A linha de crédito emergencial de aproximadamente R$ 30 bilhões anunciada pelo governo Lula em resposta ao tarifaço dos Estados Unidos terá efeitos apenas no curto prazo, mas corre o risco de provocar sérios problemas para a economia brasileira. A opinião dominante na Faria Lima é que a escolha de deixar fora da meta fiscal deste ano R$ 9,5 bilhões do pacote de ajuda vai piorar a opinião do mercado sobre a estabilidade das contas públicas brasileiras, provocando alta dos juros futuros, fuga de investidores estrangeiros e depreciação do real.
Uma manobra como essa poderia se tornar um precedente perigoso, gerando outras medidas que levem ao total abandono de qualquer controle fiscal, causando aumento da dívida pública. Além disso, o pacote não é suficiente para resolver o problema no longo prazo, especialmente para setores mais dependentes do mercado americano, como café e suco de laranja.
Sem contar a opaca discricionariedade nas compras de produtos por parte do governo, dispensando a necessidade de leilão ou de estudo prévio de avaliação, o que poderia abrir a porteira para casos de corrupção e desvio de recursos. Para reduzir o impacto, seria necessário ampliar canais de exportação para outros países. Tarefa difícil diante do peso do consumo americano.
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Tarifaço vai gerar desemprego
Mesmo com o governo gastando mais, os efeitos do tarifaço do governo Trump devem provocar uma desaceleração no crescimento econômico do Brasil. Analistas preveem uma queda entre 0,2% e 1% no Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos. Além disso, impactos expressivos sobre o emprego serão inevitáveis, com até 618 mil postos de trabalho perdidos no prazo de dez anos, no pior cenário.

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Taurus prepara estoque nos EUA
O tarifaço vai impactar em cheio a produção de armas brasileiras. Por isso, a Taurus, maior fabricante de armas do país, decidiu transferir estoques para os Estados Unidos, como forma de minimizar os impactos do aumento das tarifas alfandegárias. A empresa iniciou na semana passada a transferência da linha de montagem da família G para os EUA, aumentando a produção de armas destinadas ao mercado americano.

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Varejo perdendo fôlego
Os dados sobre o varejo preocupam os analistas do mercado financeiro. Segundo os dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as vendas recuaram 0,1% em junho na comparação com o mês anterior. Especialistas esperavam uma alta de 0,7%.
Segundo o Bradesco, as vendas fracas do comércio varejista indicam perda de fôlego na atividade a partir do meio do ano. A queda mais acentuada foi registrada nos setores dependentes de crédito, mas em agosto foi clara a disseminação da redução entre os diferentes segmentos do varejo. O prelúdio a uma desaceleração gradual da economia ao longo da segunda metade do ano.
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Shopee crescendo no Brasil
A Shopee aumentou em mais de 30% o número de compradores ativos mensais no segundo trimestre do ano. A plataforma chinesa de comércio eletrônico está investindo na melhoria de sua rede logística e no avanço de seus serviços de tecnologia financeira (fintech). O Brasil se tornou também uma peça-chave para o crescimento da área financeira da controladora da Shopee, a Sea Limited, com o número de usuários ativos das soluções digitais da empresa que mais que dobrou em um ano.

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Carros voadores capitalizados
A Eve, empresa de carros elétricos aéreos da Embraer, realizará um aumento de capital de US$ 230 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão). A maioria dos recursos será injetada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela própria Embraer e por investidores institucionais. A captação dos recursos envolverá uma oferta direta registrada nos Estados Unidos e no Brasil, garantindo dessa forma a dupla listagem da empresa.

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A guerra dos postos
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se tornarão palco de uma disputa entre distribuidores de gasolina. Redes de postos de Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo e Paraná estão juntando provas documentais para se habilitar como terceiros interessados no processo administrativo instaurado no Cade contra Petrobras e Ipiranga. E pretendem agir na ANP também contra as empresas.
O cerne da disputa seriam contratos comerciais impostos por essas empresas com cláusulas abusivas, como exclusividade de dez a 15 anos, além de obrigatoriedade de compra de altos volumes de litros de combustível. E multas gigantescas em caso de descumprimento. Ipiranga e Petrobras Distribuidora estão sendo investigadas pelo Cade por condutas anticompetitivas e formação de cartel.
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Caloteiros em alta
A inadimplência dos aluguéis voltou a subir em julho, alcançando 3,59%, o maior patamar dos últimos 12 meses. Segundo dados da plataforma Superlógica, esses dados são provocados por inflação persistente, juros elevados e alto endividamento das famílias. Um cenário como esse torna necessária a cautela jurídica na celebração e gestão dos contratos de locação.
Imóveis de menor valor e unidades comerciais são os mais afetados, com imóveis residenciais com aluguel até R$ 1 mil que chegam a ter uma inadimplência de 5,79%, e imóveis comerciais da mesma faixa que alcançam 7,48% — dados que refletem a vulnerabilidade dos pequenos locatários e empreendedores.
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A batalha pelo Porto de Santos
A concessão de um megaterminal no Porto de Santos, o Tecon 10, começa a ganhar ares de disputa grande. Pelo menos 20 grandes grupos estão acompanhando o projeto com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Entre eles, a JBS Terminais, divisão logística do gigante das carnes, que já opera o Porto de Itajaí, em Santa Catarina, e que estaria se preparando para apresentar uma oferta. O governo quer lançar o edital em setembro e concluir o certame até o fim do ano, prevendo um investimento de R$ 5,6 bilhões.

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Esse conceito de “cláusula abusiva” em contratos é algo que não deveria existir no ordenamento jurídico brasileiro