A partir de 1º de agosto vamos ter sanções em dobro. A de Trump, de 50% sobre as exportações para os Estados Unidos, e a de Lula, de 30% de álcool sobre a gasolina de nossos veículos. A mídia nos cobre de discussões sobre a de Trump, que vai atingir diretamente os que exportam para a América, e faz um silêncio desrespeitoso com os brasileiros donos de carros e motos a gasolina. Assim como Trump não perguntou aos exportadores brasileiros se gostariam de ter uma tarifa adicional para entrar nos Estados Unidos, o governo brasileiro tampouco perguntou aos brasileiros se gostariam de ter nos seus motores apenas 70% de gasolina. Gasolina com 30% de etanol é adulteração do combustível. Meia dúzia de burocratas decidiram, e ninguém perguntou ao consumidor se poderia. E alardeiam transparência, democracia.
Assim é, neste país sem cultura democrática. Ainda não naturalizaram a democracia — para usar a novilíngua. A ideologia reinante inverteu a ordem: é o Estado o patrão, e não o povo; o servidor é o povo, e não o Estado. Neste momento, cabe a pergunta: o que é mais nocivo à Nação brasileira, a tarifa de Trump, que atinge os exportadores para os Estados Unidos, ou as tarifas do Estado brasileiro, que atingem a todos com taxas, licenças, alvarás, burocracias, impostos em cascata, emaranhados de regras, mudanças constantes, que formam o custo-Brasil? Que, afinal, não é custo-Brasil, mas custo-Estado brasileiro.

O vice-presidente e ministro do Comércio Exterior acabou de anunciar desburocratização nas importações e exportações. Segundo Geraldo Alckmin, eliminar licenças de uma multidão de órgãos, como Anvisa, Ibama, Mapa…, vai significar uma economia de R$ 40 bilhões por ano para os exportadores e importadores. Imagine as empresas brasileiras que exportam e importam gastarem R$ 40 bilhões só com burocracia. É incrível como o Estado onera quem trabalha, produz, vende e compra. Para empregar, pagar salário, o empregador na verdade gasta mais meio salário em encargos. E todos sabemos que, a cada ano, trabalhamos para os governos até o fim de maio, com impostos, taxas, encargos embutidos em tudo o que compramos e no que pagamos diretamente.
Aqui no Brasil o Estado é o patrão, e não o povo. Ainda vivemos a era feudal, anterior a 1215, quando impuseram ao rei João Sem-Terra a Magna Carta. Por sinal, nem a Magna Carta brasileira, escrita pelos constituintes eleitos pelo povo brasileiro, é respeitada pelos guardiões dela. O Estado que quer ser tutor do que pode ser dito ou visto e ouvido, é porque quer ser dono da liberdade do povo. Mas o Estado só existe para servir à Nação, que é o povo e seus empreendimentos. O Estado é um prestador de segurança, justiça, saúde, ensino. Pelo tamanho dos tributos, deveríamos ter serviços públicos de excelência, mas não temos. E há imensa disparidade entre os salários dos nossos servidores no Estado e os dos brasileiros assalariados fora do Estado, assim como entre os benefícios de férias, saúde, vantagens, aposentadoria do Estado e da Nação. Na prática, é a Nação que está a serviço do Estado, o que é uma inversão.

O povo paga impostos para sustentar o Estado, e cria-se uma ilusão de caridade com o Bolsa Família. Poderia ser feito um turismo didático em Brasília, mostrando os monumentais palácios do Judiciário, construídos nos últimos anos, a multidão de assessores no Legislativo, que agora terão mais lugares em 18 novos gabinetes, pois vão derrubar o veto presidencial e serão 531 deputados a ocupar o plenário planejado para 326. Vieram depois os anexos dos ministérios que já são insuficientes, e o Executivo aluga prédios na capital. Isso explica a dívida pública de quase R$ 8 trilhões.
Quando cheguei a Brasília, há quase 50 anos, havia 11 prédios de ministérios. Imaginei que o computador iria reduzir para um terço o tamanho da burocracia. Mas aplicaram a Lei de Parkinson, e o número de servidores foi sendo multiplicado. Inventaram “trabalho” para justificar o número de cadeiras e mesas a serem ocupadas. Em terra de ninguém, incha o que não consegue inchar nas empresas privadas. Os deputados e senadores trouxeram do Rio um número mínimo de assessores, agora são dezenas por gabinete. Há uma apropriação do Estado por parte dos que se assumem como “Os Eleitos”.

O ensino básico é muito deficiente, talvez para privar o maior número de pessoas do conhecimento de que elas é que são os patrões, e não o ocupante de cargo no Estado, que lá está em nome do povo, que é a origem do poder. O povo lhe deu poder para gerir com justiça, ética, os tributos recolhidos, prestando bons serviços ao público. O ensino básico precisaria ensinar que o governante usa dinheiro que veio dos impostos; ele não é um bonzinho caridoso; o dinheiro na mão dele veio do suor dos pagadores de impostos, e não pode ir para o bolso dele, nem está ali para fazer caridade, mas para prestar bons serviços, como o de fazer o povo conhecer como deve funcionar um governo “do povo, pelo povo e para o povo”.
A última campanha de propaganda do governo é tentar jogar os pobres contra os ricos, tal como nos tempos de pregação bolchevique, que resultaram em 70 anos de ditadura comunista na União Soviética. Pregar luta de classes é antidemocrático, odiento, falso. Essa ideologia exige uma ditadura do Estado e resulta em todos nivelados por baixo. Na ideologia de economia liberal, o Estado é um servidor, um prestador de serviços, e não atrapalha o desejo natural de progredir, de bem-estar, de enriquecer. Cobra pouco imposto e presta bons serviços. O resultado é bem diferente, como a prática de Milei está exemplificando na nossa vizinhança. No ano que vem haverá oportunidade de escolha pelo voto. Vamos dar procuração para os que querem usar o povo, ou para os que querem resgatar os brasileiros. É uma escolha que decide futuro. A desinformação vai agir, como age quando joga por pobres contra ricos. Quer continuar com a realidade de hoje, que é a de Estado contra Nação.
Leia também “O porta-aviões”




Tragam duas cópias pra cá, uma de Milei outra de Bukelli
Por essas que acho um erro a criação de Brasília. Criaram uma capital no meio do nada, onde os ”poderosos” se lambuzam no dinheiro público a vontade, já que vivem entrei si, sem contato com a realidade de um Rio de Janeiro ou São Paulo da vida…
Tenho dúvidas se as eleições de 2026. Acontecerá.
Haverá eleições no final de 2026. Que bom. A propósito, refresquem minha memória, as eleições na Venezuela aconteceram em 2024, ou em 2025?