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João Doria e Flávio Dino | Foto: Reprodução/Redes Sociais
Edição 290

Antipetismo de fachada

Aqueles que ficam em cima do muro invariavelmente descem pelo lado esquerdo, caindo diretamente no colo de um petista

A esta altura do campeonato, muitos já se deram conta do teatro das tesouras, a estratégia entre tucanos e petistas que simula uma grande rivalidade onde há, na prática, admiração mútua. O outro nome do fenômeno é “direita permitida”, aquela que o sistema aceita justamente por não ser direita de verdade. É preciso manter tudo “dentro de casa”, no quintal da esquerda, para que não haja reformas liberais para valer, para que o conservadorismo nunca tenha chance de moralizar o país.

Doria é um ótimo exemplo disso. A revista IstoÉ chegou a colocá-lo na capa, dizendo: “Nasce o anti-Lula”. Em seguida, a revista diz: “João Doria desponta como a maior novidade da política brasileira e se consagra como o adversário direto do líder petista Lula, apostando na gestão contra as velhas práticas do poder, a corrupção e os desvios condenáveis que dominam Brasília”. Alguns especularam à época sobre tratar-se de matéria paga. Faz sentido, pois eis o que temos hoje: Doria todo sorridente pegando na mão do “companheiro” Flávio Dino, o comunista do STF e ex-ministro de Lula.

O ex-governador escreveu: “O ministro do STF Flávio Dino deu um verdadeiro show no 3º Brasília Summit! Em sua fala, abordou tecnologia, inteligência artificial e os desafios das fake news, mostrando como o Brasil pode avançar com inovação, mas com responsabilidade”. Imagine só se Doria não fosse um “antipetista”, o tipo de elogio que ele não faria ao companheiro…

Não é preciso ir longe: Geraldo Alckmin era do quadro “conservador” do PSDB, gritava que o ladrão queria voltar à cena do crime, mas acabou como vice-presidente do ladrão, cantando a Internacional Socialista e berrando: “Lula! Lula!” Se esse era o tucano mais firme no combate ao petismo, imagina o mais flexível…

Geraldo Alckmin era do quadro “conservador” do PSDB, gritava que o ladrão queria voltar à cena do crime, mas acabou como vice-presidente do ladrão | Foto: Ricardo Stuckert/PR

José Serra é outro exemplo: mais esquerdista do que muito petista, era “atacado” pelo PT como “fascista”, como era de praxe em toda eleição. Qualquer adversário do PT é tratado como “neoliberal” ou “fascista”, não importa seu pedigree esquerdista. Até FHC foi tratado assim, mesmo que tenha sido o pai de vários programas “sociais” que o PT aplaude. A grita era estratégia eleitoral, mas Lula sabia que ao menos estava tudo concentrado no esquerdismo. A social-democracia quer também o socialismo, mas faz alguma concessão ao “mercado”, é mais paciente e rejeita uma revolução.

Identificar os falsos antipetistas é crucial para a direita. Afinal, aqueles que ficam em cima do muro invariavelmente descem pelo lado esquerdo, caindo diretamente no colo de um petista. O “isentão” só não tem coragem de admitir, mas nutre alguma simpatia pelo PT. Caso contrário, jamais faria uma equivalência moral entre o petismo e o bolsonarismo. Quem é indiferente entre Fernando Haddad e Paulo Guedes pode negar o quanto quiser, mas é esquerdista sim.

O PT não é um partido normal: é uma quadrilha com verniz ideológico, que aplaude as piores ditaduras do mundo. Vem colocando o Brasil no eixo do mal, ao lado de regimes nefastos como o iraniano e o chinês. As estatais voltaram a dar prejuízos bilionários. Os projetos de censura só não avançaram mais no Congresso por conta da reação popular. Enfim, se dependesse só da vontade de Lula, o Brasil já era como a Venezuela. Dá para ser neutro entre isso e Jair Bolsonaro?

José Serra é outro exemplo: mais esquerdista do que muito petista, era “atacado” pelo PT como “fascista”, como era de praxe em toda eleição | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Quem não odeia o petismo, quem não sente verdadeiro asco só de ouvir a voz do Lula, no fundo não é um antipetista. Quando a pessoa vem com aquele papo de que não gosta do lulismo, “mas…” e passa a justificar as injustificáveis peripécias petistas, sabemos estar diante de um petista envergonhado. Todos os “liberais” que escreveram cartinha pela democracia e fizeram o L são petistas, ainda que neguem. Arminio Fraga, Elena Landau, João Amoedo e tantos outros emprestaram suas reputações para fortalecer o petismo. Nunca mais poderão bancar os antipetistas!

Está claro que o objetivo do sistema é justamente eliminar Bolsonaro da equação política e regressar com o teatro das tesouras. Mas vai colar? Será que o povo, desperto, vai cair nessa ladainha novamente? Quem ainda acha que Aécio Neves é realmente uma alternativa a Lula? Quem acredita naqueles nomes de “terceira via” que surgem como balão de ensaio, quando a imensa maioria condena “ambos os extremos”, mas que acabam sempre preferindo o petismo mesmo? Tem “terceira via” que é até ministra de Lula!

Em 2026, boa parte do eleitorado estará atenta a este aspecto. Essa multidão quer um antipetista para valer, alguém que abomina o que Lula representa, pois rejeita com todas as suas forças o socialismo corrupto daquele que fundou o Foro de São Paulo ao lado do tirano assassino Fidel Castro. Chega de “antipetista” falso!

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14 comentários
  1. Sergio Mendes Casro
    Sergio Mendes Casro

    Precisamos sempre de alguém que coloque os pontos nos is ! Bravo , Constantino!

  2. Antonio Carlos Neves
    Antonio Carlos Neves

    Pois é Constantino, hoje aos 80 anos e ex tucano desde a fundação do PSDB até 2019, entendo que a grande maioria de tucanos da direita mesmo, são bolsonaristas porque o pouco que restou nesse partido são aqueles que você bem ilustrou, caem do muro sempre do lado esquerdo. Considero que Alckimin seria uma exceção, mas que por estranhos motivos também enganou conservadores tucanos que tinham nele uma esperança na tradição, costumes, religião e liberal.
    Por que a Revista Oeste não o entrevista para entender esse seu atual comportamento, assim como de FHC, MICHEL TEMER e outras figuras sem caráter. Creio interessante propor ao SILVIO NAVARRO que os convide para o seu fantástico programa ARENA OESTE.

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Anti PTismo, teatro das tesouras, Fernando Henrique l, Jorge Dória, alkmim… Isso tudo não está na ordem do dia. Hoje é PT partido terrorista, STF terrorista, CNJ terrorista STJ terrorista MP terrorista TSE terrorista, todos da esquerda. Narcotrafico, assassinos e ladrão é café pequeno

  4. Paulo Ricardo
    Paulo Ricardo

    Excelente artigo. Só discordo da afirmação, contida na primeira frase, de que entre tucanos e petistas existe “admiração mútua”. Tucanos certamente nutrem, no fundo ou declaradamente, admiração pelos petistas, mas o contrário não ocorre. Petistas na verdade desprezam tucanos, a quem, no velho estilo comunista, enxergam como “companheiros de viagem” a serem desembarcados assim que deixarem de ser úteis. O que torna o petismo tucano ainda mais abjeto, além de potencialmente suicida.

    1. Marcos Marcioni
      Marcos Marcioni

      A próxima eleição não será fácil, o candidato da direita tem que mostrar quanto o Brasil é gigante em tudo e convencer o eleitorado que sempre é enganado pela esquerda. Tarcísio tem essa capacidade.
      .

  5. JOSE ROBERTO CARRARA
    JOSE ROBERTO CARRARA

    considero o Bolsonaro fora do pareo, muito por conta e culpa dele proprio, agora temos que encontrar alguem com capacidade de derrotar o analfabeto e incompetente que atualmente esta na presidencia…..que se colocarem novamente na presidencia, será a derrocada final do Brasil…

    1. JOSE ROBERTO CARRARA
      JOSE ROBERTO CARRARA

      agora sobre o calçinha apertada, esse não merece nem comentarios…..

  6. Adriana Fossa
    Adriana Fossa

    Esse aí não deixou dúvidas de quem era ao assumir o governo de São Paulo e rapidamente, romper com Bolsonaro (lembra na campanha presidencial, corria literalmente atrás dele:? ). Essa LIDE não engana ninguém. E sim, lembro muito bem do pessoal da ‘cartinha da democracia’ no Largo São Francisco. Todos fizeram o L. Eu não esqueço, tampouco me surpreendo.

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