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Edição 311

A voz do povo

Todos são repórteres, testemunhas dos fatos, participantes, editores de opinião

Lula, na Índia, lançou em foro internacional o que tem insistido no Brasil: é preciso censurar as redes sociais — em nome da democracia. Ele não pronuncia “censura”; usa um eufemismo, mas a essência é a mesma. O que for crítica a ele, ao seu governo e ao PT é “discurso de ódio”, é “desinformação”. Informações oficiais é que são as verdades, baseadas em dogmas ideológicos, cheios de fé e rarefeitos de razão. Qualquer manifestação da razão que se oponha às verdades dogmáticas é considerada discurso de ódio. Além do governo do PT, o Supremo tem agido assim para calar os “antidemocráticos”. Qualquer semelhança com a Oceania de 1984 não é mera coincidência, é a ficção de George Orwell tornada profecia.  

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante coletiva de imprensa em Nova Delhi, Índia (22/02/2026) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

No Supremo, se baixa amiúde a sentença de que as redes sociais são nocivas à democracia. No mandato anterior do Poder Executivo, nunca se ouviu nada semelhante. Pelo que se conclui que a posição em relação às redes sociais separa duas correntes políticas. O poder que se deseja absoluto, o poder autoritário, o poder que não suporta crítica, o poder que não se considera a serviço do povo, esse poder abomina a rede social. Tem saudades do tempo em que redes não existiam, porque era mais simples e fácil controlar o que, em tempos antedigitais, era chamado de “opinião pública”. Eram os jornais, as revistas, a televisão, o rádio que, teoricamente, eram os porta-vozes do povo que é a origem do poder numa democracia. Eles, a mídia, eram a voz do povo. Porque o povo mesmo não tinha voz.

Na Grécia antiga, sem imprensa nem eletricidade, o povo se reunia na praça principal da cidade, na ágora, para, em democracia direta, debater com os políticos da época. Com os jornais e depois o rádio e a tevê, o povo foi ficando em casa e os políticos e ditadores se protegeram nos palácios, distantes de seus supostos patrões. Nada de ágora. Bastava conquistar apenas os intermediários para convencer o povo. Com o jornalismo verdadeiro, livre e honesto, nunca conseguiram domínio, mas sempre encontraram alguém em dificuldades financeiras, fácil de dobrar. Comprando com o dinheiro do povo. E o povo pagador de impostos, leitor, ouvinte e espectador, ficava à mercê disso. Sem contar os militantes de redação que, nas reuniões de pauta, decidem do que o povo deve ou não ter conhecimento.

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Mas aí chegaram as redes sociais. Avassaladoras. É como se cada habitante do planeta que tenha um celular também fosse assinante de todos os jornais, revistas e tivesse acesso a todas as tevês e rádios do mundo. Muito mais do que isso, a Comunicação virou comunicação verdadeira. Quando lecionei na PUC em Porto Alegre, eu sentia que o nome da Faculdade dos Meios de Comunicação Social estava errado. Deveria ser faculdade de informação social, porque até aqueles anos 1970, só existia uma via de direção: do meio de informação de massa para a audiência. Não havia reciprocidade, ida e volta. Agora há. Em tempos digitais, a informação vai e vem. Todos são repórteres, câmeras, testemunhas dos fatos, participantes, editores de opinião. Isso é ou não é o exercício do poder? E o povo não é a origem do poder? Quem não quer assim, não quer democracia, quer ser um eterno soviete supremo. Ou, pelo menos, supremo.

A manifestação pró-censura de Lula na Índia não foi a primeira na Ásia. Quem não lembra do pedido a Xi Jinping para que mandasse especialistas em censura ao Brasil para ensinar seu governo a se livrar do incômodo da voz digital do povo? O presidente do Brasil simpatiza com os governos que calam as vozes de seus cidadãos, como Cuba, Irã, Venezuela, Nicarágua. No Congresso brasileiro, não conseguiram votos para impor lei de censura às redes como o governo quer.  O Congresso não ousou contrariar a Constituição. Mas o Supremo, que se julga dono dela, ousou, não apenas “só desta vez”, mas várias vezes, vestindo a fantasia de tribunal político, confeccionada no ateliê de Barroso. No TSE, sob o comando de um ministro do Supremo, chegou a existir um apêndice oficial, com intenções clandestinas como “usar a criatividade”, por exemplo, contra esta revista digital, como se descobriu. 

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Quem quer que censure, é burro. Porque a crítica ajuda mais que o aplauso. O aplauso pode ser falso e engana. Estimula o errado a seguir no erro. A crítica alerta, avisa e ajuda a repensar, examinar, corrigir rumos. Imagine se os críticos que estavam contra o cortejo puxa-saco da Acadêmicos de Niterói conseguissem o objetivo. Os críticos teriam evitado o vexame que rebaixou a escola e Lula. Mas Lula quer processar os críticos, em vez de agradecer-lhes por terem alertado Janja e os ministros que queriam desfilar e piorar a situação. 

Sim, as redes podem conter mentiras, fofocas, calúnias, injúrias e difamações. Mas tudo isso já existia nos jornais, revistas, rádio e tevê. A diferença é que esses erros passaram a ser chamados por um coletivo em inglês, fake news, para sugerir que são coisa nova, trazida pela novidade digital. Do meu 86º ano de vida, lhe digo: Não caia nessa. Eu vi foto de disco voador na capa da revista de maior circulação do país, O Cruzeiro. Eu li o boimate, o tomateiro cujo fruto era carne bovina, na página de ciência da Veja. Além disso, nas conversas entre humanos sempre houve mentiras, fofocas, calúnias, injúrias e difamações. Na voz digital das pessoas, nessa extensão dos humanos, isso se repete. Mas não precisa de lei especial. O Código Penal tem remédio para isso. Eu recorro a ele quando põem fala na minha boca, para vender remédio. E uso o Código Civil que prevê indenizações para quem usa como seu o meu trabalho nas redes, como trabalho escravo. 

A nova voz digital já está implantada na garganta de todos. A democracia, com ela, ficou mais forte — e é instantânea. E não adianta intervenção cirúrgica para extirpá-la ou anestesiá-la. A voz digital do povo já não aceita gargantilha eletrônica. 

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2 comentários
  1. COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA
    COLETTO ASSESSORIA EM SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA

    AJUDA O AMIGO DE UMA GARRAFA COM AGUA QUE PASSARO NÃO BEBE

  2. Lourival Nascimento
    Lourival Nascimento

    Força, Ministro Mendonça! O SUPREMO TAYAYÁ MASTER FEDERAL ATOLADO EM INIQUIDADES, MAIS DIA, MENOS DIA, SERÁ CONFRONTADO POR SUA DESCABIDA FANTASIA JURÍDICA COM “SABOR” DE ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO. TOMARA QUE A HISTÓRIA SEJA IMPIEDOSA COM A CORTE!
    É imperioso lembrar o Presidente Bukele de El Salvador. “SE VOCÊ NÃO DESTITUIR OS JUÍZES CORRUPTOS, VOCÊ NÃO CONSEGUE CONSERTAR O PAÍS. ELES FORMARÃO UM CARTEL – UMA DITADURA JUDICIAL – E BARRARÃO TODAS AS REFORMAS, PROTEGENDO O SISTEMA CORRUPTO QUE OS COLOCOU NO PODER “ O dinheiro que a IMPRENSA ESTATIZADA recebe do LULA já não blinda as iniquidades do STF. Eis que surge, laxantemente, o Ministro Gilmar Mendes, ARBITRARIAMENTE, CRIATIVAMENTE, CALHORDAMENTE resgatando um Processo contra a BRASIL PARALELO arquivado há TRÊS ANOS, tirou partes do Processo e emprenhou nele o caso TOFFOLI e imediatamente mandou novamente arquivar o mesmo Processo contra a Brasil Paralelo. Laxantemente, como sempre, Gilmar Mendes cravou. “Determino o desentranhamento dos eDOCs 62 a 76, bem assim a autuação como HABEAS CORPUS e distribuição por prevenção ao presente MS. Após, arquivem-se, novamente, os autos do MS 38.187/DF. Publique-se. Brasília, 27 de fevereiro de 2026” O Juiz aposentado Wálter Maierovitch, em coluna no UOL, fez uma firula chinfrim mas não foi ao cerne da canalhice. Talvez o UOL, filho bastardo do Grupo Folha de São Paulo, não deu ao senhor Wálter Maierovitch AUTORIZAÇÃO para suas medíocres letras sobre o ESCÂNDALO parido pelo notório Gilmar Mendes. Candidamente, covardemente, servilmente, o JUIZ ajoelhou-se ao arbítrio. “Na sua decisão monocrática, o ministro Gilmar Mendes entendeu não poder uma CPI quebrar sigilos, sem autorização judicial. A jurisprudência do STF está orientada no sentido da desnecessidade de autorização judicial. Lógico, por se tratar de ato do poder Legislativo, constitucionalmente independente e autônomo” Senhor JUIZ Maierovitch, falar a verdade lhe é muito penoso, ou é covardia moral mesmo? Não ajuda o Brasil, o fato de as duas Casas do Balcão de negócios, pardieiro, chamado Congresso Nacional serem presididas pelos CORRUPTOS Hugo Motta e Davi Alcolumbre, que têm seus felpudos rabos presos em supremas e fétidas gavetas. “Corrêa: “Decisão anormal de Gilmar Mendes mostra que STF ultrapassa todos os limites para se proteger” “Lana: ‘Decisão de Gilmar contra CPI só vai aprofundar a impressão de que o STF tem muito a temer” O SUPREMO TAYAYÁ MASTER FEDERAL tem muitíssimo a esconder, IMPRENSA ESTATIZADA. Brígido: “‘Jeitinho processual’ leva ação sobre quebra de sigilos de empresa de Toffoli a gabinete de Gilmar” “Gilmar Mendes destrói credibilidade da Justiça, diz Joaquim Barbosa” “Vossa Excelência [Gilmar Mendes] não está na rua não, vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas de Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite! “STF está envolvido em “enorme escândalo”, diz The Economist. Artigo da Revista Britânica narra questionamentos sobre a atuação de ministros da Suprema Corte, incluindo Dias Toffoli e Alexandre de Moraes” Sobram ESCÂNDALOS e falta VERGONHA ao SUPREMO TAYAYÁ MASTER FEDERAL. Alcolumbre é apenas um CORRUPTO servil. Vamos a Rui Barbosa. “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. Vamos a BUKELE. “SE VOCÊ NÃO DESTITUIR OS JUÍZES CORRUPTOS, VOCÊ NÃO CONSEGUE CONSERTAR O PAÍS. ELES FORMARÃO UM CARTEL – UMA DITADURA JUDICIAL – E BARRARÃO TODAS AS REFORMAS, PROTEGENDO O SISTEMA CORRUPTO QUE OS COLOCOU NO PODER “

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