A Venezuela já foi um país rico, estável e cheio de perspectivas. Quem viveu isso sabe — e não esquece. Com a chegada do regime socialista de Hugo Chávez nos anos 1990 e sua consolidação sob Nicolás Maduro depois da morte de Chávez, em 2013, o país passou a ser sinônimo de ditadura, colapso econômico e perseguição a opositores.
A prisão de Maduro por autoridades dos Estados Unidos, em 3 de janeiro, foi recebida com comemorações por boa parte da população venezuelana. As redes sociais foram inundadas por vídeos de celebração e análises do episódio. Em contraste, a esquerda manteve seu discurso de superioridade moral e desconsiderou a voz de quem sofreu diretamente sob o regime. Passaram a alegar que a ação encabeçada por Donald Trump colocaria em risco o petróleo venezuelano e levaria o país à ruína — como se os próprios venezuelanos não fossem capazes de avaliar a realidade que viveram por décadas. A história e os relatos de quem fugiu do regime chavista, no entanto, mostram uma visão completamente diferente.
Nas décadas de 1960 e 1970, a Venezuela figurava como o país mais rico da América Latina. Seu Produto Interno Bruto (PIB) superava o de nações como França, Grécia e Israel. A prosperidade era sustentada pelas vastas reservas de petróleo, que atraíram empresas internacionais e impulsionaram o desenvolvimento econômico. Com a economia em expansão e indicadores sociais em melhora contínua, o país passou a ser conhecido como “Venezuela Saudita”, em referência ao dinamismo econômico semelhante ao de países do Oriente Médio ricos em petróleo.
Mesmo diante das instabilidades enfrentadas nos anos 1980 e 1990, a economia venezuelana manteve relativa estabilidade. A crise política do período, no entanto, abriu caminho para a chegada do socialista Hugo Chávez ao poder. Nos primeiros anos de seu governo, fatores como a alta do preço do barril de petróleo e a permanência de investimentos privados ainda sustentaram um cenário favorável. Em 2004, o país chegou a registrar superávit fiscal. Poucos anos depois, porém, a qualidade de vida da população passou a se deteriorar de forma acelerada.
A partir de 2009, Chávez iniciou a expulsão de empresas estrangeiras sob diferentes justificativas e promoveu uma ampla onda de estatizações. O impacto foi imediato: fechamento de postos de trabalho, retração do setor produtivo e avanço da pobreza. Depois da morte de Chávez e da ascensão de Nicolás Maduro, a crise econômica se aprofundou. Paralelamente, as instituições passaram a ser sistematicamente aparelhadas, culminando na consolidação de um regime autoritário marcado por repressão política e perseguição a opositores.
Diante desse cenário, milhões de venezuelanos foram forçados a deixar um país que um dia foi livre, próspero e economicamente vibrante. Estimativas da Organização das Nações Unidas indicam que pelo menos 8,6 milhões de venezuelanos vivem hoje fora da Venezuela. O Brasil abriga 732 mil deles. Muitos carregam o peso de terem deixado para trás famílias, histórias e raízes, em busca de sobrevivência depois da destruição promovida pelo regime.
Raízes cortadas

Oeste conversou com três venezuelanos que precisaram deixar o país por causa da precariedade das condições de vida no regime chavista.
Alejandra Fernandez vive no Brasil há 14 anos e deixou a Venezuela antes de Maduro assumir o poder. Ela afirmou que decidiu migrar diante da falta de oportunidades nos últimos anos do governo Chávez, quando já não enxergava perspectivas de crescimento profissional ou educacional.
À época, Alejandra sobrevivia de trabalhos informais, pois o custo de vida era alto e, segundo relatou, “um salário mínimo não era suficiente”. Provedora da casa, também ajudava a mãe, que enfrentava um tratamento contra o câncer. A mudança para o Brasil ocorreu quando surgiu o que ela define como uma oportunidade do tipo “ou pegar ou largar”. Ela também acompanhou o início da expulsão e expropriação de empresas estrangeiras, tendo perdido o emprego em um banco ligado a grupos internacionais após a saída forçada da empresa do país.
Alejandra observou que a experiência venezuelana varia conforme a geração. Enquanto pessoas mais velhas ainda se lembram de um país próspero até meados dos anos 2000, outros viveram a escassez extrema a partir de 2014 — quando, segundo ela, “havia dinheiro, mas não havia o que comprar”. Ela critica a narrativa de setores da esquerda de que os Estados Unidos estariam interessados apenas no petróleo, por considerar que esse discurso minimiza os horrores vividos pela população nos últimos anos.
“Se querem o petróleo, podem pegar”, disse. “A Venezuela não é só petróleo. O venezuelano não se beneficia dele há mais de 25 anos. Na verdade, o petróleo é uma maldição, porque se fosse uma bênção, milhões de venezuelanos não teriam migrado.”


Já Nelson Suarez vive no Brasil desde 2020. Ele conseguiu deixar a Venezuela com a ajuda da família, que reuniu recursos para viabilizar a viagem. Inicialmente, ele se estabeleceu em Manaus, onde tentou abrir uma pequena empresa. O negócio, no entanto, não resistiu à pandemia.
Com o pouco dinheiro que restou, Nelson seguiu para São Paulo, onde foi acolhido por compatriotas. O início foi difícil: a pandemia ainda impactava o país, havia atrasos na documentação e a barreira do idioma dificultava a regularização. “Foi um período muito complicado, mas consegui resolver tudo”, relatou. “Hoje vivo com dignidade e sou feliz no Brasil. Gosto muito do país e do povo maravilhoso que me acolheu.”
Para Nelson, a Venezuela já enfrentava problemas econômicos antes do chavismo por ser, segundo ele, uma socialdemocracia marcada por excesso de regulações que dificultavam o crescimento. Com a adoção total do socialismo, porém, a crise se acelerou, impulsionada pelo aumento da burocracia estatal e pelo sufocamento da economia, resultando no êxodo em massa. “Não podemos ter medo da liberdade”, disse. “Ela é o único caminho para o desenvolvimento.”
Na sua avaliação, as ações do governo de Donald Trump estão corretas, uma vez que a Venezuela passou a representar um risco ao abrigar inimigos declarados dos Estados Unidos.
“Os regimes de Chávez e Maduro são torturadores, violadores de direitos humanos, acusados de crimes contra a humanidade”, declarou. “Com a ação dos EUA, ainda não podemos cantar vitória, mas há esperança no fim do túnel para recuperar aquele país maravilhoso, cheio de riquezas e de gente boa, que só quer viver e prosperar.”
Manifestações espontâneas de venezuelanos registradas em países da América Latina foram marcadas por comemoração, alívio e sensação de justiça.
Roswald Guzmán deixou a Venezuela em junho de 2022 com a mulher, Silvia, que estava grávida. Segundo ele, as condições de vida no país já não permitiam oferecer um futuro minimamente digno à criança. Hoje, a família vive na região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. Ele e a mulher têm trabalho estável, o filho frequenta a escola e a família conta com serviços básicos garantidos. “Aqui as condições são muito mais estáveis”, resumiu.
Ao avaliar a situação política da Venezuela, Roswald afirmou que o regime socialista deteriorou deliberadamente setores produtivos estratégicos para exercer controle total sobre a população e viabilizar um projeto totalitário. Ele também aponta a associação do governo com o regime cubano e grupos criminosos internacionais. “Foi nesse momento que o país foi sequestrado de forma escancarada”, afirmou. Segundo ele, o sentimento dominante era de impotência. “As pessoas não imaginam o potencial destrutivo dessa ideologia. Quem viveu na Venezuela, em Cuba ou na Nicarágua perde qualquer vontade de defendê-la.”
Sobre a narrativa de interferência estrangeira motivada pelo petróleo, Roswald disse não enxergar fundamento. Ele lembrou que, quando os Estados Unidos e países europeus eram parceiros comerciais e energéticos da Venezuela, o país vivia um período de prosperidade. Para ele, o que ocorreu recentemente foi a responsabilização de um regime que já havia destruído a nação. “O país já estava sequestrado”, declarou. “O que houve foi a prisão de um criminoso procurado pela Justiça americana.”
Ele também critica quem condena a interferência dos Estados Unidos sem nunca ter vivido sob o regime chavista. “É fácil opinar à distância, vivendo em países democráticos, com direitos garantidos”, disse. “Muitas das pessoas que criticam isso nunca viveram na Venezuela e apenas repetem o que é propagado por meios de comunicação de viés esquerdista.”
Os “protestos” a favor de Maduro

As ações dos Estados Unidos desencadearam um fenômeno curioso: protestos em defesa do ditador Nicolás Maduro em países considerados desenvolvidos. Em todos os atos, a narrativa se repetiu. Manifestantes classificaram a prisão como um “sequestro”, acusaram os Estados Unidos de agir por interesse no petróleo e afirmaram que Donald Trump pretendia “dominar a América Latina”.
Segundo a Fox News, que analisou publicações minuto a minuto nas redes sociais após o anúncio da prisão, organizações de esquerda — algumas com vínculos diretos com o regime chavista — conseguiram mobilizar protestos em apenas 12 horas. Cartazes e materiais de convocação foram produzidos rapidamente para um “dia de ação de emergência” em Nova York, Washington e 100 outras cidades, em uma operação marcada por “velocidade e disciplina incomuns”.
Especialistas ouvidos pela emissora afirmaram que a sequência de eventos apresenta indícios de uma rede de influência já estruturada, acionada para uma resposta rápida. A avaliação foi reforçada pelo The New York Post, que identificou a atuação da ONG The People’s Forum na organização dos protestos. Segundo o jornal, a entidade mantém vínculos estreitos com a China, esteve à frente de manifestações anti-Israel em diferentes regiões dos Estados Unidos e é suspeita de receber cerca de US$ 20 milhões de um empresário radicado em Xangai para financiar ações políticas no país.
O retrato da farsa começou a ser montado dias antes da prisão de Nicolás Maduro. Em um vídeo que circula nas redes sociais, um venezuelano registra um protesto contra as ações dos Estados Unidos realizado na Suíça, em 17 de dezembro. Ele perguntou repetidas vezes se havia algum venezuelano entre os manifestantes. A resposta veio como esperado: nenhum deles era. Ao afirmar que foi perseguido e torturado pelo regime de Maduro, o homem provoca a reação do grupo, que se exalta e tenta cercá-lo.
Em contraste, manifestações espontâneas de venezuelanos registradas em países da América Latina foram marcadas por comemoração, alívio e sensação de justiça diante da prisão de Maduro. Eles sabem o que é viver sob um regime socialista em pleno século 21.
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Que os brasileiros lutem para que o Brasil não se torne uma Venezuela!Estamos à caminho, entretanto, ainda temos liberdade, opositores que estão se manifestando, nem Cuba nos vigiando. Mas a.esquerda já começou a doutrinação nas escolas, universidades e,mesmo, em setores mais ricos da sociedade! Vamos à luta! E a Direita tem que se unir!
Excelente artigo Rachel Dias,fácil criticar Trump quando você não sabe nada sobre a Venezuela. Quando você através de conhecimento real e informações sabe o que acontece nas Ditaduras pelo mundo vai apoiar sim a única mão que teve a humanidade e dignidade de protegê-los. Os EUA não capturou Maduro pelo petróleo, capturou um violador de direitos humanos que compactuava com narcotraficantes.