Se restava alguma dúvida de que o Supremo Tribunal Federal tem certeza de que governa o Brasil, foi eliminada nesta semana. Com uma decisão monocrática, Gilmar Mendes expulsou o Senado e o povo do jogo político. O decano acha que só o procurador-geral da República pode propor o impeachment de ministros da Corte. Nenhuma surpresa. É mais um da série de estupros que desfiguram uma Constituição violentada quase diariamente nos últimos seis anos.
Na reportagem de capa desta edição, Augusto Nunes e André Marsiglia destacam alguns dos incontáveis momentos em que o STF extrapolou limites legais para impor a própria vontade. Desde a instauração do Inquérito do Fim do Mundo, o país assiste a uma sucessão de estranhas interpretações da lei, chicanas inverossímeis, surtos de criatividade na busca de indícios contra adversários reais e fictícios e toda sorte de manobras destinadas a adequar a realidade aos desejos de Suas Excelências.
Davi Alcolumbre insinuou que poderia negar apoio à indicação de Jorge Messias para a vaga de Luís Roberto Barroso. Como esclarece Edilson Salgueiro, bravatas do gênero são apenas voos de galinha. Depois da decisão de Gilmar, o presidente do Senado lamentou que prerrogativas da Casa estavam sendo usurpadas. Parou por aí. “Era para Alcolumbre apresentar no mesmo dia um pedido de impeachment de ministro do STF para julgamento em plenário”, observa Rodrigo Constantino. “Para isso falta a Alcolumbre coragem ou interesse.”
No mesmo dia do truque de Gilmar, Dias Toffoli confiscou da 1ª instância o escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro. Agora, tudo sobre a roubalheira tem de passar primeiro por ele. Justificativa: a possível presença entre os envolvidos de autoridades com foro privilegiado. A reportagem de Cristyan Costa mostra que a verdadeira razão da medida está nas suspeitíssimas ligações entre o Master, a Corte e o mundo político.
Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, um grupo de aliados e dezenas de inocentes presos pelos atos de vandalismo do 8 de janeiro permanecem encarcerados, um bando de culpados soltos pela Suprema Corte ensaia o retorno à vida pública. Silvio Navarro destaca, entre outros velhos conhecidos das páginas político-policiais, algumas figuras como José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha, Gilberto Carvalho, Delúbio Soares e Luiz Dulci.
Caso voltassem ao poder, muitos deles certamente ajudariam a piorar um dos ministérios mais medíocres dos últimos tempos. Eliziário Goulart Rocha e Rachel Díaz contam o que não fazem as 38 nulidades que compõem o primeiro escalão. A enquete que acompanha a reportagem testa o conhecimento dos leitores sobre os ministros. “Se você acertou poucas ou nenhuma resposta, não se preocupe”, ironiza o texto. “Você é apenas uma pessoa normal”.
Adalberto Piotto ressalta que Lula não pensa no Brasil nem nos brasileiros, ricos ou pobres. “Lula pensa nele e em seu projeto de poder”, afirma, para em seguida perguntar: o que fará a sociedade civil organizada? Vai se omitir e entregar o país a quem o destrói? “A venezuelização do país, não vou negar, é uma realidade, mas não imparável”, avisa Piotto.
A coluna de Daniela Giorno, diretora de Arte, evoca uma história que precisa ser lembrada, sobretudo nestes tempos estranhos. Em 1º de dezembro de 1955, a costureira Rosa Parks desafiou as regras municipais que sustentavam a segregação racial em Montgomery, no Alabama, e recusou-se a ceder seu assento num ônibus público a um passageiro branco. O protesto pacífico rendeu-lhe uma passagem pela cadeia. Em contrapartida, desencadeou um boicote ao sistema de transporte da cidade que durou 381 dias. Em 20 de dezembro de 1956, a Suprema Corte dos EUA enfim decidiu que os passageiros negros poderiam sentar-se em qualquer lugar.
Às vezes, grandes mudanças começam com um pequeno gesto. Produzido por uma só pessoa.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de redação





Branca Nunes – Prezada: já fizeram comunicado oficial sobre o recente desligamento do jornalista Silvio Navarro? Seria muito importante esclarecer ao público a visão e versão da Revista Oeste. Grato.
Wagner Mazzoni,
A morte do Guzzo e a saida do Silvio Navarro são perdas irreparáveis para a qualidade da revista .
FAZ DOIS MESES QUE ESTOU TENTANDO CANCELAR MINHA ASSINATURA!!! QUAL A DIFICULDADE DE VCS ENTENDEREM ISSO????
Eu solicitei o cancelamento via e-mail agora a pouco porque o telefone de contato não atende. Será que vou ter que aguardar dois meses também?
Jussara, entraremos em contato ainda hoje. Tivemos um problema com a empresa que faz as cobraças, mas já foi resolvido. Peço desculpas em nome da empresa.
Laerte, também estamos entrando em contato com o senhor hoje mesmo.
Cara Bianca: Se este não é canal apropriado para reclamações deste tipo, sinto muito, mas o Suporte agora não atende as ligações. Minha assinatura é anual de 249,90 reais. No entanto, fui cobrado mais de OITO vezes em 419,20 reais. Consegui falar com o Suporte então e fui devidamente ressarcido dessas cobranças. Ontem para a minha supresa recebi mais duas cobranças de 419,20 reais no cartão. A incompetência da equipe de TI virou abuso para mim. Inacreditável que isso aconteça com vocês. Quero retirar o cartão da cobrança automática, mas o site não facilita essa operação. Vou cancelar a assinatura – se puder! – até que vocês resolvam o problema.
Tabajara, peço desculpas em nome da Oeste. Vamos entrar em contato com o senhor ainda hoje.
Excelente matéria!
Eu como.advigada, jamais rasgaria a CF, na verdade, rasguei meu diploma.
Tuso que aprendi ha pelo menos 25 anos, teria que fazer uma nova faculdade, pois tuso que aprendi, hoje não reconheço.
Este país é uma “torre de Babel”
Vamos em frente! Parabéns pelo.jornalismo essencial.
Abraços,
Adriana Carvalho
Perdão o erro de digitação.. sem óculos 😐
Parabéns Branca Nunes, mais uma edição histórica. A Revista Oeste é uma inspiração a todos os brasileiros. Um convite a reflexão.
A ação “rebelde” da senhora negra que resultou em sua prisão injusta, desencadeou uma reação POPULAR que resultou na justiça final! Lá eles tiveram culhoes! Aqui, NINGUÉM está nem aí, estão só preocupados com Natal e Ano Novo, Bolsonaro jogado as traças, povo inerte, indolente, passivo e sabujo. Políticos sujos e de rabo preso! Daqui não sairá nada!
O pequeno gesto que está faltando no Brasil são os jatos e os porta aviões em Copacabana e no lago paranoá
Rosa Park está na minha lista das 20 mulheres que mais admiro. Dani Giorno marcou mais um golaço.
OESTE: LEIA E SAIBA DO BRASIL