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Edição 280

Os perigos da internet

Conheça os golpes mais comuns na rede e saiba como se defender deles

Se você sair na rua exibindo seu último modelo de iPhone em alguma região dominada por bandidos, provavelmente ficará sem o celular. Se sair de casa com uma mala aberta lotada de joias e andar por locais dominados por gangues de criminosos, provavelmente acontecerá o mesmo.

A segurança pessoal é obrigação primária de cada um. E isso vale também para a internet. A rede nos traz maravilhas diárias. Mas — como na vida real — nos ameaça com pilantras, ladrões, chantagistas, falsificadores, vigaristas, fraudadores, charlatões e trapaceiros. Aqui vai uma lista de alguns dos golpes mais comuns (a lista é parcialmente baseada em matéria da revista PCWorld) — e como se defender deles.

1 – Endereços falsos

Um “amigo” seu diz que a Revista Oeste é o máximo e o orienta a assiná-la digitando no browser um site muito parecido com o real, mas com um hífen a mais, uma extensão “.org” ou um final “.br”. Você entra nele e escancara seu computador para um vírus, um cavalo de Troia ou algo pior. Por quê? Porque o endereço correto é www.revistaoeste.com. Antes de digitar um endereço que “parece” o que você quer acessar, tenha certeza de que porta você está abrindo. No caso de um link, é bom também clicar nele apertando a tecla CTRL. Um popup vai mostrar se você está indo pelo caminho certo.

2 – Falsos QR Codes

Não subestime a esperteza de um bandido. Você está num hospital, num supermercado ou num aeroporto e encontra aquele quadradinho preto e branco de um QR Code. Ele promete um desconto ou algo parecido se você se cadastrar. Você aponta a câmera do celular para o QR Code, entra num site com a cara da empresa e vai clicando e clicando… e, quando descobre o que aconteceu, é tarde. Um malandro colou um adesivo com outro QR Code por cima do original, que levou para algum outro lugar que você não procurou — uma falsificação do site real. Ao abrir um QR Code fora de casa, preste atenção para onde você foi direcionado.

3 – Malvertising

Advertising significa propaganda em inglês. Malvertising é uma propaganda enganosa. “Agora você pode ter o carro dos seus sonhos por até R$ 10 mil!” Para fazer a compra milagrosa, basta deixar o número de seu cartão de crédito e clicar no quadradinho para concordar com os termos da superoferta. Pronto. Nesse território de comércio online, o limite entre o legal e o ilegal é muito tênue. Desconfie de milagres.

Criptomoedas | Foto: Shutterstock

4 – Cripto armadilhas

O mundo das criptomoedas pode parecer muito complicado. Mas está se tornando um investimento como os outros, desde que você tome alguns cuidados. Entre outras coisas, só entre nesse mundo por meio de corretoras conhecidas e seguras. Não é incomum que em sua rede social apareçam pessoas que você nunca viu antes dizendo que querem ser suas amigas — e usando para isso fotos de pessoas atraentes. Conversa vai, conversa vem, logo seu “amigo” ou sua “amiga” está oferecendo uma operação milagrosa em criptomoedas, garantindo que você vai dobrar sua renda em uma ou duas semanas. E então pede a senha de sua carteira de cripto.

5 – Não faça como a Aeroflot

Nesta semana, a gigantesca empresa aérea russa Aeroflot experimentou um dia de pânico, tendo que cancelar mais de 50 voos. A causa foi um ataque do Silent Crow (“Corvo Silencioso”), um grupo de hackers ligados à Ucrânia. Segundo o porta-voz do “Corvo”, o ataque foi facilitado pelo fato de a empresa usar em seus computadores sistemas completamente ultrapassados, como o Windows XP e o Windows 2003. Tem mais: a Aeroflot não mudava sua senha havia três anos. E as senhas estavam guardadas num arquivo chamado… “passwords.txt”. A segurança na internet exige cuidados como mudar senhas regularmente e manter os sistemas operacionais atualizados. E, claro, evite guardar suas senhas numa pasta chamada “senhas”. Depois, não adianta chorar.

6 – A lojinha da esquina virtual

Existem duas lojas oficiais de softwares: a Google Play Store e a Apple App Store. Elas garantem a integridade dos produtos que estão vendendo. Mas alguém te disse que em tal site existem games que estão fora do mercado e seus preços são incríveis. Você baixa os games, e com eles malwares que podem acessar suas senhas e dados dos cartões de crédito. E então… game over.

7 – Reforce a guarda

Assine um serviço de VPN. Ele disfarça seu endereço caso alguém esteja interessado em rastrear sua atividade online e localização, por exemplo. Além disso, o VPN criptografa — ou seja, embaralha — as mensagens e comandos. Tenha também um bom sistema de segurança. O Microsoft Defender, por exemplo, faz o serviço completo: protege contra vírus, mantém as contas seguras, protege seu computador na internet e mantém o núcleo do Windows isolado em caso de ataque.

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8 – Wi-Fi grátis — e perigoso

Geralmente temos um sistema particular de internet em casa e o sinal que chega nos nossos celulares. Essas redes são seguras e garantidas por senhas. O problema ocorre quando você vai a uma padaria ou um aeroporto, por exemplo, e encontra o aviso de “Wi-Fi grátis”. Aí não existe garantia nenhuma. Quando você usar um Wi-Fi público, a princípio, você pode se considerar monitorado. Nesses casos, use a internet grátis para tarefas triviais, como ler uma revista ou checar as redes sociais. Mas não entre em territórios perigosos como suas contas bancárias. 

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9 – Até o Google?

Você procura no Google (ou outro mecanismo de busca) por “pizza”. No topo das buscas, aparece um resultado de uma pizzaria desconhecida oferecendo “qualquer pizza por R$ 15 e bebidas grátis”. Se você estiver com muita fome, vai acabar clicando. Não faça isso. Bandidos pagam para deixar seus resultados falsos de busca em primeiro lugar. Ou usam técnicas avançadas de SEO (Search Engine Optimization — Otimização para Mecanismos de Busca) para que o link apareça em destaque e você se sinta tentado a clicar sem pensar. Não virá pizza nenhuma. E seu computador será contaminado.

10 – E-mails que prometem milagres

“Sou um empresário sofrendo perseguição na Nigéria e já tenho um esquema montado para fugir para o Brasil. Como meus fundos estão para ser bloqueados, gostaria de propor a você um negócio. Eu remeto 400 mil dólares para que você guarde enquanto providencio minha fuga. Como agradecimento, entrego 80 mil dólares para você. Se você aceitar, clique no link abaixo para iniciar a transferência.” O golpe do “fugitivo nigeriano” muda de personagem, mas continua ativo. Não existem milagres em e-mails de desconhecidos da África ou de qualquer outro lugar. Prefira clicar em “deletar mensagem”.

11 – O golpe presencial

Alguns sites ajudam pessoas que estão negociando coisas e objetos a cruzar seus interesses. Você quer vender um carro usado? Marilda, que na foto aparece com seus óculos de professorinha e sorriso angelical, está querendo comprar exatamente o modelo que você quer vender. Vocês marcam encontro num estacionamento. E você descobre que Marilda, na verdade, é o Bernardão, conhecido meliante que leva um capanga, lhe dá uma surra e ainda rouba seu carro. Caso você queira fazer um negócio desse tipo, siga os conselhos da PCWorld: “leve um amigo com você para o encontro, marque em algum lugar iluminado e cheio de gente”.

Dark Web | Foto: Shutterstock

12 – Cuidado com o que você procura

Já escrevi aqui sobre a Dark Web e o que ela pode trazer de bom. Mas esse território obscuro da internet é uma tentação para o lado mais sombrio de nossas mentes. Pessoas curiosas podem se ver atraídas por sites bizarros de pornografia ou por um suposto mercado de pistoleiros de aluguel. No escuro do seu quarto, isso pode render uma madrugada movimentada. Mas você pode acordar com a polícia na porta por ter cometido algum crime sério só de ter acessado esse tipo de material.

13 – Pague pelo que você consome

Ainda existem usuários que “baixam” filmes e músicas em esquemas do tipo torrent. É uma mentalidade sobrevivente dos primeiros tempos da internet, que parecia um território livre de controle, onde você podia baixar músicas em MP3 à vontade sem dar satisfação a ninguém. Os tempos são outros. Quem fizer isso pode dar de cara com uma cobrança alta por direitos autorais. Hoje, você pode ter acesso a streamings musicais por preços muito razoáveis e ouvir o que quiser dentro da lei.

14 – Golpes emocionais

“Pai! Fui sequestrado e o pessoal aqui quer uma transferência por Pix ou eles vão decepar minha orelha! Me ajuda, pai!” Bandidos usam a urgência de situações emocionais falsas para golpes rápidos e certeiros. A vítima deve, antes de tudo, ter frieza para analisar a ameaça e ver se ela é factível. Isso vale para sequestros falsos e recados urgentes de seu gerente do banco. Respire fundo e certifique-se da autenticidade dessas mensagens antes de tomar qualquer decisão. Cuidado especialmente com mensagens de voz. O que você jura ser a voz de seu filho ou sua filha pode ter sido clonada por inteligência artificial — e agora chora no seu ouvido.

Ransomware ataque | Foto: Shutterstock

15 – Sequestro de dados

O chamado ransomware costuma atingir grandes empresas, órgãos de governo e hospitais. Mas pode acontecer com usuários individuais. O criminoso invade seu computador e o bloqueia. Para que ele seja liberado, a vítima tem que pagar um resgate (ransom). Proteja-se com o que já foi listado aqui: senhas renovadas, VPN, programas de defesa. Acostume-se também a usar o armazenamento na nuvem como um backup dos documentos que você tem no seu computador. Bloquear você é uma coisa. Bloquear a nuvem do Google ou da Microsoft é um pouquinho mais difícil.

dagomirmarquezi.com
@dagomirmarquezi

Leia também “O Brasil sem GPS — e sem rumo”

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2 comentários
  1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Muito bom, Dagomir. Obrigado pelo alerta.

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