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O presidente dos EUA, Donald Trump, fala à imprensa na Sala de Imprensa da Casa Branca em Washington D.C., EUA (27/6/2025) | Foto: Reuters/Ken Cedeno
Donald Trump, presidente dos EUA, na Casa Branca, em Washington, D.C. (27/6/2025) | Foto: Reuters/Ken Cedeno
Edição 277

O porta-aviões

Parece que temos agora uma contagem regressiva final. E ainda a aproximação do gigantesco 'USS Magnitsky'

O governo brasileiro pensou com cabeça tropical, imaginou que Trump estivesse blefando e continuou, lépido e faceiro, a provocar os Estados Unidos. Parece que ninguém do Itamaraty conseguiu alertar Lula sobre Trump e sobre o Departamento de Estado. Agora o governo tem até o fim do mês para agir. Nos tempos de pouco caso, o ministro Moraes disse que só acreditaria se um porta-aviões chegasse ao Lago Paranoá. O filme do Nimitz num túnel do tempo tem por título Final Countdown. Parece que é isto que temos agora: uma contagem regressiva final. E ainda a aproximação de um gigantesco porta-aviões, o ‘USS Magnitsky’. O tom da carta de Trump e da nota da Embaixada americana mostra a silhueta dessa nave no radar. É o final de um longo período de provocações.

Alexandre de Moraes, durante sessão plenária do STF (25/6/2025) |Foto: Fellipe Sampaio/STF

Logo no início do governo Lula, ainda em tempos de Biden, o governo americano viu frustrada sua recomendação para que o Brasil não recebesse duas belonaves iranianas. Lula não deu a mínima. Xingou Israel de genocida, apoiou o Hamas, o Irã, a Rússia contra a Ucrânia, e até pediu a Xi Jinping para mandar alguém a nos ensinar a censurar as redes sociais no Brasil. Chamou o candidato Trump de fascista, e agora o novo presidente do PT fez o mesmo ao presidente dos Estados Unidos. O Itamaraty abandonou o pragmatismo responsável, de resultados, e passou a navegar nas águas instáveis da ideologia. Enfim, o IBGE fez um mapa-múndi invertido e mostrou que o Brasil está sem norte.

Na política interna, o governo brasileiro desperta o parceiro continental com uma campanha de luta de classes, inspirada em Marx e Sidônio, o que é sinal de tentativa de impor um novo tipo de sociedade, a mesma que não deu certo na União Soviética. Aliás, incitamento à luta de classes contém preconceito, discurso de ódio, ideias antidemocráticas e fake news — tudo que o Supremo decidiu como censurável nas redes. No topo do Judiciário, o pouco-caso com a liberdade de expressão, o amplo direito de defesa, o juiz natural, o devido processo legal, a vedação à censura, a inviolabilidade do parlamentar e a independência de Poderes deve ter chocado também o governo americano, que têm esses valores como pedra de toque da democracia. 

O Brics que se reuniu no Rio de Janeiro mostrou que é um organismo parecido com um Foro de São Paulo pós-graduado: socialista e contra os Estados Unidos. Lula coloca o Brasil perto da Rússia, da China e do Irã e distante do vizinho continental, sem o pragmatismo de reconhecer que a América é a maior potência econômica, tecnológica e militar do planeta. As bravatas contra Trump podem ser perigosas. Imagine se cortarem o GPS, por exemplo. Teria um efeito infinitamente maior que uma alíquota de 50% nas exportações para os Estados Unidos. A tarifa é o convite de Trump para o Brasil voltar à sobriedade e desestimular a efervescência de uma política estudantil temporã.

Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, durante a sessão plenária “Paz e Segurança e Reforma da Governança Global”, no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro (6/7/2025) | Foto: Ricardo Stuckert/PR

E há outra questão sobre a qual não faltam avisos: a incapacidade de combater o crime no Brasil. Além de drogas, exportamos facções criminosas, máfias tropicais. Quando falamos em defender soberania, devemos entender apenas como palavras, porque o crime tem soberania sobre territórios em pleno Rio de Janeiro e agora está se estabelecendo na Amazônia. No Mercosul, Milei alertou Lula de que o Brasil tem que resolver isso. Mas o governo brasileiro não enquadra como equivalente a terrorismo essas facções de narcotraficantes que já estão dominando postos de combustíveis e outras atividades econômicas, concorrendo com a economia legal e reforçando seu poder econômico para comprar autoridades dos três Poderes.

É uma vergonha que tenhamos que depender da maior democracia do planeta para pressionar o Estado brasileiro a entrar nos eixos e evitar que nos transformemos numa Venezuela bolivariana. Antonio Gramsci ensina à esquerda brasileira o que a URSS não conseguiu pela força: a ir conquistando cérebros pelos meios de informação. Daí a necessidade de calar as redes sociais, que são a praça digital da resistência ao avanço do totalitarismo profetizado por Orwell. Quem seria o “Grande Irmão”?

Livro 1984, de George Orwell | Foto: Shutterstock

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5 comentários
  1. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Comunismo não dá certo nem aqui nem na China nem em lugar nenhum. O que dá certo é o capitalismo e as liberdades econômicas onde o mundo desenvolve

  2. Adelmo cabral
    Adelmo cabral

    De anotar o protagonismo de Janja ou Esbanja, pois que ela senta logo atrás do presidente, o molusco ou pinguço, ladeada pelo chanceler genérico e pelo chanceler de fato; e na sequência numa posição de meros espectadores ou chumbetas, Haddad, Silveira, Rui Costa, Marina e mais dois outros desconhecidos. Vale dizer, nos tamos f… e muito mal pagos.

    1. Candido Andre Sampaio Toledo Cabral
      Candido Andre Sampaio Toledo Cabral

      Que nível nosso país está. Sendo representado por esse naipe de gente…

  3. Selma Rocha
    Selma Rocha

    Acho que o sonho do descondenado seria a de ser o Grande Irmão, imagina ele ter o controle total sobre todos nós, o fato de ter solicitado ao ditador Xi alguém com experiência em censura nos dá mostra, que o sonho dele é exatamente esse, controle total, quem sabe nos recivilizar, reeducar, ao menos já deixou escapar em várias ocasiões que o povo precisa ser “contido”, “essa gente precisa ser extirpada”, a boca fala do que o coração está cheio. Ódio!

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