As tarifas comerciais, e agora também as investigações sobre outras formas de barreiras indiretas usadas pelo Brasil nas trocas comerciais, são instrumentos utilizados pelo governo Trump, mas não a meta em si. Muitos empresários, porém, seguem na fase na negação, ignorando inclusive o que Trump disse, com todas as letras, no começo de sua carta ao governo Lula. Trump reforçou sua mensagem várias vezes e, não obstante, os representantes de setores de nossa economia se encontram com Geraldo Alckmin achando que “pragmatismo” e “diplomacia” vão resolver o problema contratado para 1º de agosto.

Quantas vezes os americanos precisam falar “STF” para que os brasileiros entendam que o problema é o STF? Até mesmo na abertura das investigações em curso é mencionado o problema do STF, mas nossos empresários insistem num discurso puramente comercial. Numa reportagem do jornal O Globo sobre o encontro do governo com empresários, chega a ser comovente o grau de alienação:
“Na avaliação de empresários presentes ao encontro, o impacto para as exportações do tarifaço é de tal magnitude que não há espaço para o debate em torno dos aspectos políticos. Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), afirmou que o aspecto político sequer chegou a ser discutido e que o debate foi centrado na busca de canais com o governo americano.
‘Ficou decidido que é preciso mostrar que não faz sentido o Brasil ter a maior taxa sobre seus produtos vendidos nos EUA. Outra recomendação consensual na reunião é ‘evitar falatório’ e buscar pontos de convergência entre os dois países, sempre com foco no comercial, usando a frieza da diplomacia’, disse ele.”

Mas o que foi que Trump exigiu em sua carta? Ele falou da perseguição a Jair Bolsonaro com clareza ímpar, ou estou ficando maluco? Alckmin, aquele que frequenta festa de terroristas representando oficialmente o Brasil lulista, adoraria separar o “problema judiciário” daquele econômico, mas Trump por acaso lhe deu essa opção? Na conversa com empresários, Alckmin salientou que é preciso “separar questões de natureza jurídica” ao discutir as relações do Brasil ao tarifaço. Na carta em que anunciou a sobretaxa, Trump justificou a medida citando o tratamento dado pelo Judiciário ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Como fica? Vai negociar com Trump largando da premissa de que seu principal objetivo está fora da mesa de negociação?
“Primeiramente, separar questões de natureza jurídica, como diz Montesquieu [filósofo francês], a separação dos Poderes é pedra fundamental do Estado de Direito, o governo não tem ação sobre outro Poder”, disse Alckmin. Resta combinar com os russos! Ou melhor, com os americanos, pois se fosse com os russos era bem mais simples para a turma petista. Se o que Trump está denunciando é justamente o uso do Poder Judiciário pelo regime brasileiro para perseguir Bolsonaro, como deixar isso de fora? Como falar de Montesquieu se a acusação de Trump é exatamente a de que tem havido abuso de poder para ativismo político?

Parece papo de bêbado ou maluco. Mas muitos empresários estão apostando suas fichas nessa “diplomacia” tosca. Negam-se a enxergar a realidade como ela é: o Brasil lulista virou eixo do mal, e países que atentam contra a liberdade costumam pagar um preço alto. Em um texto meu de setembro de 2024, cheguei a antecipar sanções ao país: “O Brasil será um pária mundial sob sanções econômicas, como os demais países do eixo do mal. A batata está assando. Ou, se preferir, o ovo está cozinhando”. Não era profecia, mas análise.
Essas consultorias todas a preço de ouro no mercado financeiro deixaram passar esse enorme elefante na sala. Pois eles insistem na premissa falsa de que há alguma normalidade institucional no país. Ou de que não haverá custo ao “brincar de Venezuela”. Ignoraram que o mundo ocidental voltou a ter xerife com Donald Trump, e até a Otan já está falando mais grosso contra países que tentam ser malandros ao comprar produtos russos driblando as sanções impostas. O Brasil lulista está no topo da lista, ameaçado com mais 100% de tarifas por causa disso.
Não adianta o empresariado espernear, apelar para Alcolumbre e Motta ou culpar Eduardo Bolsonaro. O navio já partiu, e era do Irã! Ou o Brasil retoma alguma normalidade institucional, ou vai arcar com as consequências. O que não dá para levar a sério é usar Geraldo Alckmin como porta-voz para apelar aos “diplomatas americanos” com base em nosso longo relacionamento comercial com os EUA. Nesse relacionamento, quantas vezes o Poder Judiciário se tornou um puxadinho do governo federal para derrotar um adversário político do sistema? E quantas vezes fez isso tendo do outro lado alguém como Donald Trump? Para concluir, repito a pergunta: quantas vezes os americanos precisam falar “STF” para que os brasileiros entendam que o problema é o STF?

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Esses políticos brasileiros estão com demência aguda. Ou não sabem discernir o que é certo e o que é errado. E até uns de direita estão entrando nesse barco
Muito boa sua análise Rodrigo.
O sistema virou um monstro. Tá feio fingir que tá tudo normal.
Te desejo boa recuperação e muita saúde.
Quem são esses empresários? É bom sabermos! Que estão preocupados apenas com o próprio umbigo.
Concordo com você, Consta. E acho que não é burrice não, é cinismo mesmo.
Mente ótima e corpo em veloz recuperação. Fique bem e Abraço.
Parabéns Consta e muita saúde. Muito lúcida e transparente tuas colocações, o problema é o STF. Então vale a pena recordar que recentemente o “iluminado” Barroso disse que quando presidente do TSE, pediu ao governo (Biden) americano manifestações de apoio a democracia brasileira (essa da TOGA) e que essas manifestações foram decisivas para influenciar a postura das FFAA brasileiras.
Ora, agora que o governo americano é TRUMP, por que o Ministério da Defesa dos EUA não conversão com as FFAA brasileiras em defesa do retorno à democracia ora extinta em nosso pais?
Creio que a maioria de nossas FFAA já esta esperando essa manifestação do governo TRUMP para por ordem na casa, todavia seria importante que autoridades da oposição, jornalistas brasileiros com excelentes contatos com nossas FFAA como Paulo Figueiredo, o coronel Gerson Gomes, e outros que aqui contestam, façam a mesma solicitação ao atual governo americano que no passado Barroso fez à Biden.
corrigindo, não conversam com as FFAA brasileiras,….
Exatamente Constantino, Brasil a deriva, sem rumo, eles em três anos destruíram o país.
Mais claro impossível.
Excelente Rodrigo!
Impecável, CONSTA! Nossas orações são contínuas!
👊
Infelizmente os Empresários desmiolado, não leem a Oeste.
Oi Constantino, meus votos de melhora, antes de tudo. Que Deus te projeta.
Lula fala em soberania nacional, mas se esquece que os USA também é soberano para decidir as tarifas do Imposto de importação deles. Nosso presidente precisa arranjar outro argumento para aguentar mais fogo que vem por aí. O passarinho não aguentará a briga com a águia do norte e vamos todos perder muito.
Análise perfeita Consta. Saúde, força e paz!
Um empresariado incapaz de compreender quem são seus verdadeiros inimigos, e que eles estão sentados a seu lado, condena-se, e condena o país, à destruição. Lamentável.