— Viu o YouTube?
— O que houve com o YouTube?
— Não viu a bomba?
— Vídeo novo do MrBeast?
— Você tá por fora mesmo, hein?
— Não tô, não. Acompanho todas as mídias o tempo todo.
— E não viu a revelação?
— Que revelação?
— Revelação, não. Confissão.
— Confessaram o golpe?
— Sim, confessaram.
— Até que enfim. Basta de ódio.
— O ódio foi pretexto pro golpe.
— Como assim? De que golpe você tá falando?
— Estou falando do golpe da censura em massa.
— 1964?
— Não.
— 1984?
— Não. 2025.

— Tá louco. A democracia voltou. O amor venceu. A não ser que você esteja falando dos EUA. Lá a coisa tá pesada mesmo.
— Estou falando dos EUA. A confissão foi feita lá. Mas abrange o mundo todo.
— Que papo é esse? Não vi isso em lugar nenhum.
— Hoje em dia, certas coisas são difíceis de ver mesmo. Tem que querer muito.
— Ver não é uma questão de querer. É uma questão de ver. A realidade não depende da vontade de ninguém.
— A não ser quando tentam escondê-la. Aí é preciso muita vontade pra enxergar o que não querem que você veja.
— O que não querem que eu veja?
— Pelo visto, talvez você próprio não queira ver.
— Eu vejo tudo! Eu sei de tudo! Eu acompanho o noticiário de 6 da manhã à meia-noite!
— Mas no noticiário que você acompanha, não te chamou a atenção a confissão do Google?
— Que confissão?
— O Google confessou ao Congresso norte-americano que o YouTube praticou censura em massa.
— Não acredito. Eles estavam só cumprindo as diretrizes da comunidade.
— Tá vendo? Os censores nem precisam de porta-voz. Você faz esse trabalho pra eles.
— Se começar com discurso de ódio, a conversa acaba aqui.
— Foi o que o YouTube passou anos alegando. E agora admite que foi censura.
— Você tá querendo me confundir.
— Não. Estou querendo te esclarecer. Ou melhor: não estou querendo nada. Só comentei com você uma notícia bombástica que você não ouviu e não quer ouvir.
— Não vi nenhuma bomba até aqui.
— A bomba é que os donos de uma plataforma digital responsável por boa parte da comunicação da humanidade nos dias de hoje admitiram ter banido uma multidão de usuários por motivos políticos.
— Eles disseram isso?
— Disseram.
— O que mais eles disseram?
— Disseram que impediram a publicação de conteúdos na pandemia, cedendo a pressões ocultas, e alegando que estavam cumprindo as regras da plataforma.
— Eu não acredito.
— Confessaram também que fizeram a mesma coisa com publicações de conteúdo eleitoral. Ou seja: admitiram a manipulação da opinião pública.
— Eu não acredito.
— Com essa confissão, o YouTube se junta ao Instagram e ao Facebook na admissão perante o parlamento dos EUA da prática de censura, sempre com pretexto de excluir conteúdos nocivos.
— Se os conteúdos foram excluídos, é porque eram nocivos.
— Obrigado pela sua ajuda.
— Que ajuda?
— Até que enfim eu entendi o que é negacionismo.
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Só dá pra entender assim. Obrigado Guilherme.
Esses ladrões estão precisando de uma solução nepalesa
É mais ou menos assim. Apenas os interlocutores reais com quem hoje falamos não têm essa paciência e tampouco educação. São soberanos donos da verdade.
O verdadeiro!
Como sempre, mais um sensacional e brilhante texto do Fiuza, colocou o `negacionista` nu