Donald Trump começou seu segundo mandato decidido a redesenhar o tabuleiro geopolítico, com os Estados Unidos ostensivamente no comando. Além de modificar as relações econômicas, a maior e mais longeva democracia do planeta incluiu no topo da lista de prioridades a defesa da liberdade e da justiça. A cruzada em defesa dos valores ocidentais está na origem dos atritos com o Brasil. Ao anunciar uma taxação de 40% sobre vários produtos brasileiros, Trump exigiu a suspensão do delírio persecutório contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus principais aliados. Ao dobrar a aposta, ministros do STF e figurões do governo tiveram seus vistos cancelados ou, como no caso de Alexandre de Moraes, foram enquadrados na Lei Magnitsky. Essas punições se estenderam a países vizinhos, começando pela Venezuela de Nicolás Maduro.
Agora, a tempestade vinda do Norte deste continente tem tudo para se transformar num furacão de proporções devastadoras. Ele tem nome: Hugo Armando Carvajal, o ex-general venezuelano que foi diretor de Inteligência Militar e braço direito de Hugo Chávez. Preso há algum tempo nos Estados Unidos, ele resolveu contar tudo o que sabe para escapar da prisão perpétua. A reportagem de capa desta edição, assinada por Eugênio Esber, mostra que Carvajal integrou uma ampla rede de financiamento ilegal de candidaturas de esquerdistas em vários países — entre os quais está o Brasil.
Ilegalidades também são o assunto de que trata Sarah Peres. A repórter de Oeste detalha o caminho percorrido pelo dinheiro roubado de aposentados e pensionistas do INSS. Nesse escândalo, é cada vez mais evidente a participação no esquema criminoso de integrantes do governo, dirigentes de empresas e companheiros sindicalistas. Um deles é Frei Chico, irmão mais velho de Lula. Ele é vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi). Cristyan Costa traça um perfil do mentor de Lula no começo da carreira e mostra por que a bancada governista faz o diabo para mantê-lo nas sombras.
Diferentemente do primogênito, Lula adora holofotes — e nunca perde uma chance de errar. Nesta semana, por exemplo, piorou ainda mais seu ministério com a instalação de Guilherme Boulos num gabinete no Palácio do Planalto. “O que mais preocupa nisso tudo é a normalização do absurdo”, observa Rodrigo Constantino. “Em tempos normais, Boulos seria tratado como o radical que ele é; mas hoje é apenas um sujeito de esquerda, com ‘consciência social’.”
A forma como os brasileiros encaram com naturalidade a indicação de Boulos é tão perturbadora quanto o baixo grau de indignação provocado pelo avesso das coisas. Não são muitos os que tratam como absurdo o desrespeito à lei, aos direitos e às garantias individuais atribuídos à necessidade de “salvar a democracia”. Confrontado com essa escandalosa narrativa, Adalberto Piotto pergunta: “É medo? Cansaço? Por que tanta gente influente olha para a realidade do País e vira a cara, tentando fazer que não viu o que continua a olhos vistos?”
Essa aceitação do inaceitável por parte de tanta gente ajuda a entender o caso de Filipe Martins, ainda prisioneiro de Alexandre de Moraes. O ex-assessor de Jair Bolsonaro para assuntos internacionais continua atado a uma tornozeleira eletrônica e sofre as demais restrições impostas pela meia liberdade inventada pelo ministro. Ele está preso desde fevereiro de 2024, embora tenha comprovado amplamente sua inocência — as evidências mais recentes estão no artigo de Ana Paula Henkel. Também é por isso que continuam condenados a penas que chegam a 17 anos de prisão brasileiros acusados de terem escrito uma frase com batom numa estátua ou terem vendido bonés e bandeiras com as cores do Brasil em uma manifestação que terminou em vandalismo.
Algumas dessas histórias estão no documentário Anistia — As histórias não contadas, dirigido por Marina Helena. É uma obra que ajuda a conhecer o Brasil desses tempos estranhos. Assistir ao filme é indispensável.
Boa leitura.
Branca Nunes
Diretora de Redação





Gostei demais dessa edição da Revista OESTE, Edição 293, a começar da Carta ao Leitor. Parabéns!!!
E esses cabras-safados do STF não tem vergonha na cara de conviver com o Lula, um sujeito considerado o maior ladrão de todos os tempos e de toda humanidade. Depois fica essa curriola de ladrão chorando por consciência de culpa ancorado do testa de ferro careca psicopata Alexandre o cabeça de melão sem noção. Acham pouco o surrealismo que estamos vivendo e se aliam ao que há de pior no planeta, tráfico e terrorismo
Já estou no fundo do sertão. O final de semana será ótimo para leitura de toda a revista. Teu resumo está bom mais uma vez e dá para o leitor aproveitar como sendo um trailer. Algo que não tenho visto é sobre quem realmente teve os vistos cancelados. Estamos curiosos para saber oficialmente se o Messias e o Pacheco estão na lista. Se estiverem, na sabatina no senado a pergunta fundamental será a questão do visto. Esta punição é para pessoa não ilibada, condição essencial para ocupar o cargo de carrasco, digo, de ministro do stf.