Fazia apenas nove meses que o novo século havia começado quando o mundo assistiu estupefato à queda das Torres Gêmeas, em Nova York. Era a prova de que os Estados Unidos — alicerce do mundo democrático — não eram invulneráveis. Foi também a inauguração de um novo tempo: o do terrorismo como espetáculo.
De Madri a Paris, de Londres a Nice, de Barcelona a Bruxelas, nenhuma grande cidade parecia totalmente segura. Ainda assim, em vez de enfrentar o problema com medidas como a limitação da imigração descontrolada, o monitoramento de sermões em mesquitas e a expulsão de imãs radicais, muitos governos — sobretudo os europeus — decidiram seguir o caminho oposto.
Atualmente, 25% dos habitantes da Alemanha não nasceram no país ou pelo menos um dos seus pais é imigrante (no Brasil, esse número é de somente 0,5% da população), como mostra a reportagem de Carlo Cauti. Em 1999, havia cerca de 1,5 milhão de imigrantes muçulmanos no Reino Unido; hoje, são aproximadamente 4 milhões. Na França, o contingente saltou de 4 milhões para cerca de 10 milhões — sem contar os clandestinos, que não aparecem nas estatísticas oficiais.
“O que é certo é que Mohammed se tornou o nome mais usado entre recém-nascidos em vários países europeus”, observa Cauti. “Se em 1965 existiam apenas cinco mesquitas em todo o território francês, em 2000 eram pouco mais de mil. Em 2025, esse número já se aproximou de 3 mil.”
Este começo de século também ficará marcado pela volta de um antissemitismo letal. Brendan O’Neill constata que 2025 foi o ano em que o sadismo racista do 7 de outubro se globalizou. “Nos EUA, no Reino Unido e na Austrália, mini ‘7 de outubros’ explodiram, causando uma devastação cruel na vida judaica”, escreve. “Já não é possível negar que o antissemitismo islamista representa uma ameaça grave ao Ocidente moderno.”
Mas os últimos 25 anos não transformaram apenas a geopolítica. Mudaram profundamente o modo de trabalhar, de consumir, de se informar, de se relacionar e de aprender. Não se trata apenas de uma sucessão de eventos grandiosos — terrorismo, pandemia, guerra na Ucrânia, crises econômicas e reviravoltas políticas. Trata-se de algo verdadeiramente disruptivo.
A tecnologia é o fio condutor dessa transformação. A internet deixou de ser novidade e passou a organizar o cotidiano. O celular concentrou funções antes dispersas e se tornou a principal interface entre o indivíduo e o mundo. O streaming alterou de forma definitiva o consumo cultural, substituindo a programação fixa pelo acesso sob demanda. As redes sociais reduziram o papel dos editores e ampliaram o poder dos algoritmos, afetando a circulação da informação e a formação de reputações. Mais recentemente, a inteligência artificial — popularizada com o ChatGPT — colocou nas mãos de qualquer pessoa o que, até ontem, era privilégio de especialistas: um segundo cérebro disponível 24 horas por dia.
Nesta edição, mostramos esse fenômeno por ângulos diferentes — e complementares. Dagomir Marquezi explica por que as novas tecnologias foram a grande mola transformadora do período. Lojas físicas cederam espaço ao e-commerce. O home office e as aulas online impediram que a economia colapsasse durante a pandemia de covid-19. O Pix revolucionou as transações financeiras. E surgiram comodidades que hoje parecem banais, mas não existiam até poucos anos atrás: Uber, Google, iFood, WhatsApp, Mercado Livre, Netflix, Spotify, YouTube.
A vida off-line é uma realidade que os nascidos a partir da geração Z jamais conhecerão. “Essa geração cresceu em um ambiente no qual a mediação tecnológica já estava dada”, observa Mateus Conte. “Celulares e redes sociais não surgiram como novidade a ser incorporada, mas como parte constitutiva do cotidiano desde os primeiros anos. A infância e a adolescência transcorreram sob um fluxo contínuo de informação e interação digital, que passou a estruturar rotinas, sociabilidades e formas de acesso ao mundo.”
Embora a igreja muitas vezes seja retratada como uma barreira ao progresso, em vez de uma fonte de esperança e verdade, como mostra Rodrigo Constantino, Ana Paula Henkel afirma que o Cristianismo passou a disputar espaço no mesmo terreno em que hoje se travam todas as batalhas: o digital. A tecnologia, que ajudou a dissolver comunidades e hábitos, também abriu novas formas de presença, de encontro e de formação. Em um tempo de isolamento, ela permitiu reconexão.
A geração Z também cresceu sob o politicamente correto e o autoritarismo woke, quando palavras, gestos e posicionamentos passaram a carregar peso ideológico imediato, e a adesão pública a determinadas causas se converteu em sinal de virtude social. Rachel Díaz escreve sobre o surgimento — e o início do ocaso — dessa forma moderna de ditadura moral. “Sim, movimentos violentos e discriminatórios puderam se travestir de ‘antifascistas’”, afirma Guilherme Fiuza. “Sim, a indústria do proselitismo pôde subverter a causa das minorias sexuais para oprimir e excluir a mulher. Sim, diversas matrizes demagógicas puderam utilizar a luta histórica contra o racismo como pretexto para a censura”.
Causa espanto que jovens com acesso praticamente ilimitado à informação continuem defendendo pautas ligadas à ideologia de esquerda e às suas formas ultrapassadas de poder. Todos os países que insistem em manter regimes socialistas em pleno século 21 evidenciam, na prática, o fracasso dessa doutrina. Flávio Morgenstern mostra a situação real de Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e outros dinossauros ideológicos.
A China, embora seja “um modelo híbrido de controle político autoritário e economia de mercado com forte presença estatal”, como descreve Adalberto Piotto, nega a seus cidadãos um dos direitos mais elementares do ser humano: a liberdade de expressão. Liberdade que, como relata Loriane Comeli, começa a ser ameaçada também na Europa e no Brasil.
Um levantamento recente da Folha de S.Paulo mostra que o governo petista fez, nos últimos anos, quase 60 pedidos de investigação por supostos crimes contra a honra de Lula. Entre os alvos estão cidadãos comuns que o xingaram nas ruas e até um militar que batizou sua rede de wi-fi com a expressão “Lula ladrão”. Um relatório da Organização dos Estados Americanos aponta como possível “caso zero” da atual crise de liberdade de expressão no Brasil a censura imposta à revista Crusoé, em 2019, quando o STF mandou retirar do ar a reportagem sob o título “O amigo do amigo do meu pai”, que expunha a relação do ministro Dias Toffoli com a Odebrecht.
Eugênio Esber reúne exemplos de como a Corte se transformou na principal fonte de insegurança jurídica do país. Ao voltar a impedir a prisão após condenação em segunda instância — que havia sido autorizada dois anos antes — os ministros abriram caminho para a soltura de Lula. “A posterior anulação das condenações por uma tese esdrúxula do ministro Edson Fachin, assim como o livramento dos corruptos apanhados pela Operação Lava Jato, golpearam duramente a imagem do Supremo”, diz Esber. Segundo Alexandre Garcia, o nosso Supremo é um case para o mundo jurídico. E o contrato de R$ 3,6 milhões por mês com o Master é o retrato que resume tudo.
Roberto Motta completa: “Dos inquéritos abertos de ofício até os processos do 8 de janeiro, a mensagem do sistema de justiça é clara: existem duas categorias de indivíduos e apenas uma delas — os amigos do partido — receberão o tratamento previsto em lei”.
O PT é o exemplo acabado dessa distorção. Desde que chegou ao poder pela primeira vez, no início do século, o partido se notabilizou pela sucessão de escândalos. “Quando Lula venceu a eleição de 2002, estava tudo pronto para a institucionalização da roubalheira facilitada pela participação ou protegida pela anuência do governo federal”, comenta Augusto Nunes. “Com o bando de volta ao local dos crimes, o primeiro quarto deste século será lembrado, na História Nacional da Infâmia, como a Era da Ladroagem.”
Se no começo era mais difícil manter esses escândalos em evidência, a revolução tecnológica mudou o cenário. Hoje, só não sabe deles quem não quer. Eliziário Goulart Rocha escreve sobre as transformações na imprensa e o surgimento de novas formas de comunicação. Nos últimos 25 anos, jornais e revistas impressos perderam leitores e anunciantes com a migração do público para a internet. Rádios e TVs passaram a disputar atenção com plataformas digitais. E as redes sociais aceleraram a circulação de notícias — boas ou ruins.
Enquanto a imprensa velha tenta sobreviver no digital, Oeste já nasceu assim. Enquanto o governo desvia dinheiro dos pagadores de impostos para garantir a subsistência de veículos alinhados, Oeste não recebe um centavo de verba pública. Enquanto parte da mídia só agora começa a reconhecer o autoritarismo do Judiciário, Oeste sempre enxergou o STF como ele é.
Seguiremos assim.
Um feliz 2026.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação





Excelente artigo sra. BRANCA. Parabéns, e Obrigado
Assinante desde dezembro! Feliz! Aguardando o livro do meu querido Guzzo! E vamos fazer da TV Oeste o maior sucesso de 2026!!!!
Feliz ano Novo para todos (a)da Revista Oeste, Saúde,Sabedoria, Paz ✌️
Que número da hora! 👏👏👏
Agora com IA os não pensadores não sabem o que querem saber! Grande evolução! A esquerda conseguiu desgraçar mais uma geração!
Branca Nunes,ótima leitura para o fim de semana. Apenas um registro a imigração de muçulmanos e islâmicos fanáticos vem inundando a Europa, Reino Unido e os EUA. Na Europa e no Reino Unido nunca pensaram nas consequências. Hoje existem bairros em Paris que o francês não entra por medo.Na Inglaterra existem cidades governados por islâmicos. Agora Nova York elegeu s o primeiro prefeito muçulmano dos EUA.
Atingir a honra de Lula, como se ele tivesse. Os geração z precisa de tratamento psiquiátrico