Dois anos se passaram desde o dia que mudou a história de Israel. Naquele 7 de outubro de 2023, terroristas palestinos invadiram casas no sul do país, torturaram filhos na frente dos pais, antes de assassinar todos eles. Em outros casos, violentaram mulheres e cometeram as mais variadas atrocidades, além de sequestrar 251 pessoas e mantê-las em cativeiro sob condições subumanas. Foram mais de 1,2 mil mortos.
Israel iniciou a incursão de retaliação em Gaza. Parte do mundo, alimentada por uma esquerda radical e antissemita, optou por não se importar com a barbárie. Voltou-se contra a própria existência do Estado de Israel.
Desde então, foram produzidas diversas séries, documentários e filmes sobre a brutalidade dos terroristas para desmentir com imagens e depoimentos as distorções
anti-Israel.
O acordo de cessar-fogo foi assinado, conforme anúncio feito pelo presidente Donald Trump e celebrado em todos os cantos de Israel. O Hamas aceitou o fim da guerra. Os 48 reféns restantes se preparam para retornar, em troca de 1,7 mil prisioneiros palestinos.
Mas a lembrança daquele dia não será negociada. Tornou-se uma política de Estado. Não apenas de voluntários ou cineastas. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu encampou também a missão de não deixar que todas aquelas cenas de horror caiam no esquecimento. Para que não se repitam.
Um site criado pelo governo de Israel revela, com documentos e provas inéditas, como o 7 de outubro foi planejado friamente, durante anos, pelo grupo terrorista que agora é classificado como mártir por muita gente mal-intencionada.
O sonho dos radicais era se tornarem protagonistas da desgraça. Alegavam, para isso, a falta de perspectiva da população, descrita por eles como “oprimida” por uma ocupação israelense que, na verdade, não existia desde 2005, quando todas as tropas e assentamentos judaicos deixaram a região.
Os terroristas se amparavam neste pretexto. A jornalista Ghada al-Alkurd, 39, em entrevista à Folha de S. Paulo, porém, acabou mostrando que a imagem de precariedade total era uma forma de propaganda. Ela contou que, no dia 6 de outubro, véspera do ataque, estava de volta a Gaza havia dois meses, depois de ter passado quatro anos em Istambul, onde terminou seu mestrado em comunicação.
Naquele dia, Ghada ainda estava surpresa com as novidades, “com as luzes, os prédios de arquitetura moderna e os cafés”, lembrou. “À noite, um amigo chegou e saímos no carro dele para comprar uma sobremesa e ver a noite na cidade.”
Tudo isso ainda não existia quando ela deixou a região. Nos tempos de Turquia, ansiava retornar à “área verde cheia de laranjeiras e oliveiras, na casa da família”. Ghada perdeu vários familiares na guerra. Sua casa foi destruída e ela passou a se deslocar por vários locais, com os filhos, para sobreviver. Tudo a partir da ação dos terroristas, que usaram argumentos sobre uma suposta falta de perspectivas para culpar e atacar Israel.
Terror do Hamas
Com detalhes, o site do governo prova que o Hamas organizou e executou aquele ataque com o objetivo único de matar milhares de civis. Mapas, ordens e instruções são apresentados ao público. Mostram a operação maligna desde a preparação até suas consequências.
O site, chamado October 7 Files – Organized Evil (“Arquivos do 7 de Outubro – O Mal Organizado”) foi lançado em memória aos dois anos da tragédia. Há documentação que foi produzida em tempo real, durante a invasão dos extremistas. O material desconstrói qualquer narrativa de apoiadores do Hamas, falsos defensores dos direitos humanos, que usam o slogan “resistência à ocupação e ao cerco” para justificar a barbárie. As cenas revelam que, para além das explicações delirantes, aquele ato é o que mais se encaixa na definição de genocídio premeditado.

No portal, é descrita toda a origem do Hamas. Há destaque para o apego a práticas terroristas guiadas pela obsessão de eliminar Israel. “Compreender as atrocidades do 7 de outubro significa investigar profundamente as raízes do Hamas”, relata o site. “Criado em 1987 a partir da Irmandade Muçulmana, o Hamas sempre perseguiu uma ideologia de ‘libertação’ violenta, formalizada em sua carta de fundação.”

O portal explica, ainda, como o grupo combinou serviços sociais com atentados suicidas, lançamentos de foguetes e um governo impiedoso em Gaza. Enquanto isso, doutrinava seus jovens por meio de livros didáticos, acampamentos e propagandas que glorificam o martírio e retratam os judeus como inimigos eternos. “Essas crenças arraigadas e o incitamento sistemático criaram as bases para a brutalidade desencadeada no 7 de outubro.”
Neste “ecossistema de terror do Hamas”, a engrenagem, segundo o governo de Israel, contou com o apoio de funcionários da Agência das Nações Unidas de Socorro e Trabalho para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), “comprovadamente envolvidos no massacre do 7 de outubro”.
A própria Organização das Nações Unidas (ONU) é acusada por Israel de dar suporte a instituições ligadas ao Hamas. Outra prática do grupo, prossegue o portal, foi o uso de mulheres e crianças como escudos humanos em operações terroristas. “Todos são exemplos de como a ideologia extremista penetra instituições que deveriam ser neutras.”
Há ainda categorias que, entre outras, expõem os métodos utilizados nos treinamentos em campos especiais. “Cada categoria contém materiais potencialmente perturbadores ou sensíveis, mas, em conjunto, revelam como o radicalismo profundo do Hamas se transforma em política, propaganda e violência.”

Outros documentos mostram mensagens espirituais à unidade de elite Nukhba, com “permissões religiosas” para realizar os ataques.
População pacífica
O lançamento do portal foi coordenado por Amichai Chikli, ministro dos Assuntos da Diáspora de Israel, com financiamento do seu ministério, conta o jornal israelense Israel Hayom. O Centro de Patrimônio da Inteligência em Glilot, onde documentos originais foram digitalizados, cedeu parte do conteúdo. Outra parte foi compilada de diferentes fontes, como depoimentos das vítimas, dos algozes, áudios e relatórios.
Entre os arquivos, também estão manuscritos de Yahya Sinwar, ex-líder do Hamas em Gaza. As ordens são explícitas sobre o ataque a civis: “Decapitar e assassinar chefes de família.” Depois de meses sendo rastreado, Sinwar foi morto em combate com tropas de infantaria, em Rafah, em 16 de outubro de 2024.
O site revela ainda instruções minuciosas para os extremistas registrarem e transmitirem os ataques ao vivo: “Limpe bem a lente da câmera do celular antes de filmar”, orienta um terrorista ao seu “colega”. “Certifique-se de que o telefone esteja carregado e, se precisar recarregar, use a bateria disponível”, era outra ordem na missão deliberada. “Não atenda chamadas recebidas no SIM, especialmente de números desconhecidos. Ligue o telefone apenas momentos antes de iniciar a missão.”

Uma das seções também lembra a influência do líder militar Mohammed Deif. Ele foi um dos que comandaram a invasão. Não dormia uma noite sequer no mesmo lugar, para não ser descoberto pelo Mossad. Mas foi encontrado e morto por um ataque aéreo israelense em 13 de julho de 2024.
Em um vídeo, Deif se dirige a combatentes antes do ataque. Incita-os a matar o “inimigo” onde quer que o encontrem, referindo-se a civis. Ordena que os terroristas os expulsem de suas casas e ataquem kibutzim, locais de convivência pacífica. Nestes kibutzim moravam judeus que defendiam causas humanitárias e uma boa relação com palestinos. Indiferente a qualquer valor humano, Deif enaltecia o martírio.
Assim, terroristas palestinos entraram no pacato kibutz Nir Oz, entre outros, para matar o maior número de pessoas. “Estão queimando na nossa casa”, disse Baruch, na conversa de WhatsApp do grupo do kibutz, revelada na íntegra no portal. “Ajudem meus pais, por favor!” Foi o pedido da jovem Tal.
As frases são impactantes. Descrevem o horror da situação. Fazem quem lê, e tem um mínimo de sensibilidade, colocar-se naquele local e naquele momento. De frente para monstros encapuzados urrando com metralhadoras. E se imaginar perguntando, no grupo: “Sabem se meu filho está bem?”
Em Nir Oz, os terroristas queimaram vivos a família de Yonatan Siman Tov, o pai, Tamar, a mãe, as gêmeas Shachar e Arbel, de 5 anos, e o bebê Omer, na época com 2 anos. Eles estavam escondidos no abrigo seguro, depois de ouvirem as sirenes alertando para os mísseis disparados sobre o local. Aquele abrigo se tornou um dos retratos do que o ódio é capaz de fazer.
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Não consigo enxergar como haverá paz sem justiça. Os julgamentos de Nürnberg tiveram um papel fundamental na construção da paz após a II Grande Guerra. Que tipo de recado deixará a impunidade, e em certos casos até a premiação, dos responsáveis por esse massacre?
Se por um lado podemos estar felizes com o retorno dos últimos reféns vivos para casa, por outro devemos lembrar que mais uma vez Israel foi impedido de obter uma rendição incondicional de seus inimigos e, consequentemente, de obter justiça.
Que Deus console os parentes e entes queridos dos 28 reféns que foram assassinados em cativeiro e tenha misericórdia de suas almas.
O artigo não deixou claro , que dos 48 reféns restantes , somente 20 retornarão vivos . Os restantes são cadáveres , assassinados em cativeiro ..