Bastou o cessar-fogo em Israel para uma verdade vir à tona. Todos os que acusavam o país de genocídio, exigiam o fim dos combates e aparentavam preocupação com os palestinos não se contentaram. Para eles, o 7 de outubro foi um detalhe. Não se viu, da parte deles, uma mensagem de solidariedade com os reféns que retornaram depois de dois anos de torturas. Em vez disso, os protestos contra Israel aumentaram.
Dois episódios serviram para mostrar que a campanha pelo boicote a esportistas do país segue em alta. O problema, para eles, não é a reconstrução de Gaza. Tampouco a reorganização da sociedade palestina. O que mais incomoda esses “ativistas” é a própria existência de Israel, conforme disse Ben Freeman, colunista do Israel Hayom.
“Mesmo durante o massacre, manifestações anti-Israel já estavam sendo organizadas pelo mundo. No Reino Unido, pedidos de protesto foram protocolados antes do meio-dia [os ataques começaram no início da manhã]”, disse Freeman. “As redes sociais ampliaram essas narrativas, com a negação da conexão histórica judaica como tema recorrente.”
Em Udine, em 14 de outubro, 10 mil manifestantes pró-Palestina cercaram o estádio antes do jogo Itália x Israel, válido pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Houve confrontos com a polícia. Pessoas que nem iriam assistir à partida atravessaram a Itália para vociferar contra o Estado Judaico.
“A situação é sensível e tem implicações econômicas significativas, mas não vamos parar nossas atividades”, disse o presidente da Associação de Futebol de Israel, Shino Zuaretz, ao jornal Yedioth Ahronot, sobre o fato de Israel também não poder receber competições.
No Reino Unido, autoridades de Birmingham proibiram torcedores do Maccabi Tel Aviv de irem ao jogo contra o Aston Villa, no próximo dia 6 de novembro, pela Conference League. A justificativa foi a preocupação com a segurança.
O primeiro-ministro, Keir Starmer, disse que vai reverter a ordem. Mas a mensagem de ódio já foi passada.
“O rosto do antissemitismo mudou, e o apoio de aliados dos judeus ficou mais raro”, disse Elliot Ludvig, colunista judeu, morador de Birmingham, no The Jewish Chronicle. “O esporte, que deveria ser algo que une, tornou-se um instrumento para aprofundar a divisão e o ódio.”
Um dos que encabeçam a campanha é a entidade anti-Israel Human Rights Foundation (HRF). Com base no relatório Game Over Israel: Sports Culture as a Cog in Genocide, seu dirigente, Dyab Abou Jahjah, ex-Hezbollah, já afirmou que a luta pela exclusão esportiva de Israel continua mesmo depois do fim da guerra. Jahjah elogiou o massacre promovido pelo Hamas no 7 de outubro.
Nova geração
Em meio à guerra, cresceu na população de Israel a necessidade de valorizar o que o país tem de bom. Competições esportivas e culturais, como o festival de música Eurovision, batem recordes de audiência na TV.
Além da tecnologia em alta, o esporte ganhou força e se tornou um motivo de orgulho. Há décadas, Israel não ficava tão perto de uma repescagem como nestas eliminatórias da Copa do Mundo 2026. Foi eliminado naquela partida contra a Itália, mas tem exportado jogadores para clubes da Ásia e da Europa. No sub-20, em 2023, surpreendeu ao vencer o Brasil nas semifinais do Mundial.
O desenvolvimento é ainda maior em modalidades como o judô. A atleta Raz Hershko conquistou a prata olímpica. Inbal Lanir foi campeã mundial. O país também se projeta no iatismo e no ciclismo, além de manter o basquete como marca consolidada, com participação na Euroliga.
Enquanto, no front, a esperança está nos soldados, fora dele, o país encontra alento nas vitórias do dia a dia.
O interesse pela nova geração de atletas se soma à paixão pelos campeonatos europeus de futebol. Programas como os da Sport1 TV reúnem grande número de telespectadores. À frente de um deles está Shlomi Daniely, famoso narrador israelense.
“Eu transmito um programa abrangente cobrindo as partidas da Liga Europa”, conta ele a Oeste. “Cobrimos os melhores lances em todos os estádios, com cada gol marcado nos jogos. O Maccabi Tel Aviv jogou na Grécia contra o PAOK Salônica [no dia 24]. Havia algumas bandeiras palestinas na plateia e alguns cartazes dizendo ‘Mostrem o cartão vermelho a Israel’, mas seguimos em frente.”
A analogia com o Brasil é inevitável. Daniely pode ser comparado a narradores brasileiros que marcaram época apresentando os gols da rodada. A diferença é que, para o israelense, a paixão pelo esporte carrega o peso de uma batalha política.
“É duro sentir esse desprezo pelo seu país”, destaca o narrador. “Nos orgulhamos de Israel, mesmo aqueles que se opõem ao governo atual. É difícil ver que não somos bem-vindos. Israel é luz, democracia, o único Estado liberal no Oriente Médio. Não entendemos por que o mundo é contra nós.”
No Brasil, o esporte se tornou uma ponte para o mundo. Já Israel tem sido vítima dessa campanha para sua exclusão das competições internacionais. Lemas como “o esporte une povos” ou “o esporte não tem ideologia” perdem espaço para a intolerância. Sem nenhum espírito esportivo.
“É verdade que nosso exército atacou Gaza, mas não se pode esquecer o terror e as atrocidades cometidas contra nós por terroristas que queimaram bebês em fornos, decapitaram pessoas, estupraram meninas, arrastaram pessoas de suas camas e as mantiveram em túneis subterrâneos”, lembra Daniely. “O que esperam que Israel faça? Se isso tivesse acontecido no Brasil, o exército brasileiro simplesmente deixaria passar?”
Roubo do Hamas
A campanha carrega ainda a insensatez de não separar a luta individual do atleta das decisões geopolíticas. Um episódio emblemático já havia ocorrido na Espanha: o meia israelense Manor Solomon sofreu ofensas da torcida ao entrar em campo pelo Villarreal contra o Sevilla.
Dias antes, a Volta da Espanha foi interrompida por manifestantes que protestavam contra a participação de Israel. Equipes israelenses de ciclismo também sofreram boicote no Canadá.
No xadrez, sete israelenses desistiram de um torneio na Espanha depois de serem informados de que não poderiam jogar sob a bandeira nacional.
Daniely diz que a situação causa dor. “Sinto grande angústia”, admite o locutor. “Não é pressão, mas muita tristeza pela situação. O mais importante é trazer os corpos dos reféns de volta para suas famílias.”
A campanha contra Israel chegou ao plano diplomático. A Organização das Nações Unidas (ONU) defende o banimento de torneios internacionais. A pressão partiu de oito relatores que acusaram Israel de “genocídio em curso” e de utilizar a fome como arma em Gaza.
Vídeo publicado em agosto nas redes sociais, porém, mostrou integrantes do Hamas roubando ajuda humanitária enviada para Gaza. A situação foi também denunciada pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no discurso de setembro na ONU. Ele afirmou que o Hamas “rouba a ajuda destinada aos palestinos”.
Legítima defesa
O argumento diplomático contra Israel se baseia na exclusão da Rússia, depois da invasão da Ucrânia. Muitos consideram que a mesma pena deveria ser aplicada aos israelenses.
As entidades esportivas, até o momento, diferenciam as situações. Consideram que houve uma invasão da Rússia a uma nação reconhecida. No caso israelense, veem a ação como uma ofensiva em legítima defesa, depois dos ataques terroristas do 7 de outubro.
Daniely resume a diferença. “A Rússia acordou numa bela manhã e invadiu um país vizinho, começando a bombardear.”
Ele compara: “Israel acordou em um feriado de Simchat Torá [“Alegria da Torá”] e descobriu que 3 mil terroristas, verdadeiros monstros, assassinaram, abusaram e sequestraram crianças, bebês, mulheres e homens que estavam em suas camas.”
Única democracia
O governo de Donald Trump busca contornar a situação. Fez a pressão do Catar diminuir depois do acordo de cessar-fogo em Gaza. O governo catari é um aliado que passou a defender a exclusão de Israel de competições, depois do ataque israelense a Doha, cujos alvos eram líderes do Hamas. Netanyahu pediu desculpas ao emir do Catar, a pedido de Trump.
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) ainda não tomou decisão sobre o tema. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, aliado de Trump, discursou na Assembleia-Geral da ONU e lembrou que existem 80 guerras em andamento. Para ele, punir seleções nacionais por conflitos armados é um terreno delicado.
Resta aos atletas israelenses um consolo: a reverência da população, que os vê como “soldados do esporte”. Eles não desistem.
“Não percebi ansiedade ou raiva entre eles”, avalia Daniely. “Nossos esportistas têm consciência de que, em nossa história, iniciativas para nos excluir de diversos torneios surgem e desaparecem, mas nunca se concretizaram.”
O mundo ocidental sabe, completa o narrador, que punir Israel é prejudicar o único país democrático do Oriente Médio. “Esta é a maior campanha que já vi”, repete ele. “Mas será também aquela da qual mais vamos nos orgulhar de ter superado.”
Leia também “Lembranças do mal”




Vergonhoso .
Como bem disse Ana Paula Henkel ,Israel está lutando pelo direito de existir .
Lamentável isso no século 21!
Um país pujante ,um povo guerreiro .
Um país que vive literalmente uma DEMOCRACIA .
O UNICO na região .
Exportam tecnologia de ponta para o mundo .
Se for pra sentirmos vergonha ,deveríamos sentir desprezo por países como a China (massacre dos Uigures ).
Cuba democracia inexiste .
Coreia do Norte o regime mais fechado só planeta .
Rússia impingindo um sofrimento absurdo aos ucranianos ,além de sua política interna tradicionalmente onde elimina opositores envenenando os !
Israel só nós traz orgulho e admiração !
O antissemitismo corre solto.