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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, discursa durante uma conferência de imprensa na qual apresenta as suas prioridades para 2026, na sede da ONU, em Nova York, EUA, em 29 de janeiro de 2026 | Foto: Reuters/Eduardo Muñoz
Edição 309

Fechem logo a ONU

A organização adotou um discurso acovardado, politicamente correto, incapaz de julgar evidentes agressores

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, enviou uma mensagem de congratulações ao Irã pela comemoração do aniversário da Revolução Islâmica de 1979, uma atitude que gerou fortes críticas de vozes iranianas anti-regime e de defensores dos direitos humanos. Em uma carta endereçada ao presidente iraniano Masoud Pezeshkian, Guterres “estendeu suas mais calorosas congratulações pelo Dia Nacional da República Islâmica do Irã”, descrevendo tais aniversários como uma oportunidade para refletir sobre o caminho de um país e suas contribuições para a comunidade internacional, de acordo com reportagens da mídia estatal e regional iraniana publicadas esta semana.

Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, se reúne com o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, nas Nações Unidas, em Nova York, Nova York | Foto: Shutterstock

A mensagem chega semanas depois de o principal órgão de direitos humanos da ONU condenar o Irã por abusos relacionados à repressão violenta dos protestos antigovernamentais e determinar uma investigação mais aprofundada sobre supostas violações, com alguns relatos citando números de vítimas que poderiam chegar a 30 mil, pendente de verificação. “A mensagem congratulatória do secretário-geral da ONU não é mera rotina diplomática — é absurdamente insensível”, disse a analista iraniana Banafsheh Zand. “Em um momento em que o povo iraniano continua a sofrer execuções, repressão e abusos sistêmicos nas mãos da República Islâmica, oferecer congratulações formais aos arquitetos desse sofrimento soa como uma falha moral.” Zand acrescentou que tais gestos “minam a credibilidade [da ONU] e aprofundam a ferida para aqueles que ainda lutam pela liberdade dentro do Irã”.

Andrew Ghalili, diretor de políticas da União Nacional pela Democracia no Irã (NUFDI), afirmou que a mensagem equivalia a legitimar um sistema repressivo. O regime dos aiatolás xiitas é um dos mais nefastos do mundo — o maior financiador do terrorismo no Oriente Médio. Grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah dependem da ajuda iraniana. Inúmeras vezes, o regime dos aiatolás já declarou como intenção “varrer Israel do mapa”. Não obstante, o secretário-geral da ONU, o socialista Guterres, achou adequado dar os parabéns pelo aniversário da “revolução”.

A Organização das Nações Unidas, herdeira da falecida Liga das Nações, foi criada com a melhor das intenções: servir como um instrumento de busca da paz mundial após a Segunda Guerra. Será que ela atendeu aos anseios originais de seus criadores? Será que o legado da ONU tem sido positivo? A resposta do israelense Dore Gold, que atuou em diversas funções diplomáticas, é um retumbante “não”.

Em seu livro Tower of Babble (“Torre de Babel”), ele argumenta que a ONU foi completamente desvirtuada e acabou contribuindo para instigar o caos global. O histórico da ONU, especialmente o mais recente, após o término da Guerra Fria, é uma sucessão de fiascos: Bósnia, Ruanda, Somália. Por quê? De forma bastante resumida, o fracasso da ONU se deve à perda de sua clareza moral, presente na sua origem. Em um mundo dicotômico, com os aliados de um lado e os fascistas do outro, era mais fácil defender o certo e o errado de forma objetiva. Tal clareza foi substituída, com o tempo, pelo atual relativismo moral exacerbado em que, em nome da “imparcialidade”, ninguém mais deve tomar partido.

Agressor e agredido viraram conceitos muito elásticos, confusos, e o cinza absorveu qualquer chance de divisão entre preto e branco. A ONU adotou um discurso acovardado, politicamente correto, incapaz de julgar evidentes agressores. Ela não se mostrou à altura do desafio de combater o terrorismo islâmico, por exemplo, pois lhe falta convicção sobre a própria existência do inimigo. Enquanto isso, não falta energia na ONU para denunciar Israel, a única democracia da região.

Grupos terroristas como o Hamas e o Hezbollah dependem da ajuda iraniana | Foto: Shutterstock

Com essa postura de falsa “equivalência moral” entre agressores e agredidos, tomada pela maioria numérica de países antiamericanos e antissemitas e envolta em escândalos de corrupção, como encarar a ONU como uma esperança pela paz? E, sabendo disso tudo, como condenar países como Estados Unidos, Israel e Inglaterra, que precisam, muitas vezes, ignorar a ONU para sobreviver?

Nesse contexto, fica mais clara a estratégia de Donald Trump de tentar esvaziar a ONU e criar uma nova aliança pela paz, sob a liderança dos Estados Unidos. É triste constatar isso, mas a verdade é que a ONU não serve mais para nada! Melhor ser fechada mesmo…

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10 comentários
  1. Jaime Moreira Filho
    Jaime Moreira Filho

    Uma dúvida:
    “A ONU adotou um discurso acovardado, politicamente correto, incapaz de julgar evidentes agressores”. – como subtítulo e no meio do texto.
    Se é politicamente correto, não poderia ser acovardado
    Se é politicamente correto não poderia ser incapaz de julgar evidentes agressores.

  2. Amadeu Duran Muchon
    Amadeu Duran Muchon

    A atitude pusilânime de Guterres em nada contribui para tornar o mundo mais seguro

  3. Adriano M G A
    Adriano M G A

    Obrigado Constantino! Sempre muito lúcido!!! A ONU não representa mais a busca pela paz, e sim a busca pela própria relevância em um mundo onde cada vez mais a ignora….. Israel e EUA são os bastiões dos valores ocidentais que devem sempre ser exaltados!!!! E ambos tem lutado praticamente sozinhos contra a podridão da ONU e seus relacionados terroristas!!!! Por isso, é tão importante que pessoas como vc tragam informação clara para a população, pois a depender da mídia tradicional, estamos todos na pior!!!

  4. DONIZETE LOURENCO
    DONIZETE LOURENCO

    Que na ONU aconteça o mesmo que em outras situações de fim de linha… o último apaga a luz.
    O projeto de construção da sede da ONU em Nova Yorque de 1952, teve a participação do aruqiteto brasileiro Oscar Niemeyer, comunista do Leblon que usava Rolex e tomava uisque 30 anos.
    Como dizia minha avó: pau que nasce torto, morre torto.

  5. Miriam sanger
    Miriam sanger

    Parabéns pelo artigo, Constantino!
    O Irã é membro do comitê de Direitos Humanos da ONU. Isso, por si só, já é um atestado de inadequação, para usar uma palavra delicada.
    Felizmente, a ONU está a caminho da falência. Vai morrer (e que seja em breve, amén) por falta de recursos, deixando uma enorme dívida para trás.
    É o fim que merece.

  6. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Constantino tá coberto de razão a onu já serviu quando foi fundada, hoje é comunista terrorista. Donald Trump é mais importante do que ela, tá fazendo um trabalho relevante pela paz no mundo

  7. Elizabeth RRio
    Elizabeth RRio

    Constantino, ou você se enganou ao traduzir ou o editor “corrigiu” a sua tradução de “Tower of Babble”. Creio que seria “Torre de Balbucios”.

  8. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Discordo apenas da frase “a ONU não serve mais para nada”. Serve, sim, para promover as políticas anti-ocidentais, para apoiar o terrorismo, para engrandecer a China, para promover o globalismo nocivo, as pautas “progressistas”, etc. Quanto ao Guterres, uma lástima, uma vergonha imensa para os meus patrícios, eu que sou luso-brasileiro. Mas, afinal, quem pode atirar a primeira pedra? No Brasil temos o lula, em pessoa, além de outros…

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