Na terça-feira, 23, estarei no Paramount Club, em Nova York, para participar, a convite da revista The Economist, do painel From soil to shelf: a unified approach to building resilient food systems. Será um evento em conjunto com a Climate Week NYC.
Esse painel destacará soluções reais e explorará como a colaboração intersetorial pode ampliar inovações que apoiam os agricultores, mitigam os impactos das mudanças climáticas e fortalecem os sistemas alimentares globais. A discussão refletirá a profundidade analítica e a perspectiva global, reunindo líderes e tomadores de decisão de diversos setores.
O mais importante de tudo é levar a voz do agricultor nesses fóruns internacionais. É preciso contar a versão do produtor rural em temas como esse. É preciso relembrar que, segundo estudos da FAO, nos próximos dez anos mais de 40% dos alimentos serão fornecidos pelo Brasil.
Reforçando, cerca de 80% dos países do mundo (mais de 150) são importadores líquidos de alimentos, ou seja, não conseguem produzir a sua própria comida. É nesse cenário que o Brasil se firma como um dos principais atores na geopolítica global e se transforma em fornecedor confiável de alimentos para muitos países ao redor do mundo.
É uma pena que o governo federal não entenda esse ponto e, em vez de valorizar esse protagonismo, entra em discussões que não trarão qualquer benefício para o nosso setor, como a questão do dólar como moeda principal nas transações internacionais.

Ora, as commodities alimentares são reconhecidas como a melhor moeda existente no mundo, até mais forte que o ouro. Através da história, sempre foram o único abrigo para crises inflacionárias, guerras, conflitos armados etc., resultantes da expansão monetária, porque têm consumo e reposição diária e atualizam automaticamente as perdas pela inflação.
Por que não fazer esse tipo de defesa em vez dessa trapalhada contra o dólar americano? Mais do que isso, em novembro o Brasil estará sediando a COP30, o maior evento climático de 2025. É claro que a questão climática e a sustentabilidade são importantes, mas por que não realizar também uma COP do Alimento?
Sim, eu vejo a comunidade internacional realizar diversos eventos em todos os continentes, nos quais trata principalmente da questão ambiental. A do Brasil será a trigésima. No entanto, até o momento, não realizamos nenhuma conferência sobre a questão da fome ou desnutrição no mundo.
Olavo Bilac escreveu sobre a pujança de nossas terras:
“Vê que vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha…
Quem com seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! Não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!”
Portanto, fica aqui a pergunta: que tal realizarmos no Brasil uma COP sobre alimentação? Tudo parece essencial, até que a comida acaba — aí você vê o que realmente importa.

Antonio Cabrera é veterinário com pós-graduação em produção animal e presidente do Grupo Cabrera, que atua no agronegócio. Foi ministro da Agricultura e Reforma Agrária no governo Fernando Collor e ex-secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de SP durante a gestão Mário Covas. Atualmente, é titular da Sociedade Nacional de Agricultura e membro de várias entidades nacionais e internacionais, além de cônsul honorário da Espanha. Ele está no LinkedIin: Antonio Cabrera
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Não entendo a importância da COP30. Como o homem pode querer interferir no clima? Só vejo interesses particulares e muita ideologia. Além da total falta de coerência em se realizar esse evento num local onde não existe saneamento básico e precisou desmatar a floresta para construir o espaço adequado.
Um artigo pequeno, mas com um assunto profundo e que não se discute. Cabrera levantou a “lebre”. Precisamos falar mais deste assunto e da importância que ele tem na atualidade. Passa-se fome no mundo, por querer. O Brasil está aí, apesar da ingerência maldita e negativa sobre o agro. Mas o agro será sempre muito maior do que já é. E tenho um amigo, infelizmente, de esquerda que diz com todas as letras: o agro vai acabar com o Brasil. Tenho pena desta visão tão retrógrada. Para finalizar: Cabrera parabéns. Você é um sujeito que lê e isto é muito importante. Vejam a citação de Olavo Bilac em seu texto. Não poderia ser mais adequada. Parabéns ao Cabrera e ao Olavo Bilac que disse coisas tão importantes. Lá atrás. Nota 1000…………………………..