto, por aqui a gasolina e o diesel permaneceram com o preço inalterado, acumulando dessa forma uma defasagem de cerca de 16% no caso da gasolina e de mais de 41% no caso do diesel, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). De acordo com o órgão, para se equiparar aos preços internacionais do petróleo, a Petrobras deveria elevar o diesel em R$ 1,51 o litro e a gasolina em R$ 0,47 o litro. Embora a Petrobras historicamente evite repassar de imediato a volatilidade dos preços globais para os preços locais, num cenário dessa magnitude será difícil manter os preços inalterados sem prejudicar de forma grave o balanço da estatal petrolífera.

***

Raízen será da Shell?

A Raízen, gigante brasileira de açúcar e etanol, poderá terminar sob o controle da petrolífera anglo-holandesa Shell. A operação seguiria as negociações do resgate que envolvem a joint venture e os credores, que aparentemente fracassaram. O objetivo era injetar capital novo na empresa, endividada em mais de R$ 50 bilhões. Não deu certo. A Raízen chegou a vender três projetos de usinas solares para a Brasol, empresa do setor, para tentar reciclar seu portfólio e ganhar fôlego financeiro. A Shell possui atualmente 44% da empresa, junto com a Cosan, que também controla a mesma porcentagem do capital social. O resto está na livre flutuação do mercado.

Raízen poderá terminar sob o controle da petrolífera anglo-holandesa Shell | Foto: Shutterstock

***

A fatura do Master

A conta do Banco Master, por suas operações temerárias, chegou. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que o rombo a ser coberto é de R$ 32,5 bilhões. Por isso, o FGC pediu aos bancos associados para fazer uma recomposição do seu capital. O FGC tem patrimônio em torno de R$ 125 bilhões. Desse total, Banco Master, Will Bank e Banco Pleno podem consumir ao menos R$ 52 bilhões.

***

Keeta fora do Rio

O aplicativo de entregas Keeta decidiu adiar sua estreia no Rio de Janeiro e demitir toda a equipe já contratada na capital fluminense. Cerca de 200 funcionários foram desligados depois de uma reunião tensa, na qual foi proposto o pagamento de um pacote especial de rescisão com o compromisso de não fazerem declarações negativas sobre a empresa por dois anos. O aplicativo chinês, de propriedade da gigante Meituan, informou que pretende se concentrar em São Paulo, onde emprega 1,2 mil pessoas, e que seguirá desenvolvendo suas operações.

Keeta decidiu adiar sua estreia no Rio de Janeiro e demitir toda a equipe já contratada na capital fluminense | Foto: Shutterstock

***

CSN em busca de empréstimo

A CSN estaria próxima a concluir as negociações com um grupo de bancos para obter um empréstimo entre US$ 1,35 bilhão e US$ 1,5 bilhão. O objetivo da siderúrgica é usar os recursos para quitar títulos de dívida emitidos no exterior (bonds) que vencem em abril deste ano, assim como dívidas bancárias, e recomprar parte dos bonds que vencem em 2028. A maior parte dos vencimentos em 2026 se concentra, no entanto, junto aos bancos. No balanço do terceiro trimestre do ano passado, os vencimentos com bancos somam este ano R$ 6,2 bilhões.

***

Suco de laranja inunda o mercado

Os estoques de suco de laranja brasileiro no mundo subiram mais de 75% no ano passado. A maior alta desde 2021. O resultado é fruto do recuo da demanda por causa dos preços elevados e de uma recuperação na safra. Segundo a associação de exportadores CitrusBR, após anos de safras menores, o volume estocado no dia 31 de dezembro de 2025 foi de 616.460 toneladas.

Estoques de suco de laranja brasileiro no mundo subiram mais de 75% no ano passado | Foto: Shutterstock

***

Aluguéis de galpões em alta

Os preços dos aluguéis de galpões logísticos podem aumentar cerca de 40% nos próximos meses. Essa é a previsão do BTG Pactual, que salientou que o setor vive uma forte expansão, puxada principalmente pela demanda dos grandes operadores de comércio eletrônico. Nos últimos 11 anos, a área bruta locável (ABL) saltou de 23 milhões para 53 milhões de metros quadrados, um crescimento de cerca de 130%. No mesmo período, o preço médio do aluguel subiu 43%, e a vacância passou de 12,9% para 7,1%. Um dos níveis mais baixos da série histórica.

***

Menos carne exportada

A guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã poderá ter um efeito devastador nas exportações de carne bovina brasileira. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entre 30% e 40% das exportações do produto passam, de alguma forma, pelo Oriente Médio, embora apenas 10% tenham como destino final a região. Isso ocorre porque parte das cargas faz escala ou depende de empresas sediadas localmente para seguir ao Sudeste Asiático e outros mercados. No momento, os embarques estão paralisados, e o risco de um efeito cascata negativo sobre o setor é muito elevado.

***

Nu Stadium Miami

O Nubank decidiu patrocinar o clube de futebol da Flórida, Inter Miami, onde joga o astro argentino Lionel Messi. A arena, com capacidade para 26,7 mil espectadores, será renomeada Nu Stadium. Um dos principais bancos digitais do mundo, o Nubank acaba de receber a aprovação inicial para operar nos Estados Unidos. O banco brasileiro já está presente no México e na Colômbia.

Leia também “Banco Master: a insustentável leveza de Brasília”

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Anterior:
A IA liberta o cinema brasileiro
Próximo:
“Fim da escala 6×1 não vai gerar explosão de vagas”, diz relator da PEC
publicidade