Como você quer seu próximo filho? Com que cor de olhos? E os cabelos? Escuros, claros? Lisos, ondulados, crespos? Constituição física? Mais encorpado, mais esguio? E a inteligência? Bem, todo mundo quer um filho superinteligente, não é mesmo?
Matéria de capa da revista Technology Today, publicada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), demonstra que a possibilidade de “customizar” um filho — o que já foi um tabu — está cada vez mais próxima. Até agora o método foi usado para corrigir problemas de nascença causados por desordens genéticas. Agora — por enquanto para um grupo muito restrito de pessoas — a possibilidade é outra: planejar uma criança em seus detalhes mais importantes.
Como isso seria possível?
“Considere, se quiser, a bolha translúcida vista através do microscópio”, começa a autora do artigo, Julia Beck. “Um blastocisto humano, o espécime biológico que surge cerca de cinco dias depois do encontro decisivo entre óvulo e espermatozoide. Esse aglomerado de células, do tamanho aproximado de um grão de areia fina, contém o potencial de uma vida futura: 46 cromossomos, milhares de genes e cerca de seis bilhões de pares de bases de DNA — um manual de instruções para montar um ser humano único.”
Beck descreve então um minúsculo furo feito por laser nessa bolha translúcida. Nesse furo entra uma pipeta microscópica que recolhe um punhado de células. Através dessas células é possível ler todo o “manual de instruções” para montar o ser humano.
Até agora, duas companhias — a Genomic Prediction e a Orchid — dominavam o mercado, limitando-se a mapear códigos genéticos em busca de doenças a serem evitadas — como síndrome de Down, fibrose cística e doença de Huntington, uma degeneração de células cerebrais. Agora duas outras empresas querem ir além. Nucleus Genomics e Herasight estão atuando na área de “engenharia de inteligência”, buscando incrementar a capacidade de um indivíduo antes mesmo que ele nasça.

O fantasma da eugenia
A nova versão do teste é conhecida como PGT-P. A sigla significa “teste genético pré-implantacional para distúrbios poligênicos”. Calcula-se que desde 2020 centenas de crianças nasceram usando essa tecnologia.
O PGT-P foi criado para que os pais possam evitar doenças previsíveis ao futuro bebê. Ao consultar esse “manual de instruções” genético, é possível prever quais problemas poderão afetar a criança no futuro.
Acontece que, tecnicamente, existe uma diferença muito sutil entre “evitar doenças” e “escolher características”. E assim se torna possível escolher um embrião on demand (“por encomenda”) conforme o desejo dos pais.
O que gera, agora com mais força, uma velha polêmica: a de que esse tipo de tecnologia vai reviver a ideologia da “eugenia”. O termo, segundo o artigo da Technology Today, foi inventado pelo antropólogo britânico Sir Francis Galton, inspirado pelo seu primo Charles Darwin. Tem origem no grego e significa “bem abastecido, naturalmente dotado de qualidades nobres”.

É aí que entra a salada mista de ideologias que compõem a esquerda hoje. No simplismo “progressista”, o fantasma da eugenia se manifesta no desejo de ter bebês loiros de olhos azuis. A palavra está ligada à ideologia nazista e racista de Adolf Hitler. Ironicamente, a esquerda que está hoje tão preocupada com o racismo e a eugenia, anda exercendo um feroz antissemitismo como não se via desde os tempos sombrios do Terceiro Reich.
Consertando problemas futuros
Mas vamos deixar de lado a patrulha ideológica. Essa nova era da engenharia genética começou em 2003 quando, após 13 anos (e US$ 3 bilhões), se completou 92% do mapeamento dentro do Projeto Genoma Humano. A partir daí, a pesquisa deixou de ser apenas teórica e começou a dar resultados práticos.
A Nucleus Genomics, criada por Kian Sadeghi, de apenas 25 anos, hoje oferece serviços que custam de US$ 9 mil a US$ 25 mil. A empresa, com sede em Nova York, promete que pode prever, através do mapeamento genético de um bebê, sua propensão à ansiedade, ao Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), à insônia, sua tendência ao alcoolismo e possíveis alergias. Mas Sadeghi deixa aberta a porta para uma opção mais leve: “Talvez você queira que seu bebê tenha olhos azuis, e não verdes. Isso é definido pelos pais”.
Um microfone aberto captou um diálogo entre os ditadores Vladimir Putin e Xi Jinping falando da possibilidade técnica de viverem, com essas conquistas na engenharia genética, até os 150 anos.
Kian, cujos pais escaparam da ditadura islâmica no Irã, prevê um futuro em que a combinação de inteligência artificial com genética vai possibilitar que as pessoas vivam até 150 anos. E vivam bem. Segundo ele, a engenharia genética vai funcionar como “uma pílula” para que doenças sejam evitadas.
A vida de Kian Sadeghi mudou quando uma prima morreu durante o sono por causa de uma condição rara, que paralisa o coração de repente. “Se você sabe que tem o gatilho genético para essa doença”, conta Sadeghi, “você pode tomar um betabloqueador que reduz o risco da parada cardíaca em dez vezes”.
Por causa da tragédia da prima, Kian resolveu se dedicar à engenharia genética. Para evoluir, enganou os pais e abandonou a escola. E conseguiu US$ 100 mil de um investidor para iniciar a Nucleus. Hoje o total de investimentos na Nucleus Genomics está em US$ 32 milhões.
Outra empresa do ramo, a Anomaly, afirma que a inteligência é 75% geneticamente herdada. E indica outros fatores que também são transmitidos de uma geração para outra: “empatia, controle do impulso, violência, passividade, religiosidade, linhas políticas”. A expressão “puxou o pai (ou a mãe)” passa a ter uma conotação científica.

150 anos de vida
Tudo isso não está “para acontecer”. Já está acontecendo. A matéria da Technology Today revela que nos Estados Unidos o avanço dessa área ainda depende de regulamentação. Mas que os mais ricos estão se dirigindo discretamente a lugares como a cidade “startup” de Próspera, em Honduras, onde os experimentos não enfrentam tantas limitações legais.
O tema sempre vai provocar polêmica. Além da superfície ideológica, estamos “brincando de Deus”, manipulando as regras mais básicas da natureza, interferindo na fundação da vida.
Já ultrapassamos muitas fronteiras na história da existência humana, como a manipulação do átomo e a criação de uma inteligência artificial. A evolução dessa tecnologia de engenharia genética criando gerações de pessoas saudáveis e muito inteligentes é um sonho ao nosso alcance. Mas precisa ser acompanhada de reflexões e aperfeiçoamento ético ou pode dar muito errado.
No início de setembro, um microfone aberto captou um diálogo entre os ditadores Vladimir Putin e Xi Jinping falando da possibilidade técnica de viverem, com essas conquistas na engenharia genética, até os 150 anos. Aí o sonho vira outra coisa.
dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi
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A meu ver essa experiência está dando errado. Nunca tivemos uma geração tão fraca mentalmente, tão dependente de remédios controlados, tão desprovida de testosterona e sensível a qualquer mínima frustração.
Boa maneira de tirar dinheiro dos milionários. Já que, é lógico, que essas empresas não vão e nem tem condições de dar garantias para seus clientes. Mas tem um negocinho aí, uma visão que vai render muita grana para os espertos.
Certo preconceito, vejo. Porque Xi e Putin não podem ser felizes? Um drone de 200 doletas matará o novo super homem. Divago…
De fato, isso é brincar de Deus. Quem é cristão deve ser contra isso