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Estátua da justiça, na frente do prédio do STF | Foto: Luiz Silveira/STF
Edição 287

Carta ao Leitor — Edição 287

A era da democracia invertebrada e o projeto de lei que pretende dificultar o trabalho dos policiais brasileiros também estão entre os destaques desta edição

Nesta quarta-feira, 10, os brasileiros tiveram a oportunidade de ver a Constituição sendo tratada com o devido respeito, algo que há muito tempo não acontecia. Por cerca de 14 horas, Luiz Fux, único juiz de carreira entre os 11 ministros do STF, desmontou, ponto a ponto, a tese segundo a qual Jair Bolsonaro e outros sete réus tentaram consumar um golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

O lampejo de esperança na volta à normalidade institucional desfez-se no dia seguinte, com os votos de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A condenação do ex-presidente não surpreendeu. O que causou espanto foi o tamanho da pena. A assassina Elize Matsunaga, que matou e esquartejou o próprio marido, foi condenada a 19 anos de prisão. No mesmo país, homens que nem estavam em Brasília no dia dos atos de vandalismo foram sentenciados a quase 30 anos em regime fechado.

Em seu voto — um dos mais longos da história do Supremo —, Fux esmiuçou as razões pelas quais o julgamento deveria ser anulado. A primeira delas: nenhum dos réus tem direito a foro privilegiado. O processo, portanto, deveria ser remetido à primeira instância. Os detalhes do julgamento estão na reportagem de capa desta edição, assinada por Cristyan Costa e Silvio Navarro.

“Fux enfrentou o obscurantismo atual da corte e fez a luz do Direito, do legalismo e da sensatez jurídica brilhar novamente no país”, afirma Adalberto Piotto. “O longo tempo do voto, longe de qualquer preciosismo do autor, era necessário. Desde 2019, o Brasil tem estado sob as trevas de ilegalidades, a começar pelo malfadado inquérito 4.781, aberto de ofício, sem provocação do Ministério Público e sem sorteio.”

Biografias em miniatura dos outros quatro integrantes da Primeira Turma compõem o artigo de Augusto Nunes. Entre eles, figuram o ex-advogado de Lula e o ex-ministro da Justiça de Lula. Parece piada. É o Brasil.

Para Guilherme Fiuza, o período atual entrará para a história como a era da Democracia Invertebrada. “Como fazer uma democracia VIP, geneticamente melhorada, com esse monte de cabeça querendo entrar na festa?”, pergunta. “Festa cheia demais fica ruim, por melhor que seja a bebida. Aí surgiu a ideia genial de deixar o povo do lado de fora.”

Alexandre Garcia e Rodrigo Constantino tratam do assassinato do ativista político Charlie Kirk. Para Garcia, é a prática do conselho atribuído a Lênin: “Acuse-os daquilo que você é”. Os atentados contra Kirk, Bolsonaro, Donald Trump e o colombiano Miguel Uribe Turbay são alguns exemplos de como a esquerda destila permanentemente o ódio que atribui aos seus inimigos. Constantino reforça: “Charlie era um exemplo perfeito daquilo que Thomas Sowell diz: ‘É incrível como um homem honesto pode causar pânico entre uma multidão de hipócritas’”.

(Kirk foi baleado durante uma palestra numa universidade dos EUA. Tanto lá quanto no Brasil, observa o filósofo Luiz Felipe Pondé em entrevista a Oeste, a universidade se tornou trincheira ideológica.)

Lula e seus seguidores chamam a atenção não só pela proximidade com personagens com contas a acertar com a Justiça, lembra Fábio Bouéri, mas também pelas propostas que dificultam o trabalho policial. A deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ), por exemplo, quer proibir que a polícia use helicópteros e drones — equipamentos comprovadamente eficazes contra o crime organizado.

Uma das bandeiras da esquerda é a criminalização da polícia. Outra é o uso de mentiras para acusar judeus de atrocidades que não cometem, alerta Miriam Sanger. A reportagem de Dagomir Marquezi lista os erros de Israel que permitiram a invasão de 7 de outubro de 2023 — e os horrores praticados pelos terroristas do Hamas.

Boa leitura.

Branca Nunes

Diretora de redação

Capa da Revista Oeste, edição 287. Luiz Fux, ministro do STF | Foto: Flickr STF

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5 comentários
  1. Josenildo Nascimento Melo
    Josenildo Nascimento Melo

    Mais uma capa primorosa. Não gosto de ser um simples assinante. Faço questão de ler toda a edição semanal. Excellent!

  2. PAULO JOSE FERNANDES CAIRRAO
    PAULO JOSE FERNANDES CAIRRAO

    Não me imaginave viver para ver um novo Tribunal Popular (Volksgerichtshof) da Alemanha ou o os Julgamentos de Moscow, muito triste passarmos por isso novamente na humanidade. E vendo o crescimento da intolerancia e violencia da extrema esquerda. Enfim, tempo ao tempo.

  3. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Essa Talíria Tronique está certíssima ela não quer que a polícia use armas contra ela. E quanto a esquerda ser tudo o que ela é, vou imitar o ET da floresta, “Você tem alguma dúvida, você tem alguma dúvida?” Quando esse ET fora botada pra fora do governo

  4. Lafaiete Nogueira De Marco
    Lafaiete Nogueira De Marco

    Ligeiro reparo: o Dr. Dino foi juiz federal de carreira, mas abandonou o cargo pra dedicar-se à “política” maranhense, sob o beneplácito do “intelectual” e acadêmico Zé Sarney, o próprio. Como o destino é incerto, surpreendente e, por vezes traiçoeiro, atuará por décadas como ministro de nosso Excelso Pretório. No mais, parabéns por suas cartas ao leitor.

  5. Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva
    Luzia Helena Lacerda Nunes Da Silva

    Capa impecável.

    Jamais imaginei que viveria tempos de horror. Um tempo semelhante aos anos que antecederam a Segunda Grande Guerra. Perseguições, ódios, arbitrariedades, censura, narrativas, inimigos por toda parte, assassinatos de reputação e de corpos, medo medo medo…

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