Próximo às cinco da tarde de 1º de fevereiro de 1908, o rei Dom Carlos I e o seu herdeiro, o príncipe Luís Filipe, foram assassinados no momento em que a sua carruagem passava na Praça do Comércio (na época conhecida como Terreiro do Paço), em Lisboa. O evento foi um dos acontecimentos mais trágicos e decisivos da história política de Portugal e ficou conhecido como Regicídio de Lisboa.
O primeiro disparo atingiu o rei D. Carlos I na cabeça e foi fatal. O príncipe Luís Filipe recebeu vários tiros — no pescoço e no peito — e morreu pouco depois. A rainha, D. Amélia de Orleães, foi ferida, mas sobreviveu. O infante Manuel sobreviveu ileso à investida e, no mesmo dia, foi aclamado como rei D. Manuel II, aos 18 anos.

Os assassinos foram identificados como Manuel Buíça, ex‑militar, e Alfredo Luís da Costa. Ambos foram mortos pela polícia durante uma perseguição. Investigações posteriores ligaram vários conspiradores e células republicanas secretas à trama. O contexto era de intensa insatisfação com a monarquia. A Casa de Bragança ocupava o trono do país desde dezembro de 1640, mas a incapacidade do rei D. Carlos I de lidar com os problemas políticos e econômicos que assolavam Portugal na época fomentou uma crescente agitação social com ideias republicanas.

O regicídio não foi apenas um crime: foi um corte na narrativa pública de Portugal, responsável por acelerar a queda do regime monárquico. A breve tentativa de restaurar a autoridade foi um fracasso. O apoio à coroa já estava desgastado. Em outubro de 1910, a Monarquia foi derrubada pela Revolução Republicana e D. Manuel II partiu para o exílio. A dinastia vigente ao longo de 270 anos foi encerrada.
Assim, aquele fim de tarde no Terreiro do Paço ficou gravado — tanto pela violência súbita quanto pelas consequências históricas que abriram caminho à República dois anos depois.

Daniela Giorno é diretora de arte de Oeste e, a cada edição, seleciona uma imagem relevante na semana. São fotografias esteticamente interessantes, clássicas ou que simplesmente merecem ser vistas, revistas ou conhecidas.
Leia também “Imagem da Semana: o ano em fotos”




Seja bem-vinda!
Ótimo retorno!
Senti sua falta com boas histórias e fotos melhores ainda!
O mais importante de tudo é o poder, agora depende da forma de que quem exerce pra agradar a nação e até os outros países. A vida não vale nada
Bem-vinda de volta, Daniela Giorno. Eu estava sentindo falta da Imagem da Semana.
Que bom que você voltou. Cheguei a pensar que tinha saído da Oeste.
Gosto demais dessas janelas que mostram quadros específicos da história. Como a sua é a primeira reportagem que eu vejo, senti falta.
Quero parabenizar seu trabalho novamente, pela competência e detalhamento.