As promessas delirantes nos campos da tecnologia e ciência que temos ouvido nos últimos anos entram em 2026 com a perspectiva real de serem concretizadas. E elas podem mudar tudo, da conquista do espaço às nossas vidas pessoais. O câncer, por exemplo, está sendo cercado por soluções práticas de cura. As ditaduras que querem isolar países inteiros do resto do mundo também.
Aqui vai um resumo das principais perspectivas para o ano.
1 – Computação quântica na prática

Essa é uma promessa que pode se realizar neste 2026. Se os computadores que conhecemos já estão realizando milagres, os quânticos vão dar um salto em áreas como medicina, meteorologia, finanças — e esse vai ser apenas o começo da grande transformação. Computadores convencionais trabalham com duas possibilidades — zero e um. Os quânticos têm à disposição a capacidade de trabalhar com tudo o que vem entre zero e um. E até criar realidades paralelas. Até agora está sendo uma promessa. Mas a IBM garante que, até o fim do ano, vai mostrar que a computação quântica se tornou uma realidade. Nessa primeira fase, a nova tecnologia não vai estar nas casas, mas em poucas instituições de vanguarda, produzindo simulações químicas e físicas, realizando otimização logística e financeira e avançando a pesquisa farmacêutica.
2 – Materiais que se curam
Imagine sua geladeira sendo amassada e se consertando sozinha. Essa possibilidade já é real e multiplica seu potencial em combinação com a IoT, a “internet das coisas”. Sensores detectam danos e ativam reparos autônomos em infraestruturas, como pontes e edifícios, sem intervenção humana. Na indústria, coatings anticorrosivos com microcápsulas curam rachaduras, reduzindo custos em 30%. Mesmo estruturas de concreto vão contar com bactérias incorporadas que regeneram fissuras. Esse mercado está no início, mas a previsão é que o setor gere US$ 1,3 bilhão até 2034.
3 – Ascensão do hidrogênio como combustível
O hidrogênio é quase um milagre na geração de energia — barato, não polui e se encontra praticamente em qualquer lugar. O processo consiste em separar os átomos de hidrogênio e oxigênio com um aparelho chamado eletrólito. O hidrogênio é transformado em gás comprimido, líquido gelado ou mesmo sólido. O uso do hidrogênio como fonte de energia, chamado de “hidrogênio verde”, é outra promessa que está se concretizando neste ano de 2026. Segundo a revista britânica How it Works, a Holanda está apostando nessa tecnologia e pretende produzir 300 toneladas de “hidrogênio verde” por ano. A Arábia Saudita tem um objetivo muito mais ousado: sua planta de eletrólitos está capacitada a produzir 600 toneladas de hidrogênio verde — por dia.
4 – A química em novo capítulo

Com a ajuda da tecnologia de IA, a química está mudando de fase, deixando de ser apenas um objeto de pesquisa de laboratório para apresentar materiais de uso prático, dirigidos para a indústria. Está produzindo, por exemplo, o grafeno, que é até 200 vezes mais resistente que o aço, e ao mesmo tempo leve e flexível. Essa evolução vai impactar a engenharia, possibilitando edifícios mais resistentes a terremotos.
5 – Os carros-bateria
Atualmente, todo carro tem uma bateria de lítio para fornecer energia elétrica para que o motor, o sistema de navegação e a mídia funcionem. Um dia, eventualmente, a bateria se esgota e precisa ser trocada. Uma nova tecnologia conhecida como SBC (structural battery composites, ou “compósitos estruturais de baterias”) pode mudar esse panorama radicalmente. Painéis elétricos seriam instalados nos painéis dos veículos ou mesmo na carroceria, para acumular energia. Ou seja, o carro se transformaria numa grande bateria. Cientistas e técnicos já estão adaptando esse princípio para aviões. Pesquisas estão avançando também para a criação de bateria de sódio, que dispensa o lítio (um elemento que gera conflitos geopolíticos) e depende basicamente de sal como matéria-prima.
6 – Enzimas por encomenda

Enzimas são proteínas produzidas naturalmente pelo corpo humano para acelerar processos como a digestão. Segundo a How It Works, empresas como a Level Nine Labs e a Cenyx Biotech estão trabalhando na criação de nanoenzimas — enzimas artificiais criadas para funções específicas, como atacar células cancerígenas ou a liberação de insulina para diabéticos. O processo ainda é experimental, mas o primeiro passo prático pode vir este ano através da empresa Cenyx Biotech — criadora da nanoenzima CX213, destinada a combater um tipo específico de inflamação cerebral.
7 – Plástico liberado
O plástico é atualmente o grande vilão ambiental. A presença do material no oceano é especialmente nociva. Ao mesmo tempo, o plástico é extremamente útil e necessário. O ano de 2026 vai ver a evolução de plásticos biodegradáveis e recicláveis feitos de materiais naturais como amido de milho, cana-de-açúcar, algas e resíduos agrícolas.
8 – Remédios por encomenda
Remédios até agora costumam ser soluções genéricas. “O comprimido X acaba com todas as gripes!” Agora imagine um remédio por encomenda feito com suas células sadias. É o princípio do ELT (engineered living therapeutics, ou “terapias vivas projetadas”). Através desse sistema, os cientistas podem, por exemplo, extrair as células imunes de um paciente e reprogramar o DNA delas para caçar células de câncer. Segundo o New England Journal of Medicine, 77% dos pacientes de câncer entraram em remissão com esse tratamento. Laboratórios como Moderna e BioNTech estão trabalhando no que pode ser considerado uma vacina contra o câncer, a chamada imuno-oncologia. É um passo gigantesco para quem esperava o câncer aparecer antes de tomar uma atitude. Outra grande notícia: este ano também deverá ser apresentado o resultado definitivo para o processo de detecção de 50 tipos de câncer com um exame de sangue.
Em 2026, já se anunciam os testes em larga escala de redes 6G. A velocidade que conhecemos hoje alcançará outro patamar.
9 – Fábricas de miniusinas nucleares
A energia nuclear foi amaldiçoada após desastres como os da usina Three Mile Island (nos EUA) e Chernobyl (na extinta União Soviética). Hoje até radicais do ambientalismo entenderam que usinas nucleares são fontes limpas de energia, além de seguras — desde que bem administradas, claro. Mas costumam ser construções gigantescas e caras. Os SMRs (small modular reactors, ou “pequenos reatores modulares”) são muito mais práticos e têm um quarto do tamanho das usinas normais. Ao contrário das enormes usinas convencionais, os SMRs podem ser produzidos em fábricas e despachados para transporte, possibilitando que atendam a locais carentes de energia. Por enquanto, só a China e a Rússia possuem essas miniusinas em funcionamento. Mas, neste ano de 2026, a França vai colocar o Ocidente nesse mapa, com o início da construção de 30 delas.
10 – Editores genéticos
Doenças estão sempre ligadas a problemas genéticos. A edição genética, como o nome diz, conserta nossos defeitos usando o RNA (ácido ribonucleico) e uma enzima chamada Cas9. Essa tecnologia nasceu nos anos 1990, mas por um bom tempo foi atrapalhada pelo conceito de que a edição genética seria usada para criar filhos loiros de olhos azuis. Felizmente, essa bobagem parece ter sido superada, e hoje a técnica conta com um parceiro poderoso — a inteligência artificial. A mesma parceria está sendo usada para criar vegetais resistentes ao clima, na agricultura de alta tecnologia.
11 – Água na Lua

A exploração espacial, que andou meio morna em 2025, vai acelerar este ano. A Agência Espacial Europeia (ESA) vai lançar o telescópio Plato (planetary transits and oscillations of stars, ou “trânsitos planetários e oscilações estelares”), voltado para a descoberta de planetas habitáveis, monitorando milhares de estrelas com precisão inédita para detectar mundos semelhantes à Terra. Os japoneses vão explorar com sondas as fascinantes luas de Marte, Fobos e Deimos. A SpaceX retoma suas missões para colonizar Marte. E a Nasa avança este ano com o projeto Artemis II, destinado a colocar humanos na Lua em 2027. A China, que está nessa corrida, vai lançar em agosto a sonda Chang’e-7 destinada a achar água no polo sul do satélite da Terra.
12 – Celulares chegam ao 6G
Há apenas três anos e meio, a tecnologia 5G foi instalada no sistema de telefonia brasileiro e parecia uma solução definitiva. Em 2026, já se anunciam os testes em larga escala de redes 6G. A velocidade que conhecemos hoje alcançará outro patamar e passará a ser usada em aplicações que só vimos na ficção científica, como holografias em tempo real e realidade estendida (XR) — a capacidade de observar algo com informações adicionais no visor. A telemedicina poderá dar um salto também, com cirurgias em tempo real. E a combinação de satélites e malhas terrestres com o uso do 6G vai criar a chamada arquitetura “espaço-ar-solo-mar”, visando a uma cobertura global de internet. Péssima notícia para ditadores.
dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi
Leia também “O tempo do smartwatch“




Antes dessa tecnologia é necessário que inventem uma pra a esquerda derreter por si só