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Edição 278

Estado x Nação

A ideologia reinante inverteu a ordem: é o Estado o patrão, e não o povo; o servidor é o povo, e não o Estado

A partir de 1º de agosto vamos ter sanções em dobro. A de Trump, de 50% sobre as exportações para os Estados Unidos, e a de Lula, de 30% de álcool sobre a gasolina de nossos veículos. A mídia nos cobre de discussões sobre a de Trump, que vai atingir diretamente os que exportam para a América, e faz um silêncio desrespeitoso com os brasileiros donos de carros e motos a gasolina. Assim como Trump não perguntou aos exportadores brasileiros se gostariam de ter uma tarifa adicional para entrar nos Estados Unidos, o governo brasileiro tampouco perguntou aos brasileiros se gostariam de ter nos seus motores apenas 70% de gasolina. Gasolina com 30% de etanol é adulteração do combustível. Meia dúzia de burocratas decidiram, e ninguém perguntou ao consumidor se poderia. E alardeiam transparência, democracia.

Assim é, neste país sem cultura democrática. Ainda não naturalizaram a democracia — para usar a novilíngua. A ideologia reinante inverteu a ordem: é o Estado o patrão, e não o povo; o servidor é o povo, e não o Estado. Neste momento, cabe a pergunta: o que é mais nocivo à Nação brasileira, a tarifa de Trump, que atinge os exportadores para os Estados Unidos, ou as tarifas do Estado brasileiro, que atingem a todos com taxas, licenças, alvarás, burocracias, impostos em cascata, emaranhados de regras, mudanças constantes, que formam o custo-Brasil? Que, afinal, não é custo-Brasil, mas custo-Estado brasileiro.

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O vice-presidente e ministro do Comércio Exterior acabou de anunciar desburocratização nas importações e exportações. Segundo Geraldo Alckmin, eliminar licenças de uma multidão de órgãos, como Anvisa, Ibama, Mapa…, vai significar uma economia de R$ 40 bilhões por ano para os exportadores e importadores. Imagine as empresas brasileiras que exportam e importam gastarem R$ 40 bilhões só com burocracia. É incrível como o Estado onera quem trabalha, produz, vende e compra. Para empregar, pagar salário, o empregador na verdade gasta mais meio salário em encargos. E todos sabemos que, a cada ano, trabalhamos para os governos até o fim de maio, com impostos, taxas, encargos embutidos em tudo o que compramos e no que pagamos diretamente.

Aqui no Brasil o Estado é o patrão, e não o povo. Ainda vivemos a era feudal, anterior a 1215, quando impuseram ao rei João Sem-Terra a Magna Carta. Por sinal, nem a Magna Carta brasileira, escrita pelos constituintes eleitos pelo povo brasileiro, é respeitada pelos guardiões dela. O Estado que quer ser tutor do que pode ser dito ou visto e ouvido, é porque quer ser dono da liberdade do povo. Mas o Estado só existe para servir à Nação, que é o povo e seus empreendimentos. O Estado é um prestador de segurança, justiça, saúde, ensino. Pelo tamanho dos tributos, deveríamos ter serviços públicos de excelência, mas não temos. E há imensa disparidade entre os salários dos nossos servidores no Estado e os dos brasileiros assalariados fora do Estado, assim como entre os benefícios de férias, saúde, vantagens, aposentadoria do Estado e da Nação. Na prática, é a Nação que está a serviço do Estado, o que é uma inversão.

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O povo paga impostos para sustentar o Estado, e cria-se uma ilusão de caridade com o Bolsa Família. Poderia ser feito um turismo didático em Brasília, mostrando os monumentais palácios do Judiciário, construídos nos últimos anos, a multidão de assessores no Legislativo, que agora terão mais lugares em 18 novos gabinetes, pois vão derrubar o veto presidencial e serão 531 deputados a ocupar o plenário planejado para 326. Vieram depois os anexos dos ministérios que já são insuficientes, e o Executivo aluga prédios na capital. Isso explica a dívida pública de quase R$ 8 trilhões.

Quando cheguei a Brasília, há quase 50 anos, havia 11 prédios de ministérios. Imaginei que o computador iria reduzir para um terço o tamanho da burocracia. Mas aplicaram a Lei de Parkinson, e o número de servidores foi sendo multiplicado. Inventaram “trabalho” para justificar o número de cadeiras e mesas a serem ocupadas. Em terra de ninguém, incha o que não consegue inchar nas empresas privadas. Os deputados e senadores trouxeram do Rio um número mínimo de assessores, agora são dezenas por gabinete. Há uma apropriação do Estado por parte dos que se assumem como “Os Eleitos”.

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O ensino básico é muito deficiente, talvez para privar o maior número de pessoas do conhecimento de que elas é que são os patrões, e não o ocupante de cargo no Estado, que lá está em nome do povo, que é a origem do poder. O povo lhe deu poder para gerir com justiça, ética, os tributos recolhidos, prestando bons serviços ao público. O ensino básico precisaria ensinar que o governante usa dinheiro que veio dos impostos; ele não é um bonzinho caridoso; o dinheiro na mão dele veio do suor dos pagadores de impostos, e não pode ir para o bolso dele, nem está ali para fazer caridade, mas para prestar bons serviços, como o de fazer o povo conhecer como deve funcionar um governo “do povo, pelo povo e para o povo”.

A última campanha de propaganda do governo é tentar jogar os pobres contra os ricos, tal como nos tempos de pregação bolchevique, que resultaram em 70 anos de ditadura comunista na União Soviética. Pregar luta de classes é antidemocrático, odiento, falso. Essa ideologia exige uma ditadura do Estado e resulta em todos nivelados por baixo. Na ideologia de economia liberal, o Estado é um servidor, um prestador de serviços, e não atrapalha o desejo natural de progredir, de bem-estar, de enriquecer. Cobra pouco imposto e presta bons serviços. O resultado é bem diferente, como a prática de Milei está exemplificando na nossa vizinhança. No ano que vem haverá oportunidade de escolha pelo voto. Vamos dar procuração para os que querem usar o povo, ou para os que querem resgatar os brasileiros. É uma escolha que decide futuro. A desinformação vai agir, como age quando joga por pobres contra ricos. Quer continuar com a realidade de hoje, que é a de Estado contra Nação.

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4 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Tragam duas cópias pra cá, uma de Milei outra de Bukelli

  2. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
    Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

    Por essas que acho um erro a criação de Brasília. Criaram uma capital no meio do nada, onde os ”poderosos” se lambuzam no dinheiro público a vontade, já que vivem entrei si, sem contato com a realidade de um Rio de Janeiro ou São Paulo da vida…

  3. Wagner Darlan Antas de Almeida
    Wagner Darlan Antas de Almeida

    Tenho dúvidas se as eleições de 2026. Acontecerá.

  4. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    Haverá eleições no final de 2026. Que bom. A propósito, refresquem minha memória, as eleições na Venezuela aconteceram em 2024, ou em 2025?

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